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Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei romance Capítulo 168

PERSPECTIVA DO LUCIAN

Minha espinha se enrijeceu instintivamente.

Senti um zumbido nos ouvidos e um trovão no peito. As duas sensações colidiam, altas e implacáveis, e eu mal conseguia pensar com tanto barulho.

Eu podia sentir a leve vibração do ronco ocioso do carro e ver o feixe baixo dos faróis se espalhando pela entrada, mas os meus pensamentos estavam longe do presente. Eles retrocederam anos no tempo, para uma época em que o mundo fazia sentido. Uma época em que o meu coração era inteiro.

"C-como você soube?"

Não me movi, nem sequer respirei, até que a voz baixa e quase trêmula da Sera soou novamente: "Eu… suspeitei," disse ela. "Pela maneira como você reagia quando falávamos sobre companheiros e quando me contou sobre a sua 'amiga' que te deu a fórmula para o Néctar do Orvalho da Lua. E então, ouvi claramente, de... bocas na SDS."

Fechei os olhos. Um longo e constante suspiro escapou de mim.

Eu deveria ter imaginado que seria inevitável. Eu deveria ter contado logo para ela. Eu nunca deveria ter escondido dela.

Eu deveria ter. Eu deveria ter. Eu deveria ter.

"Sera..."

"Eu gostaria de não ter que ouvir isso de outra pessoa," interrompeu ela, com um tom mais afiado agora. "Queria que você simplesmente tivesse me contado."

O ar entre nós ficou pesado. Os grilos preencheram o silêncio com o seu zumbido rítmico sincronizando-se com as batidas descompassadas do meu coração.

Virei-me para ela, finalmente me forçando a encarar o seu olhar. O leve brilho dos faróis pintou o perfil dela com uma luz suave, e, deuses, a dor nos seus olhos me destruiu.

"Você tem razão," admiti em voz baixa. "Você merecia ouvir isso de mim. Eu só..." Minha voz sumiu enquanto eu passava a mão no rosto. "Não queria afetar a sua concentração antes do Torneio. Você já estava sob imensa pressão. Não queria correr o risco de bagunçar a sua cabeça."

A desculpa frágil soou ainda mais fraca em voz alta do que na minha mente.

"Lucian," ela disse suavemente, "nos conhecemos bem antes do Torneio. E todos aqueles jantares, todas aquelas conversas? Quando você me pediu pra ser a sua namorada?"

As palavras dela me atingiram fundo, mas o pior era que ela não estava me acusando... Ela estava magoada. E ela tinha todo o direito de estar.

"Compartilhei partes de mim com você que nunca compartilhei com mais ninguém," continuou ela, a suavidade da voz não escondendo a dor das palavras. "E você simplesmente... omitiu."

A culpa ardeu no meu peito.

Eu achava que estava protegendo-a. Mas a verdade era mais simples, mais feia: eu estava me protegendo.

De reabrir uma ferida que nunca cicatrizou completamente.

"Desculpa," murmurei. Era fraco, patético. Mas era tudo que eu conseguia dizer.

Antes que eu pudesse falar mais alguma coisa, uma vozinha rompeu o peso do momento.

"Mãe?"

Sera imediatamente mudou, suavizando o seu jeito enquanto assumia o perfil de mãe. "Tô aqui, meu amor."

Me levantei dos degraus enquanto o Daniel abria a porta do carro, esfregando os olhos, e ela foi até ele.

"Já chegamos em casa?" bocejou.

"Sim, meu amor," ela respondeu, afastando o cabelo do rosto dele com carinho.

"Tá tarde," eu disse, caminhando para abrir a porta do motorista. "Podemos continuar essa conversa amanhã. Só nós dois."

Sera hesitou, depois assentiu com a cabeça. "Certo."

Ela não me olhou de novo enquanto conduzia o filho pelas escadas da varanda e para dentro de casa.

Fiquei ali parado muito tempo depois de a porta fechar, observando o meu reflexo deformada no vidro escuro do carro.

E desejei que o amanhã não chegasse.

***

Quando a Sera entrou no hall de recepção da SDS na tarde seguinte, cada nervo do meu corpo ficou em alerta máximo.

A expressão dela era cuidadosa e neutra, como se ela tivesse construído uma parede durante a noite e me desafiasse a escalá-la.

Não consegui falar, nenhuma palavra parecia adequada. Em vez disso, estendi a mão lentamente em direção à dela e, para o meu alívio, ela a segurou.

A SDS ainda estava agitada com o desfecho do TFL e vibrava com o barulho dos alunos se movendo entre os corredores, das risadas escapando pelas janelas abertas, do som de golpes vindo das salas privativas.

Entretanto, nós dois não trocamos uma palavra enquanto caminhávamos, ambos ignorando a atenção que atraíamos.

Eventualmente, o burburinho do campus se desfez atrás de nós quando cruzamos para o anexo mais silencioso na extremidade distante.

A caminhada não era longa, mas pareceu ser de quilômetros. Cada passo era tão árduo quanto caminhar sobre a corda bamba.

E ainda não tínhamos chegado à parte difícil.

Quando finalmente paramos, a Sera olhou para cima e um lampejo de reconhecimento surgiu nos olhos dela.

Sala de Exposição da História da SDS.

"Isso não é apenas uma explicação", eu disse calmamente. "Você merece entender a história toda."

E o melhor lugar para contá-la era aqui, entre os fantasmas e o começo de tudo.

A sala estava silenciosa, com a luz do sol inclinando-se pelas janelas altas e as partículas de poeira flutuando no ar como uma neve lenta.

Ela já tinha estado aqui antes, quando eu fiz o tour inicial da SDS com ela. Lá no início, antes de eu saber quem ela realmente era e o que viria a significar para mim.

O olhar dela passava pela exposição como naquele dia, mas agora eu a observava prestar atenção. Vi o seu olhar pairando não nas conquistas ou nas armas ou nos gráficos, mas nos detalhes humanos: as fotografias, os cadernos desbotados, os primeiros esboços do nosso complexo.

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