PERSPECTIVA DA SERAPHINA
As lágrimas arderam nos meus olhos. "Alina?" eu ofeguei.
Eu não tinha percebido até que mudou, mas antes eu estava escutando-a como se através de um vácuo. A voz dela era abafada e, como eu nunca a tinha ouvido de outra forma, nem ao menos sabia.
Mas agora...
Ela era brilhante, vívida, cheia de uma energia indomável que eu nunca soube que possuía.
Pressionei uma mão trêmula contra o peito, o coração batendo descontroladamente enquanto uma emoção crua surgia dentro de mim, ameaçando me despedaçar.
"Você tá bem?" A preocupação do Lucian estava presente em sua voz baixa.
Pisquei rapidamente e o mundo ao redor dele voltou ao foco. O luar ainda brilhava no seu cabelo escuro e gotas de água escorriam pelo seu corpo.
"Eu..." dei um sorriso fraco e as lágrimas embaçaram a minha visão novamente. "Tô bem."
Na verdade, mais do que bem, eu estava me sentindo incrível.
‘Não chore, Sera,’ Alina ronronou. ‘Não estraga o seu grande momento.’
Uma risada ofegante escapou de mim, uma mistura de descrença e alegria.
Lucian inclinou levemente a cabeça. "Sera? Qual é a graça?"
"Nada," eu disse rapidamente, segurando outra risada. "É que ela tá..."
Me contive, lembrando que o Lucian não sabia a verdade sobre a Alina.
"Desculpa," eu soltei o ar, "Eu só tô um pouco… atordoada."
'Como você se sente, Alina?' perguntei a mim mesma.
Alina falou novamente, mas com um tom diferente: ‘É estranho,’ murmurou. ‘Eu me sinto… mais forte. Completa ainda não, mas quase. Como se eu pudesse sentir a minha alma sendo costurada de volta.
Meu coração deu um salto. ‘Você consegue se transformar?’
Ela fez uma pausa, pensativa. ‘Ainda não. Mas… podemos tentar uma coisa.’
Franzi a testa. ‘Tentar o quê?’
Senti a resposta dela na forma de pequenos choques elétricos correndo pelos meus braços.
Olhei para baixo... e congelei.
A pele dos meus dedos formigava, depois ondulava. Minhas unhas se alongaram, afiando-se em garras curvas e pálidas que cintilavam sob a luz da lua.
O contorno sutil de pelos prateados passava pelos meus pulsos e pelo dorso das minhas mãos, pelos animais.
Um arquejo surpreso escapou de mim. "Lucian, olha!"
Os olhos dele se arregalaram quando levantei as mãos, tremendo de incredulidade.
"Suas garras," ele sussurrou. "Isso é..."
"Impossível!" completei por ele, deixando risadas incrédulas escaparem.
‘Agora, podemos fazer muito mais juntas,’ Alina disse, sua alegria se juntando à minha.
A expressão do Lucian suavizou-se em um orgulho visível e os cantos da sua boca se levantavam. “Isso é incrível, Sera! É um sinal de que o seu vínculo com a sua loba tá se estabelecendo.”
Ouvir isso em voz alta destruiu o pouco de compostura que ainda me restava.
A gratidão me inundou mais depressa do que o raciocínio e, antes que eu pudesse me conter, joguei os meus braços ao redor do pescoço dele.
“Obrigada,” eu sussurrei, meus lábios roçando o ombro dele.
Ele se enrijeceu, só um pouco, e então relaxou. Seus braços me envolveram de forma lenta e cuidadosa, me estabilizando. Eu senti a firmeza nele, não avassaladora, mas sim segura, confortável.
Então, o cobertor ao meu redor escorregou dos meus ombros, caindo silenciosamente na grama.
Senti ele prender a respiração ao mesmo tempo em eu.
Meu coração disparou quando o calor do corpo do Lucian pressionou contra o meu, nossos torsos alinhados, pele com pele. Eu podia sentir o coração forte e errático dele sob o sobe e desce do seu peito nu.
O cheiro dele me atingiu de repente, entorpecente e íntimo demais.
Cada centímetro de mim parecia estar alerta demais da presença dele, do espaço que compartilhávamos, da proximidade improvável que enviou um arrepio ligeiro pela minha espinha....
E então eu senti: a prova inconfundível do desejo dele através da sua calça molhada.
Eu me afastei tão depressa que quase escorreguei no chão úmido, mas consegui me equilibrar e me abaixei rapidamente para pegar o cobertor caído.
Eu o segurei ao meu redor do corpo como um escudo. “Sinto muito,” eu balbuciei, o rosto queimando de vergonha. “Eu não queria...”
“Você não precisa se desculpar.” A voz do Lucian soou áspera e o olhar dele estava educadamente fixo além do meu ombro.
“Tá tudo bem.”
Mas não estava. O constrangimento que não tinha aparecido quando tirei o robe agora nos atingiu em cheio. A mandíbula dele se contraiu e eu vi o esforço contido nos seus olhos enquanto ele se virava e ajustava a calça sem muita sutileza. Ah, droga.
“Eu não tava... Não é...”
Ele se voltou para mim com os lábios se contraindo como se estivessem lutando para manter o sorriso no lugar. “Sera.”
Fechei a boca.
Ele exalou, devagar e sem firmeza. “Você tá bem.”
'Você não tá nada bem,' Alina zombou na minha cabeça, com um tom cheio de malícia. 'Mas ele tá. Pelo amor dos deuses, esse homem parece uma estátua. Eu não me importaria se você tirasse uma casquinha...'
Arregalei os olhos.
‘Alina!’
‘O que é? Só tô comentando. Apreciando um bom trabalho. Eu sei que acabei de chegar, mas também sei que faz tempo que você não tem uma boa...’
‘Cala a boca!’ sibilei internamente. Minhas bochechas estavam tão quentes que dava para fritar um ovo nelas.
'Só tô falando...' eu quase podia sentir o seu sorriso malicioso, 'que não seria ruim não dormir sozinha hoje.'
Deuses, eu tinha uma Maya 2 morando na minha cabeça.
Lucian inclinou a cabeça levemente. “Algum problema?”
"Não," respondi rapidamente. "Absolutamente nada."
Ele riu discretamente, um riso suave e irritantemente divertido, mas que acalmou um pouco o ardor no meu peito e dissipou os últimos vestígios de constrangimento entre nós.
"Vamos." Ele estendeu a mão. "É melhor voltarmos antes que a gente pegue algo além da bênção da lua."
Ri suavemente, mas o riso morreu quando estendi a minha mão para ele e vi que ela estava de volta ao normal.
Lucian percebeu e cobriu a minha mão com a dele. "Pode ser que você ainda não esteja onde quer," disse ele, com a voz cheia de convicção, "mas tá bem longe de onde começou."
'Falou por mim,' a Alina concordou.
Sorri e deixei que ele me guiasse para fora do vale, com o mundo ao nosso redor mudando conforme o peso do momento ia se dissipando e tornando cada passo em direção à casa da Alcateia uma nova sensação.
Quando retornamos, as minhas pernas ainda estavam fracas, não por exaustão, mas pela gravidade de tudo o que tinha acontecido.
Alina continuava cantarolando no fundo da minha mente, como se não conseguisse conter a alegria. A energia dela estava transbordando. Ela percorria a minha mente, pulsante e viva, e eu me sentia ao mesmo tempo como se pudesse desabar pela intensidade e como se pudesse correr por todo o perímetro da Shadowveil.

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