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Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei romance Capítulo 25

PERSPECTIVA DA SERAPHINA

Eu encarei a mensagem que tinha enviado para o Kieran à tarde, depois da ligação da Professora Brenner.

'Reunião de pais e mestres do Daniel às seis.'

E a resposta dele: 'Eu sei. Estarei lá.'

Eu temia encontrá-lo novamente depois do beijo e senti um nó de apreensão no estômago.

Mas eu podia ter poupado minha energia mental. A reunião de pais e mestres estava quase acabando e o Kieran ainda não tinha aparecido.

Fiquei olhando para a porta, esperando e rezando loucamente para que ele entrasse no último segundo com aquela carranca habitual, pronto para se desculpar.

Mas a porta permaneceu fechada. O lugar ao meu lado continuou vazio. E cada tique do relógio só fazia o vazio no meu estômago crescer ainda mais.

Peguei o celular de novo e liguei para ele pela quinta vez. Direto para a caixa postal sem mensagem, apenas aquele bip frio e vazio.

A Professora Brenner me perguntou pela sexta vez se o meu "marido" estava a caminho e eu respondi seis vezes: "Ele tá atrasado, só mais cinco minutos."

Eu não conseguiria ficar naquela incerteza por mais tempo, então liguei para o Gavin. Se alguém sabia onde o Kieran estava, esse alguém era ele.

"Oi, Gavin," disse, mantendo a voz firme.

Como os outros membros da Alcateia do Kieran, eu não tinha muito contato com o Gavin, mas ao contrário dos outros, ele nunca demonstrou hostilidade comigo, pelo menos não abertamente.

"Desculpa incomodar. Você sabe onde o Kieran tá?"

Houve uma pausa, só o suficiente para me deixar mais nervosa. "Sim," ele finalmente respondeu. "Ele tá... fora. Com a Celeste."

Meu coração parou. Celeste, claro.

Respirei fundo para me acalmar. "Tá bom, obrigada, Gavin," falei, tentando manter a voz firme.

Terminei a ligação e guardei o celular de volta na bolsa antes que o jogasse na parede em frustração.

"Senhora Blackthorne?"

Levantei os olhos e forcei um sorriso quando a Professora Brenner sorriu para mim e fez a mesma pergunta pela sétima vez. "Será que o Senhor Blackthorne chegará em breve?"

Ela já tinha conversado individualmente com todos os outros pais e alunos da turma do Daniel, e agora só restávamos eu e ela na sala de aula.

Dei um sorriso meio sem graça. "Desculpe por fazê-la esperar, mas parece que o meu..." me corrigi rapidamente. "O Pai do Daniel não vai poder vir."

"Oh. Espero que não haja nenhum problema."

Havia... chamado Celeste.

Balancei a cabeça. "Ah, não. Ele ficou preso no trabalho."

"Certo." Ela assentiu. Se percebeu meu mau humor, não demonstrou. "Bom, podemos começar?"

"Sim." Respirei fundo. "Vamos lá."

"Como vai o Daniel, a propósito?" ela perguntou. "Toda a turma sente falta dele."

"Ele tá bem, obrigado. A tutora vem todos os dias, então ele tá em dia com os deveres."

Ela assentiu. "Ótimo. Não tenho dúvidas de que ele está progredindo bem e conseguirá acompanhar quando voltar. Tem alguma ideia de quando vai ser?"

Franzi os lábios. "Não. Em breve, espero."

"Tá bom, então. Vamos nos aprofundar mais, então?" Ela olhou a pasta que segurava. "Academicamente, o Daniel está se destacando. Ele lê acima do nível da turma, é muito habilidoso em matemática e a escrita mostra raciocínio e criatividade."

Meu próximo sorriso foi genuíno. "Ele é um menino brilhante mesmo. Sempre se esforça."

Ela sorriu. "Isso é evidente. Ele também é extremamente gentil e demonstra uma inteligência emocional impressionante para a idade. Sempre levanta a mão, ajuda os colegas e se oferece para liderar projetos em grupo. É respeitoso, empático e muito disciplinado."

O orgulho inchou meu peito como um balão, mas logo esvaziou ao perceber que o Kieran não estava aqui para ouvir todas as coisas incríveis sobre nosso filho.

"Tenho uma observação, no entanto," a Professora Brenner acrescentou. "O Daniel passou por alguma... mudança recentemente?"

Fiquei um pouco tensa. "Por que a pergunta?"

"Bom, nos últimos dias antes de se afastar da escola, ele parecia mais... retraído. As crianças são sensíveis e muito conectadas ao seu ambiente, então quaisquer mudanças podem afetá-las."

Mais uma vez, me perguntei se o divórcio era a coisa certa a fazer, especialmente para o Daniel. Pensar que o meu filho poderia ser afetado pela separação me partia o coração.

"Vou prestar mais atenção ao ambiente," eu disse, com a voz embargada. "Obrigada por apontar isso."

A Professora Brenner sorriu gentilmente. "Imagina. Como sabe, temos aquele momento em que nossos alunos compartilham suas experiências acadêmicas com os pais e, como o Daniel não está fisicamente aqui, podemos fazer uma chamada de vídeo com ele?"

Meu coração se encheu da felicidade habitual de quando eu estava prestes a ver o Daniel. "Sim, claro."

Peguei o telefone criptografado e fiz uma chamada de vídeo com o Daniel.

Coloquei o telefone entre nós e meu coração deu um salto quando a tela se iluminou com o rosto brilhante e ansioso dele.

"Mãe!"

Eu sorri. "Oi, meu amor."

Ele desviou o olhar, acenou e seu sorriso se alargou. "Oi, Professora Brenner."

"Olá, querido. É bom ver você. Todo mundo está sentindo sua falta na escola."

Kieran.

Ele correu em minha direção, vindo do estacionamento, e parecia desarrumado, com o cabelo bagunçado e a camisa social amassada. O que diabos ele e a Celeste estavam fazendo?

Seus olhos se arregalaram quando ele me viu e percebi o pedido de desculpas escancarado no rosto. Soltei um suspiro e forcei minhas pernas a se moverem, pretendendo passar por ele, mas ele agarrou meu braço, me virando para encará-lo.

"Sera... Espera... Me desculpa."

Eu o encarei, a raiva crescendo como fogo. "Você tá arrependido?"

Ele passou a mão pelo cabelo, o bagunçando ainda mais. "Eu... Eu perdi a noção do tempo. Tava com a Celeste e..."

Não consegui segurar a risada. Era isso ou gritar no estacionamento de uma escola primária.

"Claro que você tava com ela. Você não tá atrasado, Kieran. Você escolheu não participar da reunião. Você escolheu ela."

"Não é isso," ele disse, o rosto se retorcendo em frustração. "Eu não queria..."

"Eu não me importo com o que você queria," retruquei. "O que me importa é o que aconteceu, é o fato de que você não participou desse momento da vida do seu filho. Você perdeu exposição de projetos. O Daniel fez a casinha de passarinho mais fofa de todas. A professora dele só elogiou o nosso filho. E você não estava presente. Ele se esforçou ao máximo pra te deixar orgulhoso e você nem sequer apareceu."

Kieran parecia querer discutir, como se tivesse mil desculpas esperando para serem ditas, mas eu não tava nem aí.

"Ele chorou," continuei, com uma voz cortante. "Você prometeu a ele e ele confiou em você, ele acreditou em você. Depois dessa, ele disse que nunca mais vai confiar em você. Você sabe o que isso significa? O que isso provoca em uma criança?"

Kieran deu um passo à frente com o rosto duro como pedra. "Não vai acontecer de novo."

Eu olhei para ele, sentindo como se estivesse olhando para um estranho.

O Kieran que eu conhecia era honrado, um homem de palavra.

Esse homem, que beijou a ex enquanto cortejava a irmã dela e depois quebrou uma promessa ao filho...

Eu não o conhecia.

"Você diz isso agora, mas o que vai acontecer na próxima vez que a Celeste ligar? O que vai acontecer quando vocês dois eventualmente se casarem e tiverem um filho?"

Essas palavras causaram uma dor inexplicável no meu peito, mas afastei esse sentimento e foquei na raiva. "Em qual posição da sua lista de prioridades o Daniel vai aparecer?"

O maxilar dele se contraiu. "Não diga isso."

"Eu digo sim, porque é a verdade e alguém precisa dizer. Você já fez sua escolha. Mas eu te juro, Kieran..." Apontei um dedo para o peito dele e seus olhos escureceram. "Se você machucar o Daniel assim de novo, eu não vou ficar parada. Eu vou levá-lo embora e você nunca mais o verá."

Pela cara do Kieran, parecia que eu tinha jogado uma bomba na frente dele e, pela primeira vez, ele ficou em silencio, sem saber como responder.

Porque ele sabia que eu estava falando sério.

Daniel era a única coisa no mundo que eu não tratava com leviandade e eu não deixaria ninguém partir o coração do meu bebê, muito menos o Kieran e a maldita da Celeste.

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