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Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei romance Capítulo 41

PERSPECTIVA DA SERAPHINA

Eu estava à beira de um colapso.

Estava na frente do meu espelho de corpo inteiro na noite do baile de gala, com o coração disparado e as mãos suadas, completamente convencida de que o meu vestido era um erro.

Era um azul-marinho cintilante e se envolvia ao meu redor como uma versão em tecido fluído da meia-noite. A peça era de um ombro só, com uma cintura ajustada que se abria levemente na parte de baixo. Ele fazia eu me sentir majestosa, bonita e... visível. Visível demais.

E se fosse exagerado? E se fosse óbvio que esse vestido deslumbrante e delicado não pertencia ao corpo de alguém tão simples e comum como eu?

Me imaginei caminhando pelo tapete vermelho e fazendo todas as cabeças se virarem, as bocas se abrirem em sorrisos zombeteiros e as pessoas apontarem e rirem, chamando-me de fraude.

Talvez ir no baile fosse uma má ideia. Ainda dava tempo de desistir. Eu podia tirar... essa fantasia, colocar o meu pijama confortável e esquecer que um dia fui tão iludida e...

O som da campainha me despertou do meu devaneio e o meu coração deu um salto dentro do peito.

O Lucian tinha chegado.

"Droga," sussurrei, com o pulso acelerado.

Acho que não tinha mais volta.

Peguei minha bolsa e calcei os sapatos de salto com mãos trêmulas, tentando lembrar de respirar.

Abri a porta hesitante, preparando-me para uma decepção educada.

Mas o Lucian não disse uma palavra.

Ele apenas olhou. Olhos arregalados, queixo caído.

"Lucian?" Perguntei cautelosamente, lutando contra o desejo de me esconder. "Tá... Tá tão ruim assim?"

Os olhos dele focaram nos meus. "O quê? Não. Não, Sera... Deuses. Você tá..."

Sua boca se abriu e se fechou novamente, como se as cordas vocais tivessem falhado.

Eu queria morder os lábios, mas estava de batom. Queria esfregar as palmas das mãos suadas no vestido, mas isso seria um crime digno de prisão. Queria passar as mãos pelo cabelo, mas tinha passado horas enrolando e fazendo um penteado meio-preso, meio-solto complexo.

Não tinha como aliviar a ansiedade que corria solta dentro de mim.

"Eu tô...?"

"Como se a Deusa da Lua tivesse descido do trono e decidido aniquilar nós, mortais, com a sua beleza."

Eu pisquei. "Isso é... bem específico."

Ele deu um sorriso meio torto. "E muito verdadeiro. Você tá deslumbrante, Sera."

Um calor subiu pelo meu pescoço e eu nunca fui tão grata pela maquiagem. "Eu não pareço... estranha?"

Eu não estava buscando mais elogios, mas o Lucian já tinha me visto nos meus piores momentos, então se ele achava que eu poderia me encaixar entre os mais sofisticados, talvez eu acreditasse que sim.

Ele deu um passo à frente, me observando com as suas pupilas dilatadas. "Você tá um espetáculo, Sera. Ninguém vai conseguir tirar os olhos de você... e não porque você tá 'estranha'." Ele pegou a minha mão e eu prendia a respiração. "Mas porque você será a mulher mais linda no salão."

Soltei o ar na forma de um suspiro de alívio, quase desabando contra ele. Lucian tinha uma habilidade incrível de me acalmar e ele era tão sincero que eu tinha que acreditar que realmente estava bonita.

"Obrigada." Sorri, me sentindo melhor.

"Falando em deuses aniquilando mortais..." Eu disse, lançando um olhar apreciativo pelo corpo dele. Ele usava um smoking preto feito sob medida, cortado perfeitamente para a sua silhueta, uma camisa branca impecável por baixo, lapelas de cetim e abotoaduras que brilhavam sob a luz do meu alpendre. Seu cabelo escuro estava penteado para trás dando a impressão de bagunçado o suficiente para dar a entender que ele não se esforçou demais.

Cada detalhe exalava poder, riqueza e controle. A ideia de entrar no baile de gala ao lado dele me deixava tonta.

Lucian abriu um sorriso e estendeu os braços. "E aí, gostou?"

Levantei as mãos como se fosse me proteger. "Não, por favor, pare. Você tá me cegando! Meus olhos não vão suportar."

O riso dele ecoou na noite tranquila e, quando segurei sua mão e ele me conduziu até a limusine que nos esperava, deixei minha ansiedade e insegurança para trás, na porta de casa.

***

O tapete vermelho parecia surreal.

Câmeras piscavam como fogos de artifício, vozes gritavam nomes que eu não reconhecia e perguntas zuniam ao nosso redor como moscas.

O Lucian permaneceu próximo a mim, com a mão firme nas minhas costas e a voz baixa que me dava estabilidade.

"Você tá se saindo muito bem," ele murmurou, entre responder perguntas dos repórteres e posar para fotos.

Capítulo 41 1

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