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Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei romance Capítulo 173

PERSPECTIVA DO DANIEL

Os biscoitos cheiravam como uma mistura de raios de sol, baunilha e tudo que há de bom no mundo.

A Vovó disse que não era para mexer demais.

"Mãos delicadas fazem biscoitos macios", ela disse, tocando levemente o meu nariz com um sorriso suave.

Eu gostava quando ela sorria assim. Seus olhos se enrugavam de um jeito amigável e ela parecia menos triste.

Eu queria que a Mamãe tivesse se juntado a nós para fazer biscoitos, mas ela havia saído um pouco para respirar. Eu sabia o que isso significava. 'Respirar' queria dizer pensar, e isso significava que algo pesado estava no seu peito.

Eu esperava que ela se sentisse melhor quando voltasse e sentisse o cheiro dos biscoitos.

Arrumei os biscoitos na bandeja com cuidado. Alguns estavam um pouco queimados nas bordas, mas a Vovó disse que isso fazia com que eles tivessem gosto de caramelo. Separei especialmente um com chips extras para a Mamãe.

"Cuidado, querido", a Vovó disse enquanto eu equilibrava a bandeja nas mãos cobertas por luvas de forno. "Ainda estão quentes."

"Eu consigo", disse com orgulho. "Vou levar pra Mamãe. Talvez façam ela sorrir."

O rosto da Vovó suavizou como o da Mamãe quando ela estava feliz e triste ao mesmo tempo. "Na verdade, amor, acho que vi a sua mãe subir as escadas agora a pouca. Vou buscá-la, tá bom?"

"Ah." Assenti. Eu percebi que a Vovó queria um tempo a sós com a Mamãe provavelmente para dizer coisas de adulto que não queriam que eu ouvisse. "Tá bom."

A bandeja estava quente e os biscoitos faziam o meu estômago roncar um pouco, mas esperei por elas pacientemente no pé da escada. Eu queria que a Mamãe fosse a primeira a provar.

Então, a porta da frente bateu.

O som foi agudo e irritado e ecoou pelo corredor tão alto que eu pulei. Um dos biscoitos rolou direto da bandeja e caiu no tapete.

Eu me virei lentamente.

A Tia Celeste estava parada na porta, usando óculos escuros, mesmo estando dentro de casa.

Seu vestido vermelho brilhava como fogo. Era bonito, mas não do tipo que traz calor.

O batom estava impecável. O cabelo estava impecável. Tudo nela era impecável.

Exceto pelo seu sorriso.

Ela não tinha um.

"Oi, Tia Celeste," eu disse, tentando soar educado como a Mamãe me ensinou, o que era especialmente difícil com a Tia Celeste. "Você quer um biscoito? A Vovó e eu acabamos de fazê-los. São de mel."

Ela não respondeu imediatamente, apenas me olhou, depois olhou para os biscoitos, e então de volta para mim.

Então, ela empurrou os óculos para o cabelo, e eu tive que segurar um suspiro.

Eu nunca tinha visto tanto… o que era aquilo? Raiva? Ódio?

Ninguém nunca tinha me olhado daquele jeito antes, exceto a própria Tia Celeste, naquela vez em que a convidei para a festa da Mamãe.

E ela me olhava daquele jeito agora.

Só que dessa vez parecia muito pior.

Quando ela finalmente falou, a sua voz era suave, mas sem gentileza. "Biscoitos," ela repetiu, como se a palavra tivesse um gosto ruim. "Você tá me oferecendo biscoitos?"

"Sim." Levantei a bandeja um pouco mais, embora as minhas mãos tremessem um pouco. Eu queria que a minha mãe e a Vovó voltassem logo para o andar de baixo. "A Mamãe diz que doces podem fazer você se sentir melhor quando tá triste."

Os lábios da Tia Celeste se curvaram em um sorriso que não era... bem isso. "Ah, foi isso que a sua mãe disse?"

Assenti, sorrindo, mesmo que não tivesse gostado do jeito que ela disse 'mãe'. "Você pode pegar um se quiser. Estão muito bons. Eu coloquei chips de chocolate extra..."

Mas, antes que eu pudesse terminar de falar, a mão dela se moveu, rápida e impiedosa, e a bandeja voou longe.

Os biscoitos caíram no chão, despedaçando-se. O chocolate manchou o tapete. O barulho da bandeja foi tão alto que meus ouvidos zumbiram.

Fiquei ali parado, congelado, com as mãos vazias, e me senti do mesmo jeito de quando a convidei para a festa da Mamãe e ela gritou comigo: bobo.

A Tia Celeste nem sequer olhou para a bagunça. Ela respirava com dificuldade e os seus ombros tremiam como se ela estivesse com frio, embora a casa não estivesse gelada. Seu perfume enchia o ar, era uma mistura de jasmim e algo amargo por baixo.

"Eu..." comecei, mas senti um nó na garganta e os meus olhos arderam.

Então, eu ouvi passos vindo do andar de cima.

A Mamãe apareceu no topo da escada com o rosto pálido. A Vovó vinha logo atrás dela, com os olhos arregalados.

No momento em que Mamãe viu a bagunça, a sua expressão antes preocupada mudou.

Os olhos dela se fixaram na Tia Celeste, e eu juro que o ar ficou mais frio. Agora, era eu quem estava tremendo.

"Você acabou de..." A voz da Mamãe era baixa e ameaçadora. Ela não terminou a frase. Não precisava.

Celeste se virou devagar, levantando uma sobrancelha como se nada tivesse acontecido. "Foi um acidente," disse ela, como se estivesse entediada.

"Um acidente?" Mamãe deu um passo mais para perto, colocando-se na minha frente e bloqueando a minha visão da Tia Celeste. "Você chama derrubar a bandeja das mãos de uma criança de acidente?"

Olhei ao redor da Mamãe para ver a Tia Celeste cruzando os braços, os lábios se curvando naquele não-sorriso. "Ops."

Ouvi o som dos dentes da Mamãe rangendo. Ela estava tremendo, mas acho que era de raiva, não de medo. Eu raramente a via assim. Eu odiava vê-la assim.

"Se você tocar no meu filho de novo," ela disse, com a voz baixa e fria, "vou rasgar a sua garganta."

Houve um instante de silêncio em que eu não conseguia respirar.

Então, a Tia Celeste riu.

Era um som agudo e alto que me deu vontade de tapar os ouvidos.

"Sério, Sera? E como exatamente você planeja fazer isso? Com as suas unhas humanas fracas?" Ela zombou. "Você não conseguiria nem arranhar um bilhete de loteria, quanto mais rasgar a garganta de alguém."

A provocação atingiu algo profundo. Eu senti. A Mamãe reagiu, ainda que minimamente, mas então se endireitou.

Eu queria defender a minha mamãe e dizer à Tia Celeste que ela tinha uma loba incrível, mas eu tinha prometido guardar o segredo. Eu disse à minha mãe que ela podia confiar em mim.

Pressionei os lábios juntos com força.

"Não preciso de garras pra proteger o que é meu," declarou a Mamãe.

"Faça-me o favor," Tia Celeste disse com desdém, "só porque você teve a sorte de ganhar um torneio, você acha que essa sua bunda inútil..."

"Já chega!"

A Vovó surgiu e eu estremeci.

Eu nunca tinha escutado ela falar assim antes.

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