PERSPECTIVA DA SERAPHINA
Eu deveria ter dito não.
Não, o que eu realmente deveria ter feito era dar meia-volta e sair pela porta no momento em que vi o Kieran no palco.
Mas, sabe-se lá por quê, o maldito fio invisível que parecia existir entre o meu ex-marido e eu me puxou, e eu não resisti, como deveria ter feito.
Eu subi no palco e joguei os joguinhos bobos com ele, deixando que a sua voz me guiasse pelo último desafio.
O pior de tudo foi que eu aproveitei cada maldito minuto.
E, agora, as consequências das minhas ações: um colar deslumbrante (que eu odiava admitir que rivalizava com o que o Lucian tinha me dado) e uma dança.
Institivamente, dei um passo para trás. Eu não deveria estar aqui, para começo de conversa. Eu deveria estar em qualquer lugar, menos em um bar com o meu ex-marido, cogitando dançar com ele.
Eu precisava ir embora imediatamente. Ir para casa e me preparar para o desafio final.
Meus olhos passaram por trás do Byron, chegando onde o Kieran estava, um pouco relaxado demais, um pouco casual demais, como se estivesse se esforçando para não mostrar nenhuma emoção ou reação.
E, então, o Byron falou.
"A minha Lillian se foi há dezenove anos." Sua voz estava pesada pelo luto, mas leve com a suavidade da reverência. "Como mencionei antes, hoje seria nosso trigésimo aniversário de casamento."
Meu peito apertou. "Lamento," sussurrei.
Byron balançou a cabeça. "Não, não lamente. A Lillian não era uma pessoa de lágrimas ou tristezas." A nostalgia do seu sorriso apertou o meu coração. "Quando fecho os olhos, ainda posso vê-la dançando por este bar, com a luz batendo no seu colar."
Os olhos dele brilharam, não com lágrimas, mas com o brilho de um homem que amou e foi amado intensamente. Não consegui desviar o olhar. "Você poderia me conceder esse presente, Sera?"
Lentamente, sem perceber exatamente o que eu estava fazendo, tirei o colar da caixa. Senti ele frio contra a minha palma e vi a pedra azul do pendente piscar sob a luz do palco.
E, embora fosse leve como uma pluma, parecia pesado. Pesado de lembranças. Pesado de significado.
Um nó se formou na minha garganta e engolir com força não ajudou a desfazê-lo.
"Sim," sussurrei.
A multidão irrompeu em aplausos, mas eu mal os ouvi. Para ser sincera, tinha esquecido que as outras pessoas existiam.
Meu olhar voltou para o Kieran, que subitamente ficou tenso. A surpresa brilhou nos seus olhos, como se ele esperasse que eu rejeitasse o pedido do Byron e saísse.
Byron sorriu e fez uma pequena reverência, saindo do caminho.
E, de repente, o Kieran e eu éramos os únicos no palco.
Hesitei e senti o meu coração disparado. Todos os meus instintos racionais me puxavam em direção à saída do bar.
Mas eu já tinha assumido um compromisso e não podia voltar atrás na minha palavra.
E, então, o Kieran estendeu a mão. "Permita-me," ele murmurou.
Meu pulso acelerou. Era uma loucura, eu sabia. Ainda nem sequer tínhamos nos tocado, o braço estendido era apenas um gesto, se é que se poderia chamar assim.
Por um momento, não entendi o que ele estava pedindo. Mas, então, vi o seu olhar ir para o colar e o meu coração pulou uma batida.
Minha mão tremeu levemente enquanto eu segurava o colar. Kieran o pegou de mim com um cuidado surpreendente e o metal brilhou entre seus dedos. Fiquei paralisada quando ele se posicionou atrás de mim. A sua proximidade era como uma tempestade silenciosa.
O toque dos nós dos dedos dele na minha pele ao afastar o meu cabelo fez um arrepio percorrer a minha espinha. O fecho se encaixou suavemente e o toque dele permaneceu por um segundo a mais do que o necessário antes que ele afastasse as mãos.
A música fluía pelos alto-falantes suave e melódica, o som inconfundível de uma antiga balada romântica. Quando me virei, a mão do Kieran estava estendida para mim novamente e, lentamente, hesitante, eu a segurei.
Por um momento, nenhum de nós se moveu. Era sempre assim com o Kieran, como se o tempo desacelerasse, como se cada movimento que fazíamos precisasse ser sentido, saboreado.
Vi-o olhar para a sua grande mão, que fazia a minha parecer pequena, e me perguntei se ele estava pensando a mesma coisa que eu: que essa provavelmente era a primeira vez que dávamos as mãos após uma década de casamento.
E então nos movemos.
A mão do Kieran se fechou ao redor da minha e a outra repousou na curva da minha cintura. O calor da palma dele atravessou o tecido fino do meu macacão, ardente, perturbador. No entanto... gentil. Seu aperto não era rígido. Era firme. Terno.
E, contra a minha vontade, algo dentro de mim amoleceu enquanto eu me entregava ao momento.
O Kieran e eu nunca tivemos uma cerimônia de casamento formal. Todos os eventos nos quais comparecemos enquanto fomos casados foram ocasiões tensas e de movimentos desajeitados. Resumidamente, nunca tínhamos dançado juntos antes.
Tudo o que havia desvanecido agora retornava com uma clareza surpreendente. O bar. O público. O ex-marido com quem eu não deveria ter dançado.
Enquanto a multidão vibrava, Byron voltou ao palco, aplaudindo e com um sorriso que superava o brilho dos holofotes.
"Obrigado", disse ele, com a voz carregada de emoção ao se aproximar de nós. "Vocês me deram mais do que imaginam."
Ele colocou uma pesada garrafa gelada de vinho tinto nas minhas mãos. "Este também era um dos tesouros da Lillian. Compramos na nossa lua de mel na Grécia e estávamos guardando para o nosso trigésimo aniversário. Quero que você fique com ele."
Tentei protestar. "Byron, você já fez tanto. Eu não posso..."
"Pode", ele disse firmemente, fechando os meus dedos ao redor da garrafa. "E vai. Não discuta com um velho."
Meu riso saiu trêmulo. "Certo. Obrigada."
"Não, Sera, eu que agradeço."
Ele deu um tapinha no meu ombro e, naquele momento, não era apenas gratidão nos olhos dele, era algo como compreensão. Era como se ele tivesse vislumbrado o que eu carregava e visto as sombras que me acompanhavam e estivesse me oferecendo um pouco de luz.
A multidão se dispersou, atraída de volta a um coro de conversas e música.
"Bom…" Estranho. Essa foi a única palavra que descrevia a maneira como eu pairava no palco, mas as minhas pernas se recusavam a se mover.
Eu odiava a hesitação que revirava o meu interior, mas uma parte de mim queria ficar, queria ouvir outra música, queria voltar para os braços do Kieran.
Ele me ofereceu um sorriso suave enquanto os seus olhos brilhavam levemente, como se… Como se estivesse pensando o mesmo que eu.
"Boa noite, Sera," ele disse suavemente.
Engoli em seco. O nó ainda estava firme na minha garganta. "Boa noite, Kieran."
E, então, forcei minhas pernas a se moverem.
Saí do palco com o colar frio contra o meu pescoço e o vinho aconchegado contra as minhas costelas como um segredo frágil.
E, embora eu não tenha olhado para trás, eu podia sentir o olhar do Kieran queimando em mim até eu desaparecer de vista.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei
Finalmente toda a verdade do Lucian veio à tona. Só não faz sentido ele saber antes de qualquer pessoa (inclusive família) que a Zara era prima. Cadê a tia irmã de Margareth então? Porque Sera e Margareth foram mais importantes para Catherine do que esse outro braço da família?...
Quero saber até onde o Lucian estar envolvido com Katherine e Marcos...
Ok, sera não aceitar o vínculo. Agora deixa o Kieran seguir a vida dele em paz...
Tá muito bom os capítulos...
Preciso de ajuda pra comprar moedas, não consigo completa minha compra...
Sera era uma bobinha manipulada e do nada se tornou fodona. A autora exagerou demais. Comecei a ler uma romance onde o começo imita uma história que já existe e depois, a autora acrescentou "os mutantes" na história. Kkkkk Mas os capítulos que abrem essa história nada mais é do quem o plágio de uma história que já existe. A irmã, o marido que gosta da irmã, a noite em que a irmã errada dorme com o cara, casa com ele tem um filho. O divórcio e só depois ele começa a gostar dela... Enfim, copiou na cara dura....
Livro muito bom!!! Sem muita enrolação e historia com enredo e fluxo. Aguardando próximos capítulos e o encerramento breve!!!...
SERAPHINA é muito fraca e idiota,Catherine manipula ela fácil fácil, eu ia lá se sacrificar por uma pai uma família que sempre me tratou mal, eles que se virem...
Escritora por favor, melhora isso aí, Sera fez o ex marido comer o pão que o diabo amassou, botou homens na cara dele, agora a cobra da irmã dela baixa o espírito de Santa e Sara na primeira oportunidade já vai abraçar, me poupe, mais criatividade por favor...
Quando Sera vai descobrir a peste falsa e manipulador que lucian é?? Ele ainda foi embora com o amor da vida dele e ainda deixou a Sera responsável pelos negócios dele, Sera é muito idiota,...