PERSPECTIVA DA SERAPHINA
Acordei com a luz do sol, quente e dourada, suavemente acariciando o meu rosto e se espalhando pelo travesseiro.
Alina se mexeu dentro de mim. A sua presença era um zumbido baixo, calmo, mas eletrizante, que parecia vivo sob a minha pele.
'Sente isso?' ela perguntou, a voz tão suave quanto seda nos meus pensamentos.
'Sim.' Sorri, espreguiçando-me preguiçosamente. ‘É incrível.’
Ela ronronou em uma satisfação tranquila. 'Nosso laço se fortalece a cada amanhecer.'
Era verdade. Eu podia sentir a força sutil nos meus membros e a percepção aguçada que cintilava nos meus sentidos. O ar parecia mais claro, mais nítido. Eu conseguia sentir o batimento cardíaco da Alina, constante e forte, movendo-se em perfeita sintonia com o meu.
Quando me levantei, vi o meu reflexo no espelho do outro lado do quarto. Meus olhos pareciam mais brilhantes, cintilando levemente com prata onde antes havia apenas o azul turquesa... O toque da Alina.
A luz desapareceu logo depois, mas a euforia permaneceu enquanto eu me trocava, me perguntando o que o dia reservava para mim.
Quando cheguei ao refeitório, o lugar já estava agitado com a correria matinal. Mesas longas alinhadas enchiam o espaço e a luz do sol atravessava as grandes janelas arqueadas, iluminando tudo. O ar estava rico com o cheiro de grãos de café torrados, pão quentinho e maçãs frescas.
Foi fácil encontrar a Sabrina na multidão. Ela estava comendo um prato cheio de ovos e torradas e gesticulando animadamente para um trio de Ômegas que claramente tentavam não rir da suas esquetes dramáticas.
Ela me avistou quase ao mesmo tempo que eu a avistei e o seu rosto se iluminou. “Sera! Aqui!”
Várias cabeças se viraram na minha direção com o grito dela, mas eu não senti a necessidade de me encolher sob os olhares curiosos.
“Olha ela aí!” Ela sorriu enquanto eu me sentava na cadeira vazia ao lado dela.
“Oi.” Sorri, acenando em saudação para os Ômegas.
“Então,” Sabrina me cutucou, seus olhos brilhando com um toque travesso, “você sumiu por um bom tempo ontem à noite.”
Antes que eu pudesse inventar uma desculpa esfarrapada qualquer, o tom grave de uma voz conhecida me alcançou por trás.
“Bom dia, Sera.”
Lucian.
Meu coração quase saltou do peito, mas voltou ao seu ritmo normal quando me virei.
Lá estava ele: cabelo impecavelmente preso no seu coque característico, mangas arregaçadas até os cotovelos, a habitual compostura suavizada pela luz quente da manhã.
Pensei na noite passada, nas revelações e confissões, e senti... paz. Depois dos altos e baixos do nosso relacionamento, parecia que tínhamos alcançado um platô confortável e podíamos simplesmente... ser.
“Bom dia.” Sorri suavemente.
“Bom dia, Sabrina,” acrescentou a Sabrina com sarcasmo. “Bom dia, Hannah,” ela estendeu a mão para a Ômega de cabelo curto e olhos castanhos. “Bom dia, Teagan,” cabelos loiros, olhos azuis. “Bom dia, Jack,” cabelos castanhos, olhos azuis.
Lucian revirou os olhos e deslizou para a cadeira à minha frente. “Bom dia, Sabrina,” ele disse, com uma voz aguda, imitando a irmã. “Bom dia, Hannah. Bom dia, Teagan. Bom dia, Jack.”
Os Ômegas riram, inclinando as cabeças em respeito, e me surpreendi que era normal o Alfa e a sua irmã tomarem café da manhã com os membros de mais baixo calão da Alcateia.
Lucian estendeu a mão para a cafeteira e, quando não conseguiu alcançá-la, eu a peguei e passei para ele.
“Obrigado.” Seu sorriso me pegou de surpresa. Era tão despreocupado, tão relaxado...
Fiquei observando a postura descontraída dele e notei a facilidade dos seus gestos e como ele segurava a xícara de café, quase preguiçosamente.
O olhar claro e pacífico dele encontrou o meu. Algo no seu comportamento tinha mudado da noite passada para agora.
“Veja só.” Sabrina colocou os cotovelos na mesa e apoiou o queixo nas mãos. “Que energia nova é essa entre vocês dois?”
“Nem começa,” Lucian avisou, mas ela apenas deu um sorriso maroto.
“Então, ninguém vai contar exatamente o que aconteceu ontem à noite?” O sorriso dela se alargou. “Um passarinho me contou que viu vocês dois na Nascente do Brilho da Lua. E outro passarinho viu vocês voltando tarde... com um brilho suspeito.”
Lucian arqueou uma sobrancelha. “Brilho?”
“Ela, não você,” a Sabrina disse docemente. “Aposto que você estava taciturno como sempre.”
“Ai, que dor,” ele respondeu, mas estava claramente lutando para não rir. “Você me magoou.”
Eu ri, balançando a cabeça. “Vocês dois são ridículos.”
“Talvez,” ela disse. “Mas, falando sério, vocês mergulharam na Nascente do Brilho da Lua?”
Troquei um olhar com o Lucian e lembrei do aviso dele sobre as consequências. Franzi a testa de preocupação enquanto olhava para a Sabrina. “Isso seria um problema?”
“Claro que não!” Sabrina exclamou, surpresa. “Funcionou?” ela perguntou, ansiosa. “Como você se sentiu?”
Eu sorri. “Incrível.” E, antes que pudesse me conter, acrescentei: “Cresceram garras em mim.”
Para alguns, isso poderia não parecer grande coisa, mas significava o mundo para mim... e aparentemente para a Sabrina também.
Ela soltou um grito de felicidade que chamou ainda mais atenção para nós e me envolveu em um abraço. “Ah, Sera, que maravilhoso!”
Eu ri, aceitando o abraço dela. “Obrigada.”
Ela se afastou, mas continuou segurando a minha mão com força.
"Eu não teria conseguido sem ajuda," eu disse, olhando de relance para o Lucian, que nos observava com um sorriso suave. "O treinamento do Lucian e o Néctar do Orvalho da Lua fizeram toda a diferença."
Ele imediatamente balançou a cabeça. "Você tá me dando muito crédito. Foi você que fez o trabalho, Sera."
Dei de ombros. "Talvez. Mas ajudou ter alguém que acreditava que eu conseguiria ao meu lado."
Por um instante, algo silencioso passou entre nós, um entendimento quieto que ninguém precisava verbalizar.
Sabrina, como sempre, não deixou passar. "Ok, o que tá acontecendo aqui?" ela exigiu saber. "Essa energia tá doce demais pro café da manhã."
Eu ri e, naquele momento, o Alfa William se acomodou ao lado dela, com o seu café em mãos e um brilho curioso nos olhos.
"Bom dia, pessoal."
Sabrina animou-se. "Willy, você chegou na hora certa. As coisas estavam começando a ficar interessantes."
Lucian resmungou. "Podemos, por favor, mudar de assunto?"
Ela tinha construído a base, é verdade, mas o Lucian, e cada treinador e aluno que ele encontrou nos últimos dez anos, construíram algo diferente. Algo vivo, lindamente evolutivo.
E eu fazia parte disso.
Agora, não parecia mais que eu estava competindo com a memória da Zara.
Era essa a paz que eu tinha notado nele, a leveza. A sombra da Zara tinha desaparecido.
Quando os nossos olhares se encontraram, havia gratidão nos olhos do Lucian.
Eu sorri. "Acho que a Zara ficaria orgulhosa."
Ele exalou lentamente, assentindo. "É, acho que ficaria."
Sabrina secou uma lágrima falsa do olho. “Tá bom, isso tá oficialmente emocionante demais pra um café da manhã. Alguém me passa o mel antes que eu adoce o café com as minhas lágrimas?”
Isso fez todo mundo rir e a tensão desapareceu instantaneamente.
O resto do café da manhã seguiu com assuntos mais leves, como histórias de torneios passados, fofocas da Alcateia e a narração dramática da Sabrina sobre uma pegadinha que deu errado.
Quando o café da manhã terminou, as cadeiras rangeram e as risadas se dissiparam pelos corredores. Um por um, os outros foram saindo. Claro, a Sabrina foi a última, e jogou um piscar de olho travesso por sobre o ombro ao sair.
Lucian e eu não nos mexemos. Ficamos sentados até que a mesa entre nós estivesse em silêncio, cheia de xícaras vazias e iluminada pelo sol.
Quando éramos os únicos dois na mesa, ele me deu um sorriso. “Como você tá se sentindo?”
“Bem,” eu suspirei, “muito bem.”
Ele assentiu. “Bem o suficiente pra correr?”
Eu pisquei. “Pra… o quê?”
Ele explicou: “A Alcateia vai fazer uma corrida essa noite.”
Meu coração acelerou. “Tipo uma corrida da Alcateia mesmo?”
Ele assentiu, com um sorriso ainda maior.
Minha mão foi para o peito e eu perguntei, incrédula: “Você tá me convidando pra correr com a sua Alcateia?”
Ele riu. “Sim, Sera, tô te convidando pra correr com a minha Alcateia.”
Minha respiração deu uma pausa. “Mas...”
“Você não precisa ser capaz de se transformar para sentir o vínculo da Alcateia”, ele antecipou o meu argumento. “Tudo o que você precisa fazer é correr.”
Minha boca abriu e fechou, mas não consegui formar palavras.
“Eu sei que essa é uma experiência com a qual você sonhou por muito tempo. E vai ser bom pra Alina também”, Lucian acrescentou. “O que me diz?”
Alina se agitou animadamente dentro de mim, sua energia subindo em um turbilhão vertiginoso. 'Sim, sim, sim!'
Meu sorriso estava tão largo que a minha mandíbula doía. “Eu adoraria.”

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei
Finalmente toda a verdade do Lucian veio à tona. Só não faz sentido ele saber antes de qualquer pessoa (inclusive família) que a Zara era prima. Cadê a tia irmã de Margareth então? Porque Sera e Margareth foram mais importantes para Catherine do que esse outro braço da família?...
Quero saber até onde o Lucian estar envolvido com Katherine e Marcos...
Ok, sera não aceitar o vínculo. Agora deixa o Kieran seguir a vida dele em paz...
Tá muito bom os capítulos...
Preciso de ajuda pra comprar moedas, não consigo completa minha compra...
Sera era uma bobinha manipulada e do nada se tornou fodona. A autora exagerou demais. Comecei a ler uma romance onde o começo imita uma história que já existe e depois, a autora acrescentou "os mutantes" na história. Kkkkk Mas os capítulos que abrem essa história nada mais é do quem o plágio de uma história que já existe. A irmã, o marido que gosta da irmã, a noite em que a irmã errada dorme com o cara, casa com ele tem um filho. O divórcio e só depois ele começa a gostar dela... Enfim, copiou na cara dura....
Livro muito bom!!! Sem muita enrolação e historia com enredo e fluxo. Aguardando próximos capítulos e o encerramento breve!!!...
SERAPHINA é muito fraca e idiota,Catherine manipula ela fácil fácil, eu ia lá se sacrificar por uma pai uma família que sempre me tratou mal, eles que se virem...
Escritora por favor, melhora isso aí, Sera fez o ex marido comer o pão que o diabo amassou, botou homens na cara dele, agora a cobra da irmã dela baixa o espírito de Santa e Sara na primeira oportunidade já vai abraçar, me poupe, mais criatividade por favor...
Quando Sera vai descobrir a peste falsa e manipulador que lucian é?? Ele ainda foi embora com o amor da vida dele e ainda deixou a Sera responsável pelos negócios dele, Sera é muito idiota,...