PERSPECTIVA DA SERAPHINA
A mansão Lockwood agora parecia mais suave, menos imponente do que da última vez que estive aqui. Eu esperava sentir a mesma ansiedade que me acompanhara antes, mas, em vez disso, uma calma se instalou dentro de mim. Não era conforto, mas também já não era desconforto. Era uma espécie de equilíbrio incerto.
Minha mãe nos recebeu pessoalmente na porta de entrada. "Seraphina, querida!" ela exclamou, batendo as mãos animadamente.
"Oi, Mãe," eu respondi, um pouco surpresa com o entusiasmo dela. Ela estava usando maquiagem e, embora estivesse surpresa, fiquei feliz por isso. Significava que o luto pelo meu pai e a preocupação com a Celeste não pesavam mais do que o foco supremo dela: as aparências.
"E Daniel, olha só pra você! Cresceu mais, não foi?"
Daniel sorriu, estufando um pouco o peito. "Talvez só um pouquinho."
"Ah, eu diria que mais do que um pouquinho," ela riu, apertando as bochechas dele. "Entrem, vocês dois. O Ethan tá só terminando de se arrumar antes que a Maya e a família dela cheguem."
O grande hall da mansão parecia grandioso como sempre, mas estava diferente da última vez em que visitamos, com a luz do sol passando através das janelas altas e pintando o chão de mármore em tons de ouro. E, não sei como, eu não me sentia tão deslocada quanto antes.
Talvez fosse pela felicidade do momento, ou porque, depois de tudo que vivi desde a última vez em que estive aqui, eu já não me sentia assombrada pelos fantasmas que viviam dentro destas paredes.
Ethan apareceu no final da grande escadaria e ajustou a gola ao descer. Seu rosto se iluminou ao nos ver. "Vocês vieram."
Eu assenti. "Prometi pra Maya."
Minha mãe também tinha mandado uma mensagem, esperando que o Daniel e eu pudéssemos estar presentes no primeiro encontro formal entre os Lockwoods e os Cartridges.
Mas eu tinha vindo principalmente pela minha melhor amiga.
Ethan assentiu e um alívio brilhou nos seus olhos. "Eu agradeço. Tenho certeza de que a Mamãe também." Ele hesitou e acrescentou: "É muito importante que você esteja aqui, Sera. Sei que nem sempre fui o irmão que você merecia, mas..."
"Ethan." Interrompi suavemente. "Hoje não é dia de confissões ou pedidos de desculpas. É sobre você e a Maya. Não estrague tudo olhando pra trás."
Por um momento, a surpresa suavizou o rosto dele, depois veio a compreensão. "Você tá certa." Ele suspirou, oferecendo um sorriso leve. "Obrigado."
Eu sorri de volta.
O ronco de um motor de carro interrompeu o momento.
O entusiasmo na voz da minha mãe ecoou pela casa. "Devem ser eles!"
Pisquei surpresa quando o sorriso do Ethan desapareceu e os seus olhos se voltaram para a porta. A ansiedade tensionou a mandíbula dele e apertou músculos ao redor da boca.
"Você não tá nervoso, né?" brinquei.
Ele limpou a garganta e ajustou a gravata. "Claro que não, sou um Alfa."
"Aham." Sorri de canto. "A Maya já é bastante intimidadora sozinha. Imagino como a família dela é."
"Pois é, né?" ele suspirou.
Eu ri, afastando a mão dele da gravata. "Vai dar tudo certo. A Maya te ama e isso é o que importa."
Ele suspirou novamente, relaxando os ombros, e sorriu para mim, menos agitado. "Obrigado, Sera. De verdade."
"De nada." Eu peguei a mão dele e o puxei em direção à entrada. "Agora vamos lá."
Saímos justo, logo quando um carro preto elegante parou no pátio da frente.
Maya foi a primeira a sair, radiante como sempre, no um vestido floral que balançava com a brisa. O cabelo dela estava estilizado em cachos soltos que emolduravam um sorriso cheio de entusiasmo incontrolável.
Seus pais a seguiram. A mãe dela, Sarah, era uma mulher alta, de olhos calorosos e com uma postura elegante, e o seu pai, Devin, era um homem de ombros largos, com uma barba bem aparada e uma expressão que sugeria que ele não sorria frequentemente.
No momento em que ele se aproximou da esposa e colocou a mão na cintura dela, seu olhar suavizou.
"Devin! Sarah!" Minha mãe os cumprimentou alegremente, como se fossem velhos amigos, e avançou para apertar a mão da Sarah. "É maravilhoso conhecer os pais responsáveis por criar essa mulher incrível."
Devin Cartridge sorriu educadamente, embora a sua voz tivesse um tom áspero, como se não fosse muito usada. "Na maior parte do tempo, ela se criou sozinha," ele admitiu. "Então só assumo metade da responsabilidade, e nunca quando ela apronta."
Maya arfou. "Pai!"
Sarah riu suavemente. "Ah, não fique tão chocada, querida. É verdade."
A brincadeira descontraída foi a deixa perfeita. Eu gentilmente cutuquei o Ethan.
Ele avançou, e a sua voz geralmente firme tinha um raro tremor ao encarar os pais da Maya. "Senhor Cartridge, Senhora Cartridge," ele cumprimentou, estendendo a mão. "É um prazer finalmente conhecê-los."
O aperto de mão do Devin foi firme e controlado. "Igualmente. Eu achava que não existia homem no mundo que pudesse lidar com a minha filha, que é uma verdadeira fera."
"Pai." Maya revirou os olhos e sua voz era uma mistura de aviso e afeição.
Ethan riu. "Eu assumo essa tarefa com todo o entusiasmo que consigo reunir."
Os lábios do Devin tremeram com um quase sorrisinho. "E você é um grande homem por isso."
"Oh, meus deuses." Maya gemeu e se virou para mim, com o rosto iluminado.
"Sera!" Ela me abraçou com força. "Ai, que saudade eu tava de você."
Eu a apertei contra mim. "Também senti saudades."
Ela se afastou e segurou o meu rosto. "Depois você tem que me contar tudo."
Eu ri. "Claro, Senhorita Cartridge."
Então, ela pegou a minha mão e se virou para os seus pais. "Aqui está a grande Seraphina Blackthorne que vocês tanto queriam conhecer." Ela se inclinou e sussurrou, de forma cúmplice. "Mais do que o meu companheiro predestinado."

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei