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Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei romance Capítulo 193

PERSPECTIVA DO KIERAN

A lembrança me atingiu de forma tão inesperada que eu poderia ter tropeçado se não estivesse sentado.

Um parque na zona neutra veio à tona, um final da manhã após uma noite de chuva. O ar estava fresco e claro e o orvalho pendia na grama, prateando as lâminas como se fosse geada.

Me lembrei de como o orvalho tinha encharcado a minha calça, porque sentei no chão depois de arranhar os joelhos em uma queda que doeu menos que o impacto das palavras do meu pai.

Ele tinha gritado de novo alguma coisa sobre controle, disciplina e aparências. Eu não tinha mais de sete anos e não me importava com nada disso nem entendia o que significava para os meus pequenos ombros carregar o peso de ser o herdeiro de um Alfa.

Então, eu fugi.

Corri até os meus pulmões queimarem, querendo provar que eu não me importava, que poderia desaparecer completamente do mundo dele.

Mas crianças nunca vão longe alimentadas pelo orgulho ferido. Tropecei na raiz de uma árvore, caí no chão e fiquei lá, não sei por quanto tempo, com a lama manchando as minhas mãos e as lágrimas se misturando com o sabor de sal e terra.

O som de uma risada me assustou. Suave, musical. De uma garota.

Quando olhei para cima, ela estava a alguns passos de distância, com os sapatos afundando levemente na grama molhada.

O cabelo dela era claro, quase branco sob a luz do sol, e estava amarrado por um laço quase solto. Ela não tinha mais de cinco ou seis anos e usava um vestido cor de rosa que parecia fino demais para correr em parques lamacentos.

Ela piscou para mim, franzindo o cenho em sinal de concentração.

“Você tá machucado?”

Eu funguei, limpando a mão manchada de lama nas bochechas. “Vá embora.”

Ela… riu.

Era um som tão suave e brilhante que me fez esquecer que deveria estar bravo com o mundo. Então, ela se aproximou de mim, tirou um pequeno lenço do bolso e o estendeu na minha direção.

“Toma”, ela disse com a calma autoridade de alguém acostumado a consertar as coisas.

Olhei com raiva para o lenço, para ela, para tudo. "Não quero um lenço. Tá doendo."

Em vez de ir embora, ela se agachou até ficarmos olho no olho e enfiou os joelhos na lama sem hesitação.

"Se tá doendo," ela disse de forma direta, "você pode desenhar isso. Ajuda."

Sem pedir permissão, ela pegou a minha mão na dela e a virou para cima. Prendi a respiração enquanto ela começava a traçar um padrão na lama sobre a minha palma.

Primeiro uma lua crescente, depois uma estrela de cinco pontas, cuidadosamente riscada.

Solucei. "É bobo."

"É um amuleto da sorte," ela corrigiu, afastando uma mecha de cabelo molhado da bochecha e espalhando lama no processo. "Agora você tem a bênção da Deusa da Lua e de todas as estrelas do céu. Isso significa que você vai se curar mais rápido."

Os olhos dela encontraram os meus, claros e sérios de uma forma que a fazia parecer mais velha do que era.

Então, de repente, ela deu um sorriso brilhante e deslumbrante.

Aquilo me atingiu como a luz do sol rompendo as nuvens. Naquele momento, acreditei nela. Acreditei no pequeno símbolo da lua e da estrela, na certeza dela, em tudo.

Antes que eu pudesse fazer minha voz funcionar novamente, antes que eu pudesse perguntar o nome dela, uma voz aguda a chamou do outro lado do parque. "Senhorita Lockwood! Seu pai vai ficar furioso com as suas roupas sujas de lama!"

Os olhos da garota se arregalaram e ela soltou uma risadinha que se transformou em gargalhada.

"Ops!" ela sussurrou, levantando-se rapidamente. A barra do seu vestido estava salpicada de terra, mas ela parecia não se importar.

Ela acenou uma vez, de forma rápida e despreocupada. "Tchau!"

E, então, ela se foi, correndo na direção à babá que a esperava, com a fita do cabelo esvoaçando atrás dela como uma faixa de fumaça rosa.

Foi um encontro passageiro, de no máximo dez minutos, mas que eu carreguei comigo como uma tatuagem secreta, gravada em algum lugar sob a pele onde nem mesmo o tempo poderia apagar.

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