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Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei romance Capítulo 22

PERSPECTIVA DO KIERAN

Meu ombro ainda ardia na região próxima de onde a Sera tinha esbarrado.

O contato foi breve, mas carregado de tanta tensão que pareceu uma faísca elétrica. Fiquei olhando para a saída do Jardim até muito tempo depois que ela e o Lucian desapareceram, com uma sensação elétrica e incômoda fervendo debaixo da minha pele, uma mistura de raiva, descrença e mais algum sentimento que eu ainda não estava pronto para nomear.

Um suspiro suave quebrou meu transe.

Virei-me para a Celeste. "Acho que não tô mais com humor pra passeios," ela disse. Sua voz estava calma, mas havia algo nela que eu não conseguia identificar. "Podemos ir?"

Exalei devagar, tentando expulsar a raiva e o desconforto presos na minha garganta. A interação com a Sera e o Lucian havia aberto uma ferida áspera dentro de mim.

Mas a Celeste estava ali, ao meu lado, e eu precisava me concentrar nisso.

Aproximei-a de mim e beijei sua têmpora. "Sinto muito."

Ela balançou a cabeça suavemente. "Eu sei que não é sua culpa."

Ela envolveu sua cintura com os meus braços e me lançou um suave sorriso esperançoso: "Por que não pedimos comida pra viagem do restaurante e vamos pra sua casa? Só eu e você, sem surpresas, sem interrupções."

Eu queria ficar sozinho mais do que tudo, mas engoli esse sentimento e sorri para a Celeste. "Parece perfeito."

Como ela tinha dirigido até o bar, Celeste e eu voltamos em carros separados até a minha casa.

O caminho de volta foi curto, mas meus pensamentos estavam distantes, girando em círculos inquietos.

Fazia pouco mais de três semanas desde o divórcio, e dez anos de rotina não se dissolvem em vinte e um dias. Eu ainda procurava hábitos que não eram mais meus. Ainda esperava na porta os passos barulhentos do Daniel correndo para me receber e o quieto 'Bem-vindo' de Sera. Ainda conseguia ouvir o suave tilintar dela na cozinha e sentir o leve aroma de canela e cravo que vinha de uma vela que ela sempre gostava de acender.

Mas, toda vez que entrava em casa agora, era recebido apenas por um silêncio vazio.

E, nesta noite, quando entrei de mãos dadas com a Celeste, aquele silêncio ecoou mais alto do que nunca. Tentei ignorá-lo. Esta seria nossa casa um dia, minha e da Celeste, e eu tinha que começar a me acostumar com isso.

Ela envolveu os braços ao redor da minha cintura novamente, encostando o rosto no meu peito. "Hum," murmurou ela. "Parece que quase não tivemos momentos a sós desde que voltei."

Beijei o topo da sua cabeça, fechando os olhos por um instante. "Desculpe. Minha vida anda... caótica." Isso era verdade, mas não era toda a verdade.

Eu precisava melhorar. Não podia continuar deixando meu passado interferir em cada momento do presente. A Sera se foi, mas a Celeste estava aqui. Esta era minha segunda chance e eu não podia desperdiçá-la.

Ela levantou o rosto, com uma expressão calorosa e aberta. "Você pode me recompensar agora."

Desta vez, quando ela se inclinou para me beijar, me preparei e deixei nossos lábios se encontrarem. Ela tinha gosto de morangos e vinho, doce e suave. Ela se aproximou mais, envolvendo os braços ao redor do meu pescoço e deixando o corpo se emoldurar ao meu. Hesitei apenas por um instante e então a beijei de volta.

Apoiei uma mão na cintura dela, tentando me perder no calor do seu toque e na forma dela contra mim.

Mas, em algum lugar sob o beijo, sob a suavidade da pele dela e o contorno do seu sorriso contra a minha boca, algo dentro de mim permanecia distante. Uma parte de mim que não conseguia se livrar daquela sensação de que algo estava errado.

Celeste era meu o lar agora, e eu...

Eu exalei, me afastando.

As mãos dela continuavam nos meus ombros e ela piscou para mim em dúvida: "Kie?"

Forçando um sorriso através da névoa de emoções que pairava sobre o meu peito, levantei a embalagem de comida para viagem: "Vamos comer."

Ela balançou a cabeça, tirou a sacola da minha mão e a colocou na mesinha no hall de entrada. "Não consigo pensar em comida agora," ela sussurrou enquanto segurava minha camisa e me puxava novamente para perto.

Eu tentei. Juro que tentei. Devia isso à Celeste. Mas, quando as mãos dela deslizaram sob minha camisa, quentes contra minha pele, um arrepio percorreu meu corpo. O corpo dela estava pressionado contra o meu, suave e desconhecido, e algo dentro de mim congelou.

Afastei-me lentamente, segurando seus pulsos e gentilmente a imobilizando. "Celeste..."

Ela exalou e me olhou, já mudando a expressão. "Agora o que é?"

"Eu não posso," eu disse, minha voz tremendo. "Não essa noite."

A expressão dela se entristeceu. Primeiro, quase imperceptivelmente, em um vislumbre de incredulidade. Depois, mais profundamente.

"Você não pode..." a voz magoada começou baixa, porém cresceu depressa, "ou você não quer?"

"Não. Não é isso. Eu só..." Lutei para encontrar as palavras certas para consertar as rachaduras que eu podia sentir se abrindo entre nós. "Eu não tô... pronto, Celeste. Não quero fingir que tô e te machucar mais por causa disso."

Ela me olhou por um minuto longo e tenso, então soltou um riso abafado e deu um passo para trás.

Senti a distância imediatamente e fiquei chocado com a minha falta de vontade de eliminá-la.

A tensão alinhava o corpo da Celeste. As costas dela estavam retas e os ombros rígidos, mas eu podia sentir sua compostura escorregando.

"Você. Não. Tá. Pronto." Ela enfatizou cada palavra como se fosse um código que tentava decifrar.

"Celeste..."

"Passei dez anos sozinha," disse de repente, com a voz sem emoção. "Quando fui embora, achei que era a coisa certa a fazer. Você precisava de espaço, tempo, sei lá. Mas doeu pra caramba, Kieran. E eu senti uma saudade imensa de você."

"Também senti saudade de você," eu disse. E era verdade.

Ela soltou uma risada suave e amarga. "Claro, tenho certeza de que você passou os últimos dez anos pensando em mim enquanto estava casado com a minha irmã."

Dei um passo à frente. "Celeste, eu senti saudade mesmo."

"Você não percebe, né?" ela sussurrou. "Você tá agindo como se nada tivesse mudado, como se ela ainda fizesse parte da sua vida e como se eu fosse a intrusa."

"Não é isso," apressei-me em dizer, mas as palavras pareciam ocas.

Capítulo 22 1

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