PERSPECTIVA DA SERAPHINA
Com a Maya maravilhosamente ocupada com os encontros e radiante com a novidade do relacionamento, me encontrei sozinha após o treinamento pela primeira vez em um bom tempo.
Ela estava tão feliz hoje que parecia ronronar durante o combate. De um jeito bom, ela me cansou, mas ao mesmo tempo me senti... vazia. Era bobagem, talvez, já que nossa amizade era recente, mas eu sentia falta de passar o tempo com ela.
Como ela terminou nossa sessão mais cedo, em vez de ir direto para casa, decidi fazer compras. Sem ter que saciar o apetite voraz do Daniel, ainda não tinha precisado reabastecer a despensa.
Quando terminei as compras no mercado, fui até o shopping. Eu sentia muitas saudade do meu bebê e, já que não podia estar com ele fisicamente, pensei em comprar uns presentes para mandar para ele. Depois que comecei a escolher os itens, não consegui mais parar. Comprei livros, quebra-cabeças, materiais de papelaria, roupas e sapatos.
Sacudi a cabeça enquanto saía do shopping empurrando o carrinho transbordando.
Eu raramente gastava dinheiro comigo mesma, mas esvaziaria minha conta bancária se isso deixasse o Daniel feliz.
Ao me aproximar das portas de vidro automáticas, a loja especializada em jogos chamou minha atenção. Parei, olhei para o meu carrinho lotado, depois para a loja, e entrei.
Segui o piscar familiar das luzes pixeladas até a parede de lançamentos limitados. Soltei um suspiro de alívio quando o vi... E só restava uma cópia. Dragon Blight III: Em Busca da Tempestade de Fogo.
O Daniel era obcecado pelo jogo e já tinha jogado Dragon Blight I e II tanto que decorou cada nível e dominou cada movimento. Além disso, ele estava muito animado com o desafio que o novo lançamento traria.
No exato momento em que a minha mão se estendeu, outra também o fez. Dedos tocaram os meus, quentes, calejados e dolorosamente familiares. Eu congelei.
Kieran.
Ele piscou para mim, tão surpreso quanto eu. E, por um momento, nenhum de nós se moveu, como se as nossas mãos nos prendessem em um impasse invisível.
Ele foi o primeiro a limpar a garganta. "Sera."
Não me permiti hesitar. "Kieran."
Ele olhou para o jogo entre nós e depois voltou seu olhar para mim. "O favorito do Daniel."
"Eu sei," respondi tranquilamente. "Ia pegar pra ele."
"Eu também."
O silêncio se estendeu, denso e pesado.
"Deixa que eu compro," ele disse. "Eu pago e envio no seu nome."
Me irritei. "Não é necessário."
"Sera..."
"Posso comprar um jogo pro meu filho," falei, mais afiada do que pretendia. "Nunca precisei do seu dinheiro antes e certamente não preciso agora."
Ele suspirou. "Não foi isso que eu quis dizer."
"Não importa," resmunguei, pegando o jogo.
O maxilar dele ficou tenso. "Como você planeja entregar pra ele, afinal? Você não pode mandar o correio entregar em uma ilha super confidencial e segura."
Eu congelei. Não tinha pensado nisso. Comprei tantos presentes para o Daniel que dariam para encher o saco do Papai Noel e nem sequer considerei como iria entregá-los .
Kieran arqueou uma sobrancelha, esperando minha resposta com um olhar já convencido.
"O Beta Gavin," eu disse de repente. "Tenho certeza de que ele sabe como entregar pacotes na 'ilha super confidencial e segura'."
Com isso, me virei e fui em direção ao caixa de autoatendimento, pegando minha carteira.
Pelo visto, toquei em um ponto sensível do Kieran.
Ele se aproximou enquanto eu escaneava o código de barras e disse, com a voz tensa: "Talvez você tenha dito um total de cinco frases pro Gavin durante o nosso casamento e confiaria nele pra isso, mas não em mim?"
Virei-me de frente para ele. "Por que não? Você sabe muito bem que ele é profissional. Eficiente." Coloquei o jogo na sacola e olhei para o Kieran de forma incisiva. "E ele nunca se dirigiu a mim como se eu fosse sujeira debaixo do sapato dele."
Virei-me a tempo de vê-la vindo na nossa direção com um casaco de grife, o cabelo perfeitamente ondulado e segurando sacolas de compras em uma mão e o celular na outra.
"Aí está você!" disse ela, ofegante. "Você simplesmente desapareceu no meio da minha prova de roupa. Você sabe que preciso da sua opinião."
Então, ela me olhou, o sorriso se transformando em algo cortante. "Ah. Oi, Sera." Sua voz era puro veneno, mas tinha um toque de doçura.
Eu não disse nada.
O olhar dela deslizou para o jogo na minha mão. "É pro Daniel, né?"
Recuei quando ela arrancou o jogo da minha mão, seus olhos aguçados passando pelo título. "Ah, ele me contou que é obcecado por esse jogo!"
Ele contou a ela? Com certeza ela estava blefando. Eu não conseguia imaginar que eles tinham se aproximado tanto a ponto do Daniel compartilhar seus hobbies com ela.
"Tô assistindo tutoriais pra aprender a jogar. Talvez a gente possa jogar juntos em breve," ela sorriu como se tivesse acabado de descobrir o sol, "ele adoraria."
Não percebi como estava imobilizada até o Kieran se colocar parcialmente na minha frente e dizer, com a voz firme. "Não tem como jogar remotamente com alguém que esteja na ilha, Celeste. É um circuito fechado por segurança."
Celeste piscou e os lábios dela se entreabriram como se ela estivesse surpresa com a correção, ela se recuperou rapidamente. "Ah, claro. Obviamente." Ela se aproximou dele, a voz melosa. "De qualquer forma, sobre este fim de semana... Meu look pro baile de gala ainda não tá decidido. Isso é muito importante, é a minha primeira aparição pública como sua companheira oficial e tudo mais. Quero ter certeza de que estarei deslumbrante."
Pisquei, surpresa com a forma como o meu peito apertou as palavras dela.
Ela envolveu os braços no dele e se inclinou para o Kieran. "Você não me disse que cores pretende usar. É importante que a gente combine, pra mostrar ao mundo como nos complementamos bem."
As palavras dela eram como uma faca sendo torcida lentamente no meu peito. Mas eu já estava cansada de sofrer por causa do Kieran e da Celeste.
Ela nem se mexeu quando tirei o jogo das suas mãos e me virei para o meu carrinho sem dizer mais nada.
Quando passei pelo Kieran, não olhei para trás, mas senti o olhar dele em mim, pesado e firme.
Continuei andando, indo cada vez mais longe até que a voz da Celeste se tornou um murmúrio inaudível e até que eu pudesse esquecer toda a interação e finalmente respirar novamente.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei
Finalmente toda a verdade do Lucian veio à tona. Só não faz sentido ele saber antes de qualquer pessoa (inclusive família) que a Zara era prima. Cadê a tia irmã de Margareth então? Porque Sera e Margareth foram mais importantes para Catherine do que esse outro braço da família?...
Quero saber até onde o Lucian estar envolvido com Katherine e Marcos...
Ok, sera não aceitar o vínculo. Agora deixa o Kieran seguir a vida dele em paz...
Tá muito bom os capítulos...
Preciso de ajuda pra comprar moedas, não consigo completa minha compra...
Sera era uma bobinha manipulada e do nada se tornou fodona. A autora exagerou demais. Comecei a ler uma romance onde o começo imita uma história que já existe e depois, a autora acrescentou "os mutantes" na história. Kkkkk Mas os capítulos que abrem essa história nada mais é do quem o plágio de uma história que já existe. A irmã, o marido que gosta da irmã, a noite em que a irmã errada dorme com o cara, casa com ele tem um filho. O divórcio e só depois ele começa a gostar dela... Enfim, copiou na cara dura....
Livro muito bom!!! Sem muita enrolação e historia com enredo e fluxo. Aguardando próximos capítulos e o encerramento breve!!!...
SERAPHINA é muito fraca e idiota,Catherine manipula ela fácil fácil, eu ia lá se sacrificar por uma pai uma família que sempre me tratou mal, eles que se virem...
Escritora por favor, melhora isso aí, Sera fez o ex marido comer o pão que o diabo amassou, botou homens na cara dele, agora a cobra da irmã dela baixa o espírito de Santa e Sara na primeira oportunidade já vai abraçar, me poupe, mais criatividade por favor...
Quando Sera vai descobrir a peste falsa e manipulador que lucian é?? Ele ainda foi embora com o amor da vida dele e ainda deixou a Sera responsável pelos negócios dele, Sera é muito idiota,...