Entrar Via

Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei romance Capítulo 174

PERSPECTIVA DA SERAPHINA

Ver o Kieran foi como um soco no estômago e revirou as minhas entranhas com uma sensação nauseante.

Ele estava parado ao lado de seu carro, de braços cruzados, enquanto o vento gelado bagunçava o seu cabelo escuro e aquela expressão sombria tão familiar estampava o seu rosto.

Por um segundo, não consegui me mexer, apenas segurei o volante com mais força, como se fosse o meu último fio de sanidade.

Claro que ele estava aqui.

Minha primeira reação foi amarga, instintiva: ele veio defendê-la de novo.

Talvez a Celeste já tivesse corrido chorando até ele e contando alguma história trágica sobre eu ter atacado ela na frente do 'enteado'. E ele veio me dar uma bronca, bem aqui, na frente do Daniel, porque é claro que a Santa Celeste nunca pode estar errada.

"Mãe?" A voz do Daniel cortou os meus pensamentos descontrolados. "O que o Papai tá fazendo aqui?"

Minha garganta estava seca. "Não tenho certeza," eu respondi, embora estivesse muito certa da resposta.

Era sempre o mesmo padrão. A Celeste fazia drama. O Kieran vinha correndo.

Estacionei desajeitadamente ao lado do Escalade. A marcha fez um clique alto no silêncio.

"Fique aqui," ordenei ao Daniel, soltando o meu cinto de segurança.

Ele paralisou com a mão no próprio cinto. "Mas..."

"É sério, Daniel." Tentei fazer minha voz soar suave, mas ainda saiu tensa.

Abri a porta do carro. "Não saia até o seu pai ir embora."

Ele hesitou e franziu a testa, o que me fez sentir uma leve pontada de culpa. Raramente eu era rígida com o Daniel, mas já estava muito nervosa por causa do fiasco na Mansão Lockwood. Além disso, ele já tinha visto demais para um dia e o seu rostinho carregava traços de confusão e preocupação desde a mansão. Eu não queria que o meu filho ouvisse o pai e a mãe trocando farpas.

Estendi a mão e afastei o cabelo dele, tentando sorrir. "Tá tudo bem, querido. A gente só vai conversar."

Ele assentiu lentamente, embora a incerteza nos seus olhos me dissesse que ele não acreditava que estava 'tudo bem'.

Quando abri a porta e saí, o ar da noite mordeu a minha pele. A rua estava tranquila, exceto pelo farfalhar das folhas secas e o baixo ronco do motor do meu carro.

Kieran se endireitou à medida que eu me aproximava e os seus olhos imediatamente me examinaram como se estivesse procurando por machucados.

Aquele olhar me atingiu como uma facada no peito, parte dor, parte raiva, tudo misturado.

Cruzei os braços e a defensiva me arrepiou a pele. "O que foi que ela te contou desta vez? Que eu a ataquei sem motivo? Que eu a agredi com os biscoitos do meu filho?"

"Sera..."

"Ou talvez ela tenha ido por outro lado," pressionei, minha voz ficando mais afiada. "Me diz, ela armou a briga pra me fazer parecer uma mãe inadequada?"

Ele parecia aflito e abriu a boca para me interromper, mas eu não deixei.

"Tô farta de ser a vilã conveniente na sua história, Kieran," eu disse friamente. "E não acredito que você viria aqui pra me repreender na presença do nosso filho depois do jeito que ela o tratou bem na sua frente!"

Algo na expressão dele mudou. Seria culpa? Frustração? Talvez os dois.

"Eu não vim te repreender, Sera," ele disse finalmente, com o tom tranquilo. "Vim pra conversar."

Pisquei, surpresa com a sua postura submissa, mas me recusei a baixar a guarda. "Não tenho nada pra conversar com você."

"Você sempre diz isso," ele murmurou, dando um passo à frente. "Mas nós dois sabemos que não é verdade."

Eu dei uma risada seca, sem humor. "É mesmo?"

Kieran suspirou. "Olha, Sera... Sobre a Celeste e eu..."

"Ouvi dizer que vão se casar em breve," soltei, cheia de ironia. "Parabéns."

Ele congelou. "O quê?"

"Olha," falei, fazendo um gesto vago, de repente exausta. "Sinceramente, de coração, eu não dou a mínima pro que acontece entre você e a Celeste. Pode casar com ela, exibi-la como a sua Luna e ter a vida perfeita que sempre sonhou. Só quero uma coisa: mantenha ela longe de mim e do meu filho."

Depois disso, o silêncio se estendeu entre nós, quase palpável. A luz do poste cortava as feições dele, lançando sombras que o faziam parecer atormentado.

Então, ele disse algo que eu não esperava: "Não vai haver casamento."

Eu devo ter ouvido errado. "O quê?"

"Terminei com a Celeste," ele disse. A voz dele estava baixa, mas as palavras foram claras.

Meu primeiro instinto foi a incredulidade. "Isso é..." Então a raiva surgiu. "Que tipo de piada idiota é essa, Kieran?"

Ele balançou a cabeça com firmeza. "Não é piada."

Eu zombei. "A Celeste acabou de se gabar da festa de noivado na casa da minha mãe e agora você vem aqui despejar esse absurdo?"

A mandíbula dele se apertou. "Não sei por que ela diria isso logo depois que terminamos."

Soltei uma risada áspera. "Deus, vocês dois são insuportáveis. Não tô com humor pra mais essa encenação..."

"Não é uma encenação," ele interrompeu bruscamente. "O meu relacionamento com a Celeste acabou. Tô falando sério, Sera."

A sinceridade crua no tom dele me deixou desconcertada. Ele estava... Será que ele poderia estar falando a verdade?

Apertei os braços ao redor de mim mesma, desesperada para conter o súbito e frenético batimento do meu coração.

"Ok, vamos fingir por um momento que eu acredito em você." Levantei uma sobrancelha. "O que diabos você quer de mim? Parabéns? Pêsames?"

Ele respirou profundamente, como se estivesse escolhendo as palavras com cuidado. "Não. Só achei que você deveria saber."

"Você achou que eu deveria saber," ecoei. "Por que diabos..."

Atrás de mim, a porta do carro rangeu ao abrir.

"Mãe?" A vozinha do Daniel cortou o ar.

Me virei e a minha irritação se derreteu instantaneamente em ternura. "Eu te disse pra ficar dentro do carro, querido."

Os olhos dele alternaram entre Kieran e mim, e ele se aproximou.

O nosso preço é apenas 1/4 do de outros fornecedores

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei