PERSPECTIVA DA SERAPHINA
O chuveiro havia levado embora o suor, mas não a frustração. A pomada de lavanda provocava uma leve ardência nos nós dos meus dedos machucados e o aroma pouco ajudava a acalmar meus pensamentos acelerados.
O fato de eu não ter conseguido terminar o treinamento. Aquela discussão horrível no Jardim. A forma como o olhar do Kieran queimou através de mim, como se eu fosse a traidora.
Soltei um suspiro profundo. Deveria parar de pensar no irritante do Kieran. Estávamos divorciados. Ele não deveria mais invadir minha vida como um furacão.
Meu celular vibrou na pia.
Lucian: 'Deixei os shakes de proteína na sua geladeira. Pega leve amanhã'.
Um pequeno sorriso surgiu nos meus lábios. Lucian ficou até tarde na minha casa sob o pretexto de revisar meus planos de treinamento, mas nós dois sabíamos a verdade: ele estava me dando espaço para processar tudo o que tinha acontecido no Jardim enquanto silenciosamente assegurava que eu não estivesse sozinha. Sem perguntas incômodas, sem consolo forçado, apenas uma presença constante, como alguém que protege um companheiro de alcateia ferido.
Respondi: 'Obrigada por tudo o que você faz, Lucian.'
Lá fora, as estrelas brilhavam. Naquele momento, tudo o que eu queria era deixar a paz tomar conta de mim.
No entanto, o animal que de repente começou a bater com força na minha porta não tinha ciência dos meus planos.
Com um suspiro irritado, amarrei o robe e, quando a toalha enrolada na minha cabeça caiu no chão, liberando meu cabelo úmido sobre os ombros, não me incomodei em pegá-la.
Andei descalça pelo corredor, resmungando com raiva. Juro, quem quer estivesse me incomodando ia...
Pisquei, reconhecendo o Kieran. Ele preenchia o vão da porta como um tornado encarnado de mandíbula rígida e olhos tempestuosos. Seu peito arfava como se ele tivesse corrido até aqui.
"O quê...?" Mal consegui pronunciar a palavra antes que ele rosnasse: "Onde ele tá?"
Eu franzi a testa. "O quê?"
Ele se aproximou, sua presença dominando a entrada. "Onde o Lucian tá?"
A exasperação me inundou e eu contive o impulso de gritar na cara dele. Será que ele nos seguiu até em casa? O que diabos ele estava tramando?
"Kieran, o que diabos tá acontecendo?"
Então, de repente, ele colou seus lábios nos meus.
Meu corpo ficou paralisado, congelado pela pura incredulidade do ato.
Kieran nunca tinha me beijado antes, mas eu já tinha imaginado isso um milhão de vezes. Nas minhas fantasias, seria um beijo doce, suave e carinhoso. Ele me envolveria em seus braços e nos perderíamos naquele beijo, um beijo do tipo que inspira canções de amor.
Mas isso... isso não tinha nada a ver com o que eu imaginara.
Foi repentino. Avassalador. Um incêndio de desejo ameaçando me consumir por completo. Seus lábios se chocaram contra os meus como uma onda represada por muito tempo. Desesperado. Intenso. Possessivo... Como se eu pertencesse a ele.
Não consegui afastá-lo. Estava chocada demais, afinal, tinha sido pega de surpresa sem tempo para pensar, quem dirá me mover. Meu coração batia forte contra as costelas e minha respiração ficou presa em algum lugar na garganta, entre o anseio e o choque.
Sua língua abriu meus lábios com violência, reivindicando mais. Suas mãos firmes seguraram meu quadril contra seu corpo e o meu robe escorregou de um ombro com o toque bruto. Seu olhar se intensificou ao ver a pele exposta.
"Kieran..." soltei, entre os beijos ardentes, os dedos agarrando a camisa dele enquanto o calor que irradiava dos seus músculos poderosos ameaçava derreter minha determinação. O jeito que ele me olhava, Deuses, enviava um fogo líquido pelas minhas veias.
Mas eu sabia que aquilo não estava certo e deveria lembrá-lo disso. "K-Kieran, nós não deveríamos..."
Outro rosnado possessivo vibrou contra os meus lábios enquanto ele engolia meu protesto com um beijo ainda mais profundo, suas mãos prendendo-se ao meu quadril como algemas vivas.
Minha mente gritava que éramos divorciados, que isso precisava parar, mas o meu corpo se arqueou para o toque dele, tremendo. Dez anos como sua esposa e nunca ele me desejou assim. E, dessa vez, eu sentia que não era só por necessidade.
Quando a mão dele deslizou por baixo do meu robe, as brasas do amor que eu achava ter enterrado reacenderam perigosamente, ansiosas para...
Então, o telefone tocou, estridente e cortante, quebrando o momento como vidro caindo no concreto.
Kieran se afastou de mim como se eu tivesse dado um choque nele e, ainda assim, não conseguia me mover. Fiquei olhando para ele com os olhos arregalados e sem fôlego, com a mente em curto-circuito.
Ele respirava pesadamente com o olhar desfocado e todo o corpo tremendo.
"Seu... telefone," sussurrei, incapaz de pensar por causa do som do toque que cominava o nosso redor, a minha cabeça.
Kieran soltou um palavrão baixinho, enfiou a mão no bolso e virou-se de costas para mim enquanto atendia.
"Ethan, oi." Outro palavrão. "Ela tá chorando?" Um suspiro. "Eu não... não foi a minha intenção. Vou consertar, juro."
Então, ele desligou.
"O que foi isso?" sussurrei, minha voz quase sumindo.
Kieran não respondeu imediatamente. Sua expressão oscilou entre confusão, arrependimento e desejo insatisfeito.
"Você brigou com ela?" perguntei, e minha voz saiu mais fria do que eu esperava. "Com a Celeste?"
Ele não respondeu. O silêncio culpado foi resposta suficiente.
"Minha nossa," recuei, segurando o robe caído contra o peito enquanto a humilhação subia pela minha garganta. Não podia acreditar que quase repeti a história.
"Eu não tava raciocinando," ele disse, dando um passo em minha direção. "Eu só..."
"O que você acabou de fazer?" Minha voz falhou. "Você achou que podia se livrar dos seus problemas e jogando-os em mim através de um beijo?"
"Sera..."
"Você perdeu a cabeça?" As palavras saíram rasgando de dentro de mim. "O que eu sou pra você? Uma distração conveniente? Uma substituta?"
"Não, Sera, não é isso..."
"Sai!" Eu gritei, com o coração disparado. "Você não tinha o direito de fazer isso comigo!"
Ele hesitou, a fome ainda escura em seu olhar. Eu não me importei.
"Sai, Kieran," eu repeti, mais firme. "Alguns pesadelos não valem a pena serem revividos."
Ele não se moveu rápido o suficiente, então empurrei-o para trás e ele tropeçou porta afora. A porta bateu no ombro dele enquanto eu a fechava com força e passava a chave.
Fiquei ali, respirando pesadamente com uma mão na maçaneta e a outra pressionada contra o meu coração acelerado.
O beijo ainda pairava nos meus lábios e queimava minha carne, ficando marcado na porra da minha alma.
Mas eu aprendi o suficiente nos últimos dez anos.
Alguns caminhos nunca devem ser percorridos novamente.
Eu bufei. Ethan sempre queria bancar o superior, mas estava longe de ser perfeito.
"Ele precisa de um lembrete," murmurei. "Do que somos, de quem sempre esteve ao lado dele."
Ethan esfregou o nariz. "Você sabe que o Kieran sempre te amou. Não precisa competir com a Sera."
Minha boca se curvou com amargura. "Então por que de repente ele começou a se importar tanto com ela?"
Ele hesitou. "Porque ela é a mãe do filho dele. E passou por dois ataques recentemente. Seria estranho se ele não estivesse preocupado."
Eu bufei novamente. "Ou talvez seja uma encenação. Você já pensou nisso? Talvez ela esteja se fazendo de vítima, se aproveitando da atenção enquanto finge estar amedrontada. Ela simplesmente não suporta me ver ganhando."
Ethan abriu a boca, provavelmente para defendê-la, porém o toque da campainha o conteve.
Ele revirou os olhos. "Provavelmente é ele. Feliz agora?"
Meu coração deu um pequeno salto. Me virei, segui rapidamente pelo corredor e me enfiei debaixo do cobertor no sofá. Fiquei de frente para o encosto, com os olhos fechando suavemente e corpo perfeitamente imóvel.
Eu ouvi o Ethan abrindo a porta, seguido de vozes baixas murmurando. O som suave de passos se aproximou, ficando progressivamente mais pesados.
Kieran.
Deixei minha respiração ficar mais lenta, rasa, como se ainda estivesse dormindo.
O cobertor se mexeu ligeiramente e uma mão repousou no meu ombro. Eu me mexi lentamente e pisquei como se tivesse acabado de acordar.
"Kieran?" Minha voz saiu fraca. "O que você tá fazendo aqui?"
"Desculpa, Celeste," ele disse, ajoelhando-se ao lado do sofá. "Eu nunca deveria ter deixado você partir daquele jeito."
Pisquei para segurar as lágrimas que não eram difíceis de aparecer. "Eu pensei... que talvez tivesse te perdido. Achei que talvez você não me quisesse."
Suas sobrancelhas se franziram de culpa. "Não. Eu só... não tava pensando direito. Eu errei."
Sentei-me devagar, esfregando os olhos. "Eu entendo. Sei que você tem estado sob muita pressão com tudo que tá acontecendo."
Ele balançou a cabeça. "Eu não deveria ter descontado em você."
Assenti devagar, então dei um sorriso frágil. "Pelo menos você tá aqui."
Kieran se inclinou para a frente e me envolveu em seus braços. Eu me derreti em seu abraço, deitando a cabeça contra o peito dele e ouvindo o som calmo e constante do seu coração.
Não falei mais nada. Não precisava.
Ele estava ali e era isso que importava.
E, enquanto estava ali, entrelaçada nele, fiz uma promessa silenciosa: eu não deixaria a Sera se interpor entre nós novamente, nem com os seus dramas, nem com as suas artimanhas, nem com a sua história idiota.
Eu tinha que lembrá-lo da nossa história, do que poderíamos ter construído e do que ainda poderíamos construir.
E, se o Daniel era a ligação mais forte entre o Kieran e a Sera... Eu encontraria uma maneira de desfazê-la.
Porque eu sou Celeste Lockwood, e nasci para vencer.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei
Finalmente toda a verdade do Lucian veio à tona. Só não faz sentido ele saber antes de qualquer pessoa (inclusive família) que a Zara era prima. Cadê a tia irmã de Margareth então? Porque Sera e Margareth foram mais importantes para Catherine do que esse outro braço da família?...
Quero saber até onde o Lucian estar envolvido com Katherine e Marcos...
Ok, sera não aceitar o vínculo. Agora deixa o Kieran seguir a vida dele em paz...
Tá muito bom os capítulos...
Preciso de ajuda pra comprar moedas, não consigo completa minha compra...
Sera era uma bobinha manipulada e do nada se tornou fodona. A autora exagerou demais. Comecei a ler uma romance onde o começo imita uma história que já existe e depois, a autora acrescentou "os mutantes" na história. Kkkkk Mas os capítulos que abrem essa história nada mais é do quem o plágio de uma história que já existe. A irmã, o marido que gosta da irmã, a noite em que a irmã errada dorme com o cara, casa com ele tem um filho. O divórcio e só depois ele começa a gostar dela... Enfim, copiou na cara dura....
Livro muito bom!!! Sem muita enrolação e historia com enredo e fluxo. Aguardando próximos capítulos e o encerramento breve!!!...
SERAPHINA é muito fraca e idiota,Catherine manipula ela fácil fácil, eu ia lá se sacrificar por uma pai uma família que sempre me tratou mal, eles que se virem...
Escritora por favor, melhora isso aí, Sera fez o ex marido comer o pão que o diabo amassou, botou homens na cara dele, agora a cobra da irmã dela baixa o espírito de Santa e Sara na primeira oportunidade já vai abraçar, me poupe, mais criatividade por favor...
Quando Sera vai descobrir a peste falsa e manipulador que lucian é?? Ele ainda foi embora com o amor da vida dele e ainda deixou a Sera responsável pelos negócios dele, Sera é muito idiota,...