PERSPECTIVA DA SERAPHINA
Ver o Kieran foi como um soco no estômago e revirou as minhas entranhas com uma sensação nauseante.
Ele estava parado ao lado de seu carro, de braços cruzados, enquanto o vento gelado bagunçava o seu cabelo escuro e aquela expressão sombria tão familiar estampava o seu rosto.
Por um segundo, não consegui me mexer, apenas segurei o volante com mais força, como se fosse o meu último fio de sanidade.
Claro que ele estava aqui.
Minha primeira reação foi amarga, instintiva: ele veio defendê-la de novo.
Talvez a Celeste já tivesse corrido chorando até ele e contando alguma história trágica sobre eu ter atacado ela na frente do 'enteado'. E ele veio me dar uma bronca, bem aqui, na frente do Daniel, porque é claro que a Santa Celeste nunca pode estar errada.
"Mãe?" A voz do Daniel cortou os meus pensamentos descontrolados. "O que o Papai tá fazendo aqui?"
Minha garganta estava seca. "Não tenho certeza," eu respondi, embora estivesse muito certa da resposta.
Era sempre o mesmo padrão. A Celeste fazia drama. O Kieran vinha correndo.
Estacionei desajeitadamente ao lado do Escalade. A marcha fez um clique alto no silêncio.
"Fique aqui," ordenei ao Daniel, soltando o meu cinto de segurança.
Ele paralisou com a mão no próprio cinto. "Mas..."
"É sério, Daniel." Tentei fazer minha voz soar suave, mas ainda saiu tensa.
Abri a porta do carro. "Não saia até o seu pai ir embora."
Ele hesitou e franziu a testa, o que me fez sentir uma leve pontada de culpa. Raramente eu era rígida com o Daniel, mas já estava muito nervosa por causa do fiasco na Mansão Lockwood. Além disso, ele já tinha visto demais para um dia e o seu rostinho carregava traços de confusão e preocupação desde a mansão. Eu não queria que o meu filho ouvisse o pai e a mãe trocando farpas.
Estendi a mão e afastei o cabelo dele, tentando sorrir. "Tá tudo bem, querido. A gente só vai conversar."
Ele assentiu lentamente, embora a incerteza nos seus olhos me dissesse que ele não acreditava que estava 'tudo bem'.
Quando abri a porta e saí, o ar da noite mordeu a minha pele. A rua estava tranquila, exceto pelo farfalhar das folhas secas e o baixo ronco do motor do meu carro.
Kieran se endireitou à medida que eu me aproximava e os seus olhos imediatamente me examinaram como se estivesse procurando por machucados.
Aquele olhar me atingiu como uma facada no peito, parte dor, parte raiva, tudo misturado.
Cruzei os braços e a defensiva me arrepiou a pele. "O que foi que ela te contou desta vez? Que eu a ataquei sem motivo? Que eu a agredi com os biscoitos do meu filho?"
"Sera..."
"Ou talvez ela tenha ido por outro lado," pressionei, minha voz ficando mais afiada. "Me diz, ela armou a briga pra me fazer parecer uma mãe inadequada?"
Ele parecia aflito e abriu a boca para me interromper, mas eu não deixei.
"Tô farta de ser a vilã conveniente na sua história, Kieran," eu disse friamente. "E não acredito que você viria aqui pra me repreender na presença do nosso filho depois do jeito que ela o tratou bem na sua frente!"
Algo na expressão dele mudou. Seria culpa? Frustração? Talvez os dois.
"Eu não vim te repreender, Sera," ele disse finalmente, com o tom tranquilo. "Vim pra conversar."
Pisquei, surpresa com a sua postura submissa, mas me recusei a baixar a guarda. "Não tenho nada pra conversar com você."
"Você sempre diz isso," ele murmurou, dando um passo à frente. "Mas nós dois sabemos que não é verdade."
Eu dei uma risada seca, sem humor. "É mesmo?"
Kieran suspirou. "Olha, Sera... Sobre a Celeste e eu..."
"Ouvi dizer que vão se casar em breve," soltei, cheia de ironia. "Parabéns."
Ele congelou. "O quê?"
"Olha," falei, fazendo um gesto vago, de repente exausta. "Sinceramente, de coração, eu não dou a mínima pro que acontece entre você e a Celeste. Pode casar com ela, exibi-la como a sua Luna e ter a vida perfeita que sempre sonhou. Só quero uma coisa: mantenha ela longe de mim e do meu filho."
Depois disso, o silêncio se estendeu entre nós, quase palpável. A luz do poste cortava as feições dele, lançando sombras que o faziam parecer atormentado.
Então, ele disse algo que eu não esperava: "Não vai haver casamento."
Eu devo ter ouvido errado. "O quê?"
"Terminei com a Celeste," ele disse. A voz dele estava baixa, mas as palavras foram claras.
Meu primeiro instinto foi a incredulidade. "Isso é..." Então a raiva surgiu. "Que tipo de piada idiota é essa, Kieran?"
Ele balançou a cabeça com firmeza. "Não é piada."
Eu zombei. "A Celeste acabou de se gabar da festa de noivado na casa da minha mãe e agora você vem aqui despejar esse absurdo?"
A mandíbula dele se apertou. "Não sei por que ela diria isso logo depois que terminamos."
Soltei uma risada áspera. "Deus, vocês dois são insuportáveis. Não tô com humor pra mais essa encenação..."
"Não é uma encenação," ele interrompeu bruscamente. "O meu relacionamento com a Celeste acabou. Tô falando sério, Sera."
A sinceridade crua no tom dele me deixou desconcertada. Ele estava... Será que ele poderia estar falando a verdade?
Apertei os braços ao redor de mim mesma, desesperada para conter o súbito e frenético batimento do meu coração.
"Ok, vamos fingir por um momento que eu acredito em você." Levantei uma sobrancelha. "O que diabos você quer de mim? Parabéns? Pêsames?"
Ele respirou profundamente, como se estivesse escolhendo as palavras com cuidado. "Não. Só achei que você deveria saber."
"Você achou que eu deveria saber," ecoei. "Por que diabos..."
Atrás de mim, a porta do carro rangeu ao abrir.
"Mãe?" A vozinha do Daniel cortou o ar.
Me virei e a minha irritação se derreteu instantaneamente em ternura. "Eu te disse pra ficar dentro do carro, querido."
Os olhos dele alternaram entre Kieran e mim, e ele se aproximou.
Se ainda me restava alguma simpatia, se eu não tivesse passado todos os dias desde o nosso divórcio blindando o meu coração, a dor estampada no rosto dele poderia ter me atingido.
Mas...
"Eu não sou mais aquela mulher," eu disse. "Aquela que te esperava, que tinha esperança e que arranjava desculpas pra você. Ela morreu um pouco a cada noite fria e a cada humilhação que eu suportei enquanto você suspirava pela minha irmã."
"Sera, eu não espero perdão..."
"Ótimo," interrompi firmemente. "Porque você não vai ter."
Kieran assentiu vigorosamente, bagunçando levemente o cabelo com o movimento. "Eu sei. Eu sei. Falhei demais para ser perdoado facilmente. Eu só precisava que você soubesse que eu cansei de fugir da verdade e que eu vou consertar as coisas, mesmo que leve o resto da minha vida."
Eu balancei a cabeça. "Terminar com a Celeste não conserta as coisas."
"Eu sei."
"Não apaga o que você fez."
"Eu sei."
"E isso não muda o que somos. Ou melhor, o que não somos."
"Eu sei disso também."
"Então por que você tá aqui?" Eu exigi saber. "Se não é pra ser perdoado, então o que diabos você quer de mim?"
Os olhos do Kieran suavizaram, o que só piorou tudo.
"Você," ele disse simplesmente. "Não o seu perdão. Não a sua compreensão. Apenas... você."
Eu congelei. As palavras dele atingiram diretamente o meu peito, envolvendo o meu coração com dedos gelados.
Quando me virei, foi em parte para esconder a súbita umidade nos meus olhos. "Não," eu sussurrei. "Não diga coisas que não sente de verdade."
"Eu sinto."
Quase ri de novo, mas o riso saiu como um som quebradiço dessa vez. "E aí? Você acha que podemos simplesmente desfazer os últimos dez anos? Você acha que pode voltar pra minha vida e acha que eu vou cair nos seus braços só porque você finalmente decidiu me enxergar? Me escolher?"
"Não," Kieran disse calmamente. "Mas posso começar não te perdendo novamente."
A última parte da minha compostura se desfez.
"Nem pense nisso," eu sibilei, voltando a encará-lo. "Você não me perdeu. Você me jogou fora!"
Ele se encolheu enquanto eu continuava, "Você não pode reescrever a história só porque sua consciência tá pesada."
Ele não recuou. "Isso não é sobre consciência."
"Então é sobre o quê?"
Ele hesitou apenas o suficiente para a verdade piscar nos seus olhos antes que ele dissesse: "É sobre o vínculo," ele sussurrou. "Você sente também, não sente?"

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei
Finalmente toda a verdade do Lucian veio à tona. Só não faz sentido ele saber antes de qualquer pessoa (inclusive família) que a Zara era prima. Cadê a tia irmã de Margareth então? Porque Sera e Margareth foram mais importantes para Catherine do que esse outro braço da família?...
Quero saber até onde o Lucian estar envolvido com Katherine e Marcos...
Ok, sera não aceitar o vínculo. Agora deixa o Kieran seguir a vida dele em paz...
Tá muito bom os capítulos...
Preciso de ajuda pra comprar moedas, não consigo completa minha compra...
Sera era uma bobinha manipulada e do nada se tornou fodona. A autora exagerou demais. Comecei a ler uma romance onde o começo imita uma história que já existe e depois, a autora acrescentou "os mutantes" na história. Kkkkk Mas os capítulos que abrem essa história nada mais é do quem o plágio de uma história que já existe. A irmã, o marido que gosta da irmã, a noite em que a irmã errada dorme com o cara, casa com ele tem um filho. O divórcio e só depois ele começa a gostar dela... Enfim, copiou na cara dura....
Livro muito bom!!! Sem muita enrolação e historia com enredo e fluxo. Aguardando próximos capítulos e o encerramento breve!!!...
SERAPHINA é muito fraca e idiota,Catherine manipula ela fácil fácil, eu ia lá se sacrificar por uma pai uma família que sempre me tratou mal, eles que se virem...
Escritora por favor, melhora isso aí, Sera fez o ex marido comer o pão que o diabo amassou, botou homens na cara dele, agora a cobra da irmã dela baixa o espírito de Santa e Sara na primeira oportunidade já vai abraçar, me poupe, mais criatividade por favor...
Quando Sera vai descobrir a peste falsa e manipulador que lucian é?? Ele ainda foi embora com o amor da vida dele e ainda deixou a Sera responsável pelos negócios dele, Sera é muito idiota,...