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Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei romance Capítulo 205

PERSPECTIVA DA SERAPHINA

"Meninos!" Maxwell latiu, conseguindo colocá-los no chão. "Peçam desculpas agora mesmo."

Os gêmeos cruzaram os braços em uníssono, lançando olhares teimosos um para o outro.

"Já!", ele repetiu, apertando a ponte do nariz.

"Desculpa," disse o que vestia a camisa xadrez azul para o irmão. "Desculpa por você ser tão idiota!"

Maya soltou uma risadinha.

Devin lançou um olhar repreensivo para ela, e ela pressionou os lábios, tentando conter o riso.

Sarah deu um sorriso de desculpas para a minha mãe. "Sinto muito, Margaret. Eles andam um pouco... agitados ultimamente."

"Um pouco?" Maya murmurou para si mesma.

Minha mãe riu de forma bem humorada. "Por favor, não se preocupe. Já vimos pior. Como você disse, eles são apenas meninos cheios de vida."

"Cheios de vida," Maxwell repetiu secamente. "Essa é uma forma de ver." Ele se voltou para os filhos. "Noah, Zach, vamos lá. Cumprimentem todo mundo."

Os gêmeos fizeram cara feia em perfeita harmonia.

Daniel, abençoado seja, se adiantou antes que alguém pudesse reagir. Ele endireitou os ombros pequenos com a mesma calma gentil no olhar que sempre me encheu de orgulho.

"Oi," ele disse gentilmente, estendendo a mão. "Sou o Daniel."

Alguns murmúrios de aprovação surgiram entre os adultos. A Sarah sorriu, os olhos da minha mãe suavizaram e o Devin deu um leve aceno de aprovação.

Mas, em vez de retribuírem a saudação, os gêmeos trocaram um olhar desafiador e se viraram com um suspiro exagerado.

A mão do Daniel hesitou no ar antes dele lentamente recuá-la. Seu sorriso enfraqueceu, mas ele não disse uma palavra, simplesmente ficou ali, quieto e digno de uma educação muito além de sua idade.

Meu peito apertou. Me aproximei e envolvi o meu braço ao redor dos ombros dele. Ele olhou para mim, e eu ofereci um pequeno sorriso e um leve movimento de cabeça para ele: "Não leva pro lado pessoal."

Maxwell, no entanto, não estava tão calmo e apertou a mandíbula.

"Já chega!" ele exclamou, pegando cada um dos gêmeos de maneira gentil e firme pelo braço e os conduzindo para longe do grupo.

Os garotos protestaram, reclamando todo o caminho até o outro lado do pátio.

Um silêncio desconfortável pairou na ausência deles.

Maya deu uma risadinha envergonhada e vi as suas bochechas corando. “Eles nem sempre foram assim,” ela disse rapidamente, virando-se para nós. “Eles costumavam ser fofos, na verdade. Educados, até. Mas desde que…”

Ela hesitou, olhando para a figura do seu irmão que se afastava.

O pai dela completou o silêncio calmamente. "O comportamento deles mudou desde que a mãe deles foi embora."

O sorriso da minha mãe se transformou em algo melancólico. “Sinto muito,” ela disse. “Deve ter sido difícil pra eles.”

Devin assentiu, com o olhar fixado no Maxwell e nos meninos à distância. “Foi há um ano. A Willow, ex-esposa do Maxwell, foi embora pra continuar a sua pesquisa no exterior. Ela é arqueóloga. Foi bem complicado e doloroso.”

Maya suspirou. “Os meninos a adoram, e não entendem por que ela foi embora. Então, descontam nele.”

“Exatamente,” Sarah disse suavemente. “E o Max... bem, ele tá tentando. Ele tirou uma licença das obrigações com a Alcateia pra se concentrar nos meninos, mas…” Ela interrompeu com um dar de ombros desamparado. “O progresso é lento.”

Olhei novamente para a cena do outro do pátio. Maxwell estava agachado na frente dos filhos, gesticulando com as mãos enquanto falava com a voz baixa mas firme.

Um dos gêmeos, de camisa xadrez vermelha, estava encarando o chão, enquanto o outro, de camisa xadrez azul, mantinha os braços cruzados firmemente sobre o peito e o rosto virado para o outro lado.

Algo na postura dos garotos me chamou a atenção. A desobediência não vinha da maldade, mas da dor.

Eu conhecia bem aquele olhar.

O menino de camisa azul gritou: "Eu te odeio!" e saiu correndo pela trilha ao redor do pátio. Ates mesmo de perceber, os meus pés já estavam se movendo.

Segui o som das folhas farfalhando ao virar a esquina do pátio, onde uma grande árvore estendia o seu dossel sobre um tapete de folhas caídas.

O menino de camisa azul estava sentada embaixo dela, com os joelhos dobrados, cutucando a terra com um graveto.

Ele não olhou para cima quando me aproximei.

"Tá planejando cavar um caminho pra sair daqui?" perguntei, de maneira descontraída.

Ele se assustou e levantou o olhar, mas rapidamente virou o rosto novamente. "Vai embora."

"Hum," eu disse, me abaixando para sentar a alguns metros dele. "Sabe, as pessoas geralmente falam isso quando na verdade querem que alguém fique."

"Tô falando sério," murmurou ele.

"Receio que não posso fazer isso," eu disse. "E se você congelar aqui fora?"

Ele me lançou um olhar de esguelha, sem se impressionar. "Não tá frio."

Maxwell parou a alguns metros de distância, com as mãos enfiadas nos bolsos e os olhos hesitantes. “Eu não queria que ele te incomodasse,” disse, em voz baixa.

“Ele não incomodou,” respondi, levantando-me. “A gente só tava conversando.”

Noah olhou para o pai e vi a tensão nos ombros de Maxwell suavizar um pouco.

“E aí, parceiro,” ele disse, após um momento. “Você tá bem?”

Noah mexeu-se inquieto. “Tô.”

“Pronto pra voltar?”

Uma pausa. Então, um pequeno aceno com a cabeça. “Vou pedir desculpas pra aquele metido também.”

Maxwell suspirou, visivelmente aliviado, e deu um sorriso fraco, porém sincero. “Então vai lá.”

Noah se levantou rapidamente e Maxwell bagunçou carinhosamente o seu cabelo enquanto ele passava.

Ele olhou para mim, com gratidão passando pelo seu rosto. “Não sei o que você disse a ele, mas... obrigado.”

"Eu só ouvi," eu disse. "E lembrei a ele que você tá dando o seu melhor."

Seus lábios se curvaram em um sorriso resignado. "Meu melhor nem sempre parece bom. Paciência nunca foi uma das minhas virtudes."

"Não é pra ser fácil," eu disse suavemente. "É algo que você constrói, como um músculo. Lentamente, e geralmente com muita frustração e dor. Falo por experiência própria."

Ele soltou uma risada baixa. "Você soa como um terapeuta."

"Então você provavelmente deveria me ouvir," eu brinquei.

Isso arrancou uma risada dele, o tipo que carregava uma medida igual de exaustão e alívio.

Ele olhou para o caminho que o Noah seguiu com os olhos suavizando. "Sabe, quando eles nasceram, eu pensei que teria pra sempre pra acertar. Mas, parece que eu pisquei e, de repente, eles são essas... criaturas complexas com todos esses sentimentos que eu não sei como lidar."

Havia um leve tremor na sua voz, o mesmo que eu costumava ouvir na minha própria quando me preocupava com o Daniel.

"A raiva é apenas uma armadura da tristeza," eu disse calmamente. "Eles não estão tentando te machucar. Estão tentando não se machucar."

Ele assentiu lentamente, absorvendo as palavras. "Bom, se você algum dia precisar de um trabalho como terapeuta de filhotes..."

Eu ri. "Vou lembrar disso."

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