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Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei romance Capítulo 42

PERSPECTIVA DA SERAPHINA

Eu nunca tinha estado em um lugar como esse antes.

Os lustres de cristal brilhavam como se estivessem se candidatando a estrelas. As mesas estavam cobertas por toalhas de seda e tinham plaquinhas com nomes que eu só conhecia através de revistas: Alfas, Betas, magnatas, dignitários.

Lucian mantinha a mão suavemente nas minhas costas enquanto éramos escoltados até a nossa mesa. Sua presença era como uma âncora silenciosa, mas firme.

O baile estava deslumbrante e nossa entrada tinha sido mais tranquila do que eu esperava, para ser sincera, considerando não tive nenhuma interação direta com o Kieran e a Celeste e sai sem um arranhão.

Mas, assim que me sentei e a cerimonialista anunciou o programa do evento e os palestrantes, minha garganta secou e minha ansiedade voltou com força total.

Porque, esta noite, eu não era apenas o par do Lucian.

Eu também era a palestrante principal do programa da SDS.

Eu estava prestes a vomitar. Ou desmaiar. Ou entrar em combustão e virar cinzas de ansiedade.

Lucian se inclinou e a voz dele soou como um murmúrio quente no meu ouvido. "Você consegue."

Eu olhei para ele, desesperada por um pouco da certeza dele. "Como você pode ter tanta certeza?"

"Porque tudo que você precisa fazer é falar com o coração. E você é a pessoa mais sincera que já conheci, Sera." Ele apertou suavemente minha mão debaixo da mesa. "Não tente impressionar ninguém, apenas diga a verdade."

Eu engoli em seco.

A verdade.

Eu tinha que subir naquele palco e contar para a elite da nossa comunidade como passei a vida toda sendo ridicularizada, desprezada e ignorada por não ter uma loba. Eu tinha que recordar os detalhes de um casamento sem amor onde nunca fui suficiente e depois descrever como fui descartada assim que a minha irmã reluzente reapareceu.

Aquele pensamento fez meu estômago revirar violentamente.

Logo, meu nome foi chamado.

Lucian apertou minha mão uma última vez, me encorajando com um sorriso de 'você consegue' enquanto eu me levantava, ligeiramente trêmula.

"Você consegue, Sera," murmurei para mim mesma, enquanto todos os olhares curiosos se voltavam para mim.

O som dos meus saltos ecoando nos degraus do palco parecia ressoar ao meu redor e as luzes eram tão brilhantes que eu mal conseguia ver a plateia, o que provavelmente era bom, assim eu não veria os julgamentos e desaprovações.

Olhei para minhas mãos: não estavam tremendo, estavam rígidas. Minha língua parecia pesada na boca.

Você consegue, Sera.

Respirei fundo. E depois respirei outra vez. E então, comecei.

A verdade.

"Eu tinha quinze anos quando me senti diferente pela primeira vez."

A sala ficou em silêncio.

Comecei. Arranquei o curativo de uma vez só. Agora não tinha mais volta.

"Sempre senti falta da sensibilidade da loba que surgia gradualmente antes da primeira Transformação." Inspirei profundamente. "Mas, então, todos os meus amigos se transformaram pela primeira vez. Meu irmão também. Minha irmã mais nova também. Aos dezenove, eu tive certeza... que havia algo de errado comigo."

Minhas mãos apertaram firmemente a borda do púlpito enquanto eu continuava a falar.

"Tão rápido quanto eu percebi isso, todos ao meu redor também perceberam. Eu não era o tipo de garota de quem se esperava muito, não era a filha que dava orgulho aos pais, não era a loba que um companheiro levaria para a Alcateia. Eu era apenas alguém esquecida no canto de uma sala."

Olhei para cima e encontrei Lucian me observando, firme e orgulhoso, destacando-se no mar de rostos.

"Eu nunca fui aceita pela minha Alcateia, nunca fui valorizada pela minha família. Mas a SDS não me deixou de escanteio. Eles me aceitaram no meu pior momento, sem exigir poder ou status. Eles olharam além do que eu era e viram o que eu poderia ser." Tentei encontrar a Maya na multidão, ela tinha dito que viria com o companheiro, mas parecia que ainda não tinha chegado.

"Tudo o que a SDS pediu de mim foi determinação. Pra treinar, pra me curar, pra me ajudar de uma maneira que ninguém jamais fez. E, pela primeira vez na vida, não me senti impotente ou inútil ou defeituosa. Me senti forte."

Meus lábios se curvaram em um leve sorriso. "A SDS me ajudou a perceber que posso ser diferente, sim. Mas é aí que encontro minha força."

Não houve nenhum ruído na multidão, nenhuma tossidela educada, apenas... silêncio. Meus lábios eram a única coisa se movendo.

"E eu sei que não sou a única. Existem lobos por aí como eu, sentindo-se perdidos, esquecidos, inúteis. O que a SDS faz não é apenas nos treinar, é nos despertar, é sobrevivência, é esperança. E eu sou a prova viva de que a esperança importa. Ela cura e transforma. E, se você der uma chance a isso, der uma chance a si mesmo, vai se surpreender com o que pode alcançar."

Eu sorri gentilmente, embora meu coração estivesse batendo como um animal enjaulado.

"Obrigada."

O silêncio que se seguiu foi absoluto.

O pânico subiu pela minha coluna. Oh, Deuses. Será que fui longe demais? Fui muito direta? As pessoas estavam envergonhados por mim?

E então—

Uma única palma.

Depois outra.

E então, como uma explosão, todo o salão de baile irrompeu em aplausos. As pessoas se levantaram. Aplaudiram, gritaram e assobiaram, e alguém até gritou: "Muito bem, garota!"

O barulho me atingiu como uma onda, me impressionando com o seu calor.

Pisquei quando os meus olhos começaram a arder de repente. Quase não consegui me mover quando a cerimonialista me agradeceu e me indicava a saída do palco.

Lucian já estava esperando quando desci as escadas, com os olhos brilhando e a mão estendida.

Capítulo 42 1

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