PERSPECTIVA DA SERAPHINA
Se alguém tivesse me dito há três meses que eu acabaria em um parque de diversões com Kieran Blackthorne, eu teria rido até a próxima lua cheia.
E, no entanto, aqui estava eu, cercada por risadas estridentes, brinquedos giratórios e os aromas doce e amanteigado de algodão doce e pipoca, assistindo o meu ex-marido e o nosso filho discutirem sobre quantas vezes iriam andar na montanha-russa.
Era surreal. Quase dolorosamente surreal.
Não era algo que eu normalmente aceitaria, mas, na noite passada, quando atendi a ligação, me surpreendi ao ouvir a voz do Kieran tão... suave, leve, por algum motivo que eu não conseguia identificar.
E então ele me deu a melhor notícia que eu poderia ter recebido: o Daniel não precisava mais voltar para a ilha particular. Ele poderia ficar comigo novamente.
Eu fiquei tão extasiada ao ouvir a notícia que não hesitei em aceitar a ideia de uma comemoração.
De alguma forma, a novidade se transformou nisso: um passeio em família. O primeiro em... sempre, eu acho.
Agora, em vez de me entregar à experiência, eu me pegava debatendo a sabedoria da minha decisão.
Só os deuses sabiam como estava o relacionamento do Kieran e da Celeste agora, depois de tudo o que aconteceu, e o Lucian e eu ainda não tivemos um momento para sentar e conversar.
Mas o sorriso puro e genuíno do Daniel, que iluminava o seu rosto inteiro, fez com que todas aquelas dúvidas se acalmassem.
Por ele, eu suportaria qualquer coisa.
Kieran, por outro lado, parecia irritantemente à vontade.
Ele vestia uma camisa azul e cinza com os botões abertos das mangas, casualmente enroladas. O vento soprava continuamente no seu cabelo, brincando com seus cachos.
Ele parecia... diferente. Despreocupado. Alegre.
Enquanto isso, eu estava aqui, pensando demais em tudo, enquanto ele irradiava uma calma tão profunda quanto a de um monge. O contraste me incomodava.
Então, decidi ser igual. Eu pararia de me preocupar e deixaria as coisas acontecerem. Eu também sabia ser despreocupada, caramba.
Voltei a minha atenção para o Daniel, que saltitava animadamente enquanto a montanha-russa parava. "Mãe, vamos duas vezes! Você deveria ir também!"
Sorri, balançando o sorvete que ele havia abandonado depois de uma lambida. "Acho que vou ficar de fora dessa, querido. Alguém tem que garantir que o seu sorvete não derreta."
Na verdade, as minhas costelas estavam demorando a se recuperar e cada movimento doía, mas não deixei isso transparecer. Eu me recusava a estragar o dia perfeito do meu filho.
Ele sorriu, satisfeito o suficiente, e puxou o pai em direção à fila da montanha-russa. Kieran olhou para trás e nossos olhos se encontraram por um breve segundo antes de ele desviar o olhar.
Na verdade, não sei nem se eu poderia descrever como contato visual. Mesmo assim, tive que me sentar imediatamente em um banco por causa dos meus joelhos trêmulos.
Recusei-me a dar muita importância à reação do meu corpo e foquei neles.
Pai e filho. Rindo. Provocando um ao outro. Se divertindo.
Consegui conter os meus pensamentos por cerca de seis segundos antes que eles ficassem fora de controle, me levando de volta à noite passada.
As roupas combinando. A harmonia divertida no carro. E... agora.
Por um breve segundo, quase acreditei que o divórcio nunca aconteceu. Ainda éramos casados, mas... felizes. Os últimos dez anos não foram nada além de um pesadelo. Eu não tinha chorado até a exaustão em várias noites. Meu marido só tinha olhos para mim.
Eu sabia que era uma ilusão. Sabia que era tolice. Sabia que devia parar de pensar antes que a dor silenciosa se transformasse, primeiro em saudade, depois em uma esperança que me devastaria.
Ainda assim.
"Com licença," uma voz disse suavemente, me salvando dos meus pensamentos.
Me virei. Uma lobisomem estava hesitantemente próxima, empurrando um carrinho de bebê. Os olhos dela brilhavam, nervosos. "Desculpe, mas você é... Seraphina Blackthorne? A campeã do TFL?"
Meu primeiro pensamento foi que ela tinha me confundido com outra pessoa.
Meu segundo pensamento foi: Deuses, sou eu mesma.
O sorriso que dei para ela provavelmente pareceu incrédulo. "Sim, sou eu."
O rosto dela se iluminou de admiração. "Oh, Deusa, não acredito que é você mesmo. Você se importaria se eu tirasse uma foto? Você... Você me inspirou mais do que imagina."
A sinceridade e a admiração no seu tom aqueceram o meu coração. "Claro," respondi, me levantando. Ela pegou o celular para tirar a foto e eu me aproximei dela, sorrindo para mim mesma ao notar a sua mão tremendo levemente.
"Obrigada," ela sussurrou após o clique.
"Ah, não foi nada."
"Não," ela balançou a cabeça, fazendo uma mecha de cabelo cair sobre os olhos. "Quero dizer... por tudo. Pela sua história."
Franzi a testa enquanto ela colocava a mecha de cabelo atrás da orelha, continuando: "Me casei pra fortalecer alianças da Alcateia e o meu marido..." Os olhos dela de repente se encheram de lágrimas, e ela piscou rapidamente para tentar contê-las. "Ele não era gentil. Ele me machucava muito."
Meu estômago se revirou violentamente. Apesar das falhas do Kieran, ele nunca levantou a mão para mim. Eu sabia que isso era o mínimo, mas sempre ficaria grata pela certeza de que ele nunca me machucaria.
O Ashar, na Arena Campo de Neve, não conta.
"Eu... Eu achava que nunca sairia dessa vida," a mulher continuou, com a voz carregada de emoção. "Fiquei com ele porque sabia que não podia voltar pra minha antiga Alcateia, e achei que ninguém aceitaria a mim ou ao meu filho se eu partisse. Mas então, eu estava no baile de gala beneficente onde você fez um discurso. Suas palavras me tocaram pra valer. Desde então, comecei a seguir sua história."
A voz dela oscilou e finalmente uma lágrima escorreu pela sua bochecha. "Você me deu uma coragem que eu nunca tinha tido antes. Eu entrei com o pedido de divórcio no mês passado. Consegui alugar um apartamento pequeno com as minhas economias, e eu... eu vou me juntar à SDS."
Minha garganta secou. "Isso é... incrível," consegui dizer, sinceramente. "Você é tão corajosa."
Ela balançou a cabeça rapidamente, enxugando as lágrimas. "Não, você é. Você me mostrou que, mesmo quando o mundo destrói tudo, a gente consegue reconstruir as nossas vidas. Obrigada, Sera."
Fiquei sem palavras e estupefata.
A única coisa que consegui fazer foi puxá-la para um abraço e conter o gemido quando ela me apertou com força suficiente para mexer nas minhas costelas machucadas.
Muito depois dela ir embora, fiquei ali parada, olhando para o espaço que ela tinha ocupado.
Os sons do parque voltaram a me cercar, a música, os risos, o barulho das máquinas, mas os meus pensamentos estavam a quilômetros de distância.
Minha história...
Tudo que eu passei deu a alguém a coragem de deixar o seu agressor e transformar a sua vida.
Se o Kieran e eu não tivéssemos nos divorciado...
Será que eu teria entrado para a SDS? Teria me esforçado tanto para ficar mais forte? Teria encontrado coragem e determinação para liderar a minha equipe até a vitória do Torneio?
Será que eu teria me tornado um... exemplo?
Não.
Olhei para o sorvete derretendo na minha mão e depois para a montanha-russa. O Kieran e o Daniel tinham descido, ambos corados e radiantes.
Por um momento, o contraste entre o passado e o presente foi quase vertiginoso.
A garganta dele se mexeu. "Certo."
Mas o jeito como ele disse aquela palavra me fez perceber que ele não acreditava nela. Não completamente.
Ele estendeu a mão para a minha novamente de forma proposital e segura, como se tivesse decidido que a confirmação valia qualquer consequência.
Um pequeno som involuntário escapou de mim, meio suspiro, meio aviso.
Eu não sabia o que faria se ele me tocasse e aquela faísca acendesse de novo.
Eu prendi a respiração exatamente quando os dedos dele tocaram os meus...
"Mãe! O Lucian chegou!"
A frase absurda me trouxe de volta à realidade. Virei-me, surpresa, e lá estava ele. O Lucian estava a alguns passos de distância do Daniel, com um sorriso meio preguiçoso nos lábios e as mãos casualmente nos bolsos do casaco.
O olhar dele passou rapidamente de mim para o Kieran e aquele sorriso endureceu. "Espero não estar interrompendo," ele disse suavemente.
Pisquei duas vezes, mas a imagem não desapareceu.
"Como você sabia..."
Ele acenou para desconsiderar a minha pergunta antes que eu pudesse completá-la.
"Fiz reservas pro jantar," Lucian anunciou, com os olhos brilhando. "Tipo uma comemoração particular. Tudo bem?"
O rosto do Daniel se iluminou instantaneamente. "Pra todos nós?"
Lucian lançou outro olhar para o Kieran e não deixei de notar o aperto nos seus olhos.
"Bom, eu não sei se o seu pai..."
"Tudo bem," Kieran interrompeu.
Eu conseguir sentir a energia dele mudando, esfriando, se afastando. Agora, suas mãos estavam firmemente ao lado do corpo.
"Vou recusar o convite, mas obrigado."
Eles trocaram um olhar que me fez sentir como um osso entre dois cães Alfa.
Lucian ofereceu a mão para o Daniel. "Vamos, campeão. Tem uma mesa te esperando."
Daniel agarrou a mão dele com alegria. "Tchau, pai! Você vem na próxima vez, né?"
O sorriso do Kieran não chegou aos olhos. "Claro, campeão. Divirta-se."
Lucian me olhou com expectativa. "Sera?"
Pisquei. "Sim, ah... claro. Vamos lá."
Por algum motivo, senti os meus pés pesados enquanto nos afastávamos. E, quando parei para jogar o sorvete derretido na lixeira, usei toda a força de vontade que eu tinha para não olhar para trás.
Mas não importava se eu não olhasse.
Eu podia sentir o olhar do Kieran me acompanhando, como os últimos resquícios de uma tempestade que ainda não tinha decidido se ia embora ou voltaria.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei
Finalmente toda a verdade do Lucian veio à tona. Só não faz sentido ele saber antes de qualquer pessoa (inclusive família) que a Zara era prima. Cadê a tia irmã de Margareth então? Porque Sera e Margareth foram mais importantes para Catherine do que esse outro braço da família?...
Quero saber até onde o Lucian estar envolvido com Katherine e Marcos...
Ok, sera não aceitar o vínculo. Agora deixa o Kieran seguir a vida dele em paz...
Tá muito bom os capítulos...
Preciso de ajuda pra comprar moedas, não consigo completa minha compra...
Sera era uma bobinha manipulada e do nada se tornou fodona. A autora exagerou demais. Comecei a ler uma romance onde o começo imita uma história que já existe e depois, a autora acrescentou "os mutantes" na história. Kkkkk Mas os capítulos que abrem essa história nada mais é do quem o plágio de uma história que já existe. A irmã, o marido que gosta da irmã, a noite em que a irmã errada dorme com o cara, casa com ele tem um filho. O divórcio e só depois ele começa a gostar dela... Enfim, copiou na cara dura....
Livro muito bom!!! Sem muita enrolação e historia com enredo e fluxo. Aguardando próximos capítulos e o encerramento breve!!!...
SERAPHINA é muito fraca e idiota,Catherine manipula ela fácil fácil, eu ia lá se sacrificar por uma pai uma família que sempre me tratou mal, eles que se virem...
Escritora por favor, melhora isso aí, Sera fez o ex marido comer o pão que o diabo amassou, botou homens na cara dele, agora a cobra da irmã dela baixa o espírito de Santa e Sara na primeira oportunidade já vai abraçar, me poupe, mais criatividade por favor...
Quando Sera vai descobrir a peste falsa e manipulador que lucian é?? Ele ainda foi embora com o amor da vida dele e ainda deixou a Sera responsável pelos negócios dele, Sera é muito idiota,...