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Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei romance Capítulo 200

PERSPECTIVA DA SERAPHINA

Os dias que se seguiram se fundiram em um borrão de manhãs douradas, ar fresco e risadas que ecoavam entre as montanhas da Shadowveil.

Eu já tinha percorrido quase todos os caminhos no território: a ponte estreita que cruzava o desfiladeiro enevoado, os campos de treinamento onde o cheiro de pinho e ferro persistia, e até mesmo o bosque silencioso onde a Nascente do Brilho da Lua reluzia sob seu dossel de folhas prateadas.

Em apenas alguns dias, o lugar começou a parecer surpreendentemente familiar. Aprendi os nomes dos filhotes que corriam pelo pátio ao amanhecer, com as suas mães exaustas chamando por eles. Compartilhei um chá com os Ômegas que cozinhavam para toda a Alcateia e aprendi como eles conseguiam alimentar duzentos lobos aparentemente sem esforço. Até mesmo pratiquei um pouco com alguns dos guerreiros mais jovens e, pela primeira vez, não me senti deslocada em uma Alcateia.

Logo chegou a hora de partir. A manhã da nossa partida foi uma mistura de sentimentos. O pátio estava cheio de despedidas, entre filhotes acenando e Ômegas pressionando pequenos pacotes de comida nas minhas mãos e me pedindo para visitar novamente. Sabrina me abraçou com força. "Não posso acreditar que você já tá indo embora," disse ela, com a voz embargada e os olhos marejados.

"Eu vou voltar," prometi, apertando-a igualmente forte. "E você é bem-vinda pra me visitar quando quiser."

Ela recuou apenas o suficiente para sorrir através das lágrimas. "Ah, eu vou visitar. Talvez como convidada..." Ela piscou. "Ou talvez como sua cunhada."

"Sabrina!" gemi, rindo.

"O quê? É uma hipótese!" Ela provocou. "Você e o meu Lucian estavam muito aconchegados depois daquela corrida."

Lucian pigarreou atrás de nós, o divertimento dançando nos seus olhos. "Sabrina, tente não assustá-la antes mesmo dela ir."

"Ah, seu chato." Ela fez careta para ele antes de me abraçar novamente.

"Se cuida, Sera," ela disse suavemente. "E não se esqueça: a Shadowveil sempre estará de braços abertos pra você."

Lágrimas encheram os meus olhos. "Não vou esquecer."

Quando finalmente partimos, o Lucian e eu ficamos em silêncio, mas confortáveis, com o ronco do motor preenchendo o espaço entre nós enquanto adentrávamos a floresta que protegia as fronteiras da Shadowveil.

Enquanto passávamos pela última colina, me virei para olhar uma vez final. O vale se estendia abaixo de nós, banhado de luz. Parecia quase irreal.

"Parece estranho, né?" Lucian disse baixinho.

"É," murmurei. "Como acordar de um sonho."

Ele sorriu de leve. "Um sonho bom, espero."

"O melhor," confessei.

Os olhos dele se suavizaram. "Se pudesse, ficaria lá com você pra sempre."

Meu coração bateu dolorosamente. Eu entendi o que ele queria dizer. Havia um desejo nas suas palavras , não apenas pela paz que a Shadowveil proporcionava, mas por algo mais profundo.

Eu não sabia o que dizer. Então, não disse nada. Apenas estendi a mão e deixei os meus dedos roçarem na sua mão.

Ele virou a palma para cima, entrelaçando nossos dedos.

Sem palavras. Sem promessas. Sem pressão.

Quando chegamos ao aeródromo privado além do território da Alcateia, o sol do meio-dia estava alto. O jato nos aguardava, elegante e prateado, brilhando sob a luz.

Pousamos no terminal privativo do Aeroporto Van Nuys cinco horas depois.

E o melhor presente de todos estava me esperando enquanto eu descia as escadas do avião.

"Mãe!"

***

PERSPECTIVA DO KIERAN

Assim que soube do horário de retorno da Sera, cancelei todos os compromissos do dia.

O Daniel achou que eu tinha planejado tudo como uma surpresa para ele e a mãe dele. E, em parte, era verdade.

Mas havia um motivo mais profundo.

Eu precisava vê-la.

Depois de vários dias me segurando, lutando contra a enorme vontade de quebrar a regra de ‘não interfiram mandem relatórios a menos que ela esteja em perigo', simplesmente receber uma mensagem fria e indiferente dizendo ‘Voltei’ teria acabado comigo.

Eu precisava vê-la com os meus próprios olhos, era a única forma de acalmar a dor constante que eu sentia no peito.

O terminal privativo tinha um leve cheiro de combustível de aviação e aço. Do lado de fora, na pista, o calor tremulava na luz californiana que se desvanecia e o horizonte se misturava sob o sol âmbar baixo. Uma brisa suave puxava as minhas mangas enquanto eu segurava a mão do Daniel.

Meu filho estava praticamente explodindo de tanta empolgação e o cabelo escuro caía sobre os seus olhos.

"Ela vai ficar tão surpresa," ele disse pela terceira vez, sorrindo de orelha a orelha.

Consegui esboçar um sorriso, afastando o cabelo dos olhos dele com a outra mão. "É, ela vai."

Mas parecia que a ansiedade estava apertando o meu peito, sem querer soltar.

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