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Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei romance Capítulo 206

PERSPECTIVA DA SERAPHINA

O almoço correu melhor do que eu esperava. Surpreendentemente bem, na verdade.

Depois que o caos inicial causado pelos gêmeos se acalmou, o ambiente ficou mais descontraído.

Minha mãe e a Sarah se envolveram em uma conversa leve, mas entusiasmada, sobre ervas de jardins, enquanto o Devin, o Maxwell e o Ethan trocaram pequenas conversas educadas sobre a política da Alcateia.

Daniel, sempre um pequeno diplomata, fez de tudo para conquistar os gêmeos: mostrou a eles como dobrar guardanapos em forma de lobo e imitou de forma lúdica o uivo de um filhote, arrancando alguns sorrisos relutantes. Eu tomei isso como um bom sinal.

Quando os pratos foram retirados e as últimas tortinhas de abóbora desapareceram, o riso tinha substituído completamente a tensão que surgiu com a chegada do Maxwell e dos gêmeos.

Maya se recostou na cadeira e soltou um suspiro satisfeito. “Estava divino, Senhora Lockwood, obrigada.”

Ela sorriu para a Maya, espalhando linhas pelos cantos dos olhos “Obrigada, querida. Vou transmitir o seu elogio pro chef.”

Enquanto a minha mãe conduzia o Devin e a Sarah para a sala de estar para um café e o Ethan se inclinava para sussurrar alguma coisa para o Maxwell, a Maya tocou levemente o meu braço.

“Vem comigo.”

Pisquei. “Pra onde?”

“Qualquer lugar, menos aqui,” ela disse, com um sorriso. “Já ouvi as histórias da infância do Ethan mil vezes. Quero ouvir as suas.”

A travessura e a curiosidade nos olhos dela eram tão familiares, tão a cara da Maya, que ofuscaram o meu instinto natural de recuar sempre que a minha infância era mencionada.

Hesitei por apenas um momento, olhando na direção do Daniel, que estava ocupado ajudando a minha mãe a arrumar as xícaras de chá. Ele captou o meu olhar e me deu um pequeno sinal de positivo antes de voltar à sua tarefa, e aquele pequeno gesto fez meu coração transbordar.

“Tudo bem,” eu disse suavemente. “Vamos lá.”

Saímos discretamente da sala de jantar e entramos no corredor leste, mais tranquilo. A luz da tarde entrava pelas janelas altas, espalhando padrões dourados como mosaicos no chão de mármore.

“Deuses,” Maya suspirou, com os olhos arregalados enquanto passava a mão pela parede e inclinava a cabeça para trás para admirar a altura do corredor. “Este lugar é gigantesco. Ainda não consigo acreditar que você cresceu aqui.”

Eu soltei um suspiro. “É... Às vezes, nem eu acredito.”

Ela me lançou um olhar compreensivo com uma ternura nos olhos que beirava a compaixão. "Foi difícil? Por causa do lance de ‘não ser loba’?"

Meu riso não era tão amargo, mas resignado. “Foi o que foi.”

Maya se aproximou e entrelaçou os nossos dedos enquanto subíamos a grande escadaria para o segundo andar.

Instintivamente, me apoiei nela, na minha amiga animada e tão acolhedora quanto um simpático labrador dourado.

“Então,” ela começou, com o tom suave e curioso, “como foi a sua viagem pra famosa e secreta Shadowveil?”

Meus lábios se abriram em um sorriso quando pisamos no patamar superior. “Incrível. Eles foram super acolhedores. Eu participei do Festival da Lua Azul deles e, depois, da corrida da Alcateia.” Me virei para ela e levantei a mão. “Ah, e também... me transformei parcialmente.”

A boca dela se abriu, mas tapei-a com a minha mão antes que pudesse soltar um grito. O som abafado vibrou contra a minha palma enquanto os olhos dela se arregalavam tanto que parecia que iam saltar das órbitas.

Ri suavemente. “Só os meus dedos que viraram garras e um pouco de pelo,” expliquei. “Mas... é isso.”

Os olhos da Maya brilhavam. Ela tentou falar alguma coisa, mas a minha mão ainda abafava a voz dela.

Ergui uma sobrancelha. “Promete que não vai gritar e espalhar o meu segredo pras famílias Lockwood e Cartridge?”

Com o peito arfando, ela deu um aceno relutante.

Quando tirei a mão, ela ofegou e me envolveu um abraço apertado. “Eu não acredito nisso!” ela sussurrou, querendo gritar.

Ela recuou e segurou as minhas mãos nas dela, olhando para elas como se tivessem acabado de criar garras e pelos. "Isso é incrível. Monumental. Fantástico..."

"Ai!" Meus olhos se arregalaram enquanto eu esfregava o ombro onde ela tinha acabado de dar um soco. "Por que você fez isso?"

"Por você ter tido uma espécie de despertar espiritual ou seja lá o que foi e me fazer perder esse marco na sua vida."

Eu ri, revirando os olhos. "Eu... sinto muito?"

Ela fungou. "Você vai ter que me compensar."

Eu a envolvi nos braços. "Não foi a última vez. Tenho toda a intenção de me transformar e prometo que você estará comigo na próxima."

"Tá ouvindo, Alina?" Maya cutucou o meu peito. "Não ouse aparecer se eu não estiver por perto."

A risada da Alina ressoou em mim.

Maya segurou o meu rosto. "Minha linda lagarta virou borboleta."

Meus olhos se encheram de lágrimas. "Ainda não cheguei lá."

Ela sorriu. "Mas tá no caminho certo."

Capítulo 206 1

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