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Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei romance Capítulo 165

PERSPECTIVA DA SERAPHINA

Minha mão congelou enquanto acariciava o cabelo do Daniel.

Por um momento, pensei que tinha ouvido errado.

A voz do meu filho era suave e estava pesada de sono, mas as palavras eram claras o suficiente para tirar o meu fôlego.

"Parabéns por finalmente conseguir a sua loba," ele disse.

O quarto pareceu parar ao nosso redor: a luz da lua entrando levemente pelas cortinas, o ritmo constante da suave respiração dele, o eco de tudo que tinha acontecido hoje.

Meu coração hesitou, frágil e assustado.

"Como... como você sabe?" Eu sussurrei, mal confiando na minha voz.

Daniel piscou para mim e sorriu, sonolento. "Eu só sei."

Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa mais, a voz da Alina soou suavemente na minha mente, calorosa, encantada, orgulhosa: 'Ele me sentiu, Sera,' ela disse. 'Isso não é uma intuição comum. Nosso filhote é muito especial.'

Eu quase podia ver o sorriso dela na minha imaginação.

A ideia de que o Daniel poderia sentir ela também, que ele de alguma forma reconheceu o que três Alfas poderosos não tinham reconhecido, me deixou abalada, mas de um jeito bom.

"Mãe?" Daniel murmurou, meio bocejando. "Não se preocupe. Não vou contar pra ninguém. Sei que você tem os seus motivos para manter isso em segredo."

Minha garganta apertou. Ele tinha apenas nove anos, mas a sua inteligência emocional nunca deixava de me surpreender.

Havia uma profundidade no olhar dele que às vezes me lembrava muito o Kieran: firme, intenso, resoluto. Mas aquele brilho nos olhos, aquele entusiasmo além da sua idade... isso era tudo do Daniel.

"Obrigada, querido," eu disse suavemente, afastando uma mecha de cabelo da sua testa. "Você tá certo. Ela ainda não quer que ninguém mais saiba sobre ela."

Ele assentiu solenemente. "Não vou contar nada. Você pode confiar em mim, Mãe."

Eu sorri. "Eu sei que posso."

Depois de uma pausa, ele sussurrou: "Posso saber o nome dela? Da sua loba."

Hesitei. Já tinha dito o nome dela em voz alta antes, mas falar para alguém parecia estranhamente reverente, como dar vida a algo sagrado.

"Alina," contei para ele finalmente. "O nome dela é Alina."

Ele sorriu levemente. "Parece o nome de uma loba gentil."

Uma risada ficou presa na minha garganta. "Ela é. E é super legal também. Eu não teria passado pelas provas sem ela."

"Sério?" Daniel disse, seus olhos se fechando. "Diga a ela que eu disse obrigado."

'Eu deveria agradecer a ele por te dar força quando eu não consegui,' Alina respondeu.

Meu sorriso se alargou. "Ela tá feliz em te conhecer," murmurei. "E também é grata a você."

Os olhos do Daniel se abriram novamente. "Ela pode me ouvir?"

"Sim, meu amor."

Ele sorriu mais largamente com a resposta e os seus olhos enevoados de sono brilharam de curiosidade. "Diga a ela que eu mandei um 'oi'. E que eu disse que ela tem um nome bonito."

A voz da Alina suavizou como veludo na minha cabeça: 'Ele vai ser formidável um dia. Mas também gentil e bondoso. Isso é mais raro do que a própria força.'

Engoli em seco contra o nó de emoção que subia na minha garganta.

Daniel bocejou, se aconchegando mais perto de mim até que a sua cabeça repousasse embaixo do meu queixo. "Você acha... que, quando você puder se transformar, nós vamos correr juntos? Você, a sua loba... e eu?"

A imagem floresceu vívida e terna na minha mente: a luz da lua derramando-se pelo chão da floresta, o Daniel correndo à frente, rindo, enquanto a Alina e eu o seguíamos de perto, com as patas batendo na terra no ritmo do coração dele.

E então, quando ele fosse mais velho e tivesse seu próprio lobo, nós correríamos juntos pela floresta, deixando todas as nossas preocupações para trás.

Sorri, dando um beijo no cabelo dele. "Sim, meu bem. Eu gostaria muito disso."

"Eu também," ele murmurou e, por alguns segundos quietos, pensei que ele tivesse adormecido.

Então, sua voz soou novamente, fraca, mas clara. "Mãe... você acha que o Lucian vai se juntar à nossa família um dia?"

Meu peito apertou. Eu já imaginava que era só uma questão de tempo até que essa pergunta surgisse.

Passei a mão pelo braço do Daniel, ganhando tempo para pensar. "Por que você tá perguntando isso, querido?"

Ele deu de ombros levemente contra o meu corpo. "Você gosta dele, né?"

Eu hesitei demais e ele deve ter interpretado isso da forma errada, porque disse: "Tudo bem, mãe. Eu não me importo. Ele é legal."

"Ele é legal," concordei cuidadosamente. "Mas você não precisa se preocupar com essas coisas agora. Você não precisa se forçar a gostar dele só porque eu..."

Ele me interrompeu com um tom firme que, novamente e de forma irritante, me lembrou o Kieran. "Mãe."

Pisquei. "Sim?"

"Você sempre me coloca em primeiro lugar, mas tudo bem se desta vez você não fizer isso. Você deve fazer o que te faz feliz. Eu sou mais feliz quando você tá feliz."

Essas palavras me desarmaram.

Olhei para ele, o menino que uma vez agarrou as minhas pernas com medo no seu primeiro dia de escola, que se recusou a se afastar de mim nos dias seguintes... E agora estava ali, crescido, me dizendo para fazer as minhas escolhas.

Eu mal conseguia respirar. "Daniel…"

Ele sorriu, sonolento mas confiante. "Além disso, acho o Lucian legal. Pelo menos ele é ótimo no videogames. Eu não me importaria de jogar com ele de novo."

Outro longo silêncio, daqueles que vêm carregados de muito significado.

Quando ela finalmente falou, sua voz estava mais suave do que nunca. "Me diga, Sera. Você ainda quer um companheiro predestinado?"

A pergunta me atingiu mais fundo do que esperava. Olhei para o Daniel, com o seu rosto sereno enquanto dormia e a mão ainda segurando a borda da minha manga.

"Antes eu queria," respondi com sinceridade. "Quando era mais jovem, sonhava com isso, com como seria pertencer completamente a alguém, ser amada tão profundamente e incondicionalmente."

"E agora?"

"Agora..." suspirei. "Depois de tudo o que aconteceu, depois de estar ligada a alguém que não era verdadeiramente meu, acho que aprendi a ficar bem sem isso."

"Você não parece estar bem com isso," ela murmurou. "Você parece triste."

"Eu... não tô."

Será que eu estava?

"Eu tô em paz com isso," continuei, em um tom baixo. "Não sou mais aquela garota que ficava tentando provar o seu valor sendo perfeita. Se eu não tiver um companheiro predestinado, não significa que tô incompleta."

Havia um calor no silêncio. Então: "Você ficou mais forte, Sera."

"Fiquei," concordei. Superei o Torneio. O mundo me viu não como a ex-esposa de um Alfa ou a filha estigmatizada e rejeitada dos Lockwood, mas como uma líder, uma campeã.

'Já cheguei até aqui. Vou ficar bem.'

Alina ficou quieta por mais um momento antes de dizer, quase hesitante: 'Você ainda não consegue sentir o laço porque não pode se transformar. Quando chegar a hora, quando o seu corpo e a minha alma forem um só, você verá o que o destino te reserva. A verdade não se esconde pra sempre.'

Suas palavras deveriam ter me acalmado, mas só trouxeram uma dor no peito.

Mesmo assim, sorri de leve. 'Isso soa como algo que você diria pra me tranquilizar.'

'Talvez seja mesmo,' ela admitiu, com um brilho de diversão. 'O que não torna uma mentira.'

Fechei os olhos. O quarto estava silencioso, exceto pela respiração suave do Daniel e o leve zumbido da noite além da janela. Deixei os meus pensamentos dispersos se acalmarem e o ritmo constante das batidas do coração dele me tranquilizar.

Eu devo ter cochilado, porque o repentino vibrar do meu celular na mesa de cabeceira me assustou.

Estendi a mão e pisquei contra o brilho da tela. Kieran.

Hesitei, com o polegar pairando acima do botão de atender enquanto o meu interior se revirava. Por que ele estaria me ligando tão tarde da noite? O que ele queria?

'Bom, você não vai saber até atender,' Alina cutucou, com um tom indecifrável.

O celular continuava a vibrar e, em algum lugar dentro de mim, um pulso de eletricidade antiga e familiar respondeu.

Exalei lentamente, tentando acalmar o meu coração antes de pressionar 'Atender'.

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