PERSPECTIVA DA SERAPHINA
Eu nunca tinha estado em um lugar como esse antes.
Os lustres de cristal brilhavam como se estivessem se candidatando a estrelas. As mesas estavam cobertas por toalhas de seda e tinham plaquinhas com nomes que eu só conhecia através de revistas: Alfas, Betas, magnatas, dignitários.
Lucian mantinha a mão suavemente nas minhas costas enquanto éramos escoltados até a nossa mesa. Sua presença era como uma âncora silenciosa, mas firme.
O baile estava deslumbrante e nossa entrada tinha sido mais tranquila do que eu esperava, para ser sincera, considerando não tive nenhuma interação direta com o Kieran e a Celeste e sai sem um arranhão.
Mas, assim que me sentei e a cerimonialista anunciou o programa do evento e os palestrantes, minha garganta secou e minha ansiedade voltou com força total.
Porque, esta noite, eu não era apenas o par do Lucian.
Eu também era a palestrante principal do programa da SDS.
Eu estava prestes a vomitar. Ou desmaiar. Ou entrar em combustão e virar cinzas de ansiedade.
Lucian se inclinou e a voz dele soou como um murmúrio quente no meu ouvido. "Você consegue."
Eu olhei para ele, desesperada por um pouco da certeza dele. "Como você pode ter tanta certeza?"
"Porque tudo que você precisa fazer é falar com o coração. E você é a pessoa mais sincera que já conheci, Sera." Ele apertou suavemente minha mão debaixo da mesa. "Não tente impressionar ninguém, apenas diga a verdade."
Eu engoli em seco.
A verdade.
Eu tinha que subir naquele palco e contar para a elite da nossa comunidade como passei a vida toda sendo ridicularizada, desprezada e ignorada por não ter uma loba. Eu tinha que recordar os detalhes de um casamento sem amor onde nunca fui suficiente e depois descrever como fui descartada assim que a minha irmã reluzente reapareceu.
Aquele pensamento fez meu estômago revirar violentamente.
Logo, meu nome foi chamado.
Lucian apertou minha mão uma última vez, me encorajando com um sorriso de 'você consegue' enquanto eu me levantava, ligeiramente trêmula.
"Você consegue, Sera," murmurei para mim mesma, enquanto todos os olhares curiosos se voltavam para mim.
O som dos meus saltos ecoando nos degraus do palco parecia ressoar ao meu redor e as luzes eram tão brilhantes que eu mal conseguia ver a plateia, o que provavelmente era bom, assim eu não veria os julgamentos e desaprovações.
Olhei para minhas mãos: não estavam tremendo, estavam rígidas. Minha língua parecia pesada na boca.
Você consegue, Sera.
Respirei fundo. E depois respirei outra vez. E então, comecei.
A verdade.
"Eu tinha quinze anos quando me senti diferente pela primeira vez."
A sala ficou em silêncio.
Comecei. Arranquei o curativo de uma vez só. Agora não tinha mais volta.
"Sempre senti falta da sensibilidade da loba que surgia gradualmente antes da primeira Transformação." Inspirei profundamente. "Mas, então, todos os meus amigos se transformaram pela primeira vez. Meu irmão também. Minha irmã mais nova também. Aos dezenove, eu tive certeza... que havia algo de errado comigo."
Minhas mãos apertaram firmemente a borda do púlpito enquanto eu continuava a falar.
"Tão rápido quanto eu percebi isso, todos ao meu redor também perceberam. Eu não era o tipo de garota de quem se esperava muito, não era a filha que dava orgulho aos pais, não era a loba que um companheiro levaria para a Alcateia. Eu era apenas alguém esquecida no canto de uma sala."
Olhei para cima e encontrei Lucian me observando, firme e orgulhoso, destacando-se no mar de rostos.
"Eu nunca fui aceita pela minha Alcateia, nunca fui valorizada pela minha família. Mas a SDS não me deixou de escanteio. Eles me aceitaram no meu pior momento, sem exigir poder ou status. Eles olharam além do que eu era e viram o que eu poderia ser." Tentei encontrar a Maya na multidão, ela tinha dito que viria com o companheiro, mas parecia que ainda não tinha chegado.
"Tudo o que a SDS pediu de mim foi determinação. Pra treinar, pra me curar, pra me ajudar de uma maneira que ninguém jamais fez. E, pela primeira vez na vida, não me senti impotente ou inútil ou defeituosa. Me senti forte."
Meus lábios se curvaram em um leve sorriso. "A SDS me ajudou a perceber que posso ser diferente, sim. Mas é aí que encontro minha força."
Não houve nenhum ruído na multidão, nenhuma tossidela educada, apenas... silêncio. Meus lábios eram a única coisa se movendo.
"E eu sei que não sou a única. Existem lobos por aí como eu, sentindo-se perdidos, esquecidos, inúteis. O que a SDS faz não é apenas nos treinar, é nos despertar, é sobrevivência, é esperança. E eu sou a prova viva de que a esperança importa. Ela cura e transforma. E, se você der uma chance a isso, der uma chance a si mesmo, vai se surpreender com o que pode alcançar."
Eu sorri gentilmente, embora meu coração estivesse batendo como um animal enjaulado.
"Obrigada."
O silêncio que se seguiu foi absoluto.
O pânico subiu pela minha coluna. Oh, Deuses. Será que fui longe demais? Fui muito direta? As pessoas estavam envergonhados por mim?
E então—
Uma única palma.
Depois outra.
E então, como uma explosão, todo o salão de baile irrompeu em aplausos. As pessoas se levantaram. Aplaudiram, gritaram e assobiaram, e alguém até gritou: "Muito bem, garota!"
O barulho me atingiu como uma onda, me impressionando com o seu calor.
Pisquei quando os meus olhos começaram a arder de repente. Quase não consegui me mover quando a cerimonialista me agradeceu e me indicava a saída do palco.
Lucian já estava esperando quando desci as escadas, com os olhos brilhando e a mão estendida.
Como eu nunca a tinha conhecido?
Ela estava bem debaixo do meu nariz há dez malditos anos e eu estava cego. Desatento. Tão estúpido.
Quando ela disse 'E eu sou a prova viva', meu peito doeu com um sentimento que eu não conseguia nomear. Seria orgulho? Arrependimento? Desejo?
O silêncio após o discurso dela foi insuportável. Eu sabia que a plateia provavelmente estava atônita, mas eu não podia deixá-la ali pensando que tinha falhado.
Então, eu aplaudi. Primeiro. Forte.
Em seguida, os demais me acompanharam, e eu a vi estremecer, depois se iluminar ao perceber o que tinha acontecido. Aquele sorriso... Deuses, aquele sorriso! Eu queria tirar uma foto, fazer várias cópias e pendurá-las em todos os lugares que eu frequentava só para poder ver aquele sorriso em todos os lugares que eu fosse.
Quando o Lucian a encontrou ao pé da escada e pegou sua mão, aquele sorriso radiante foi direcionado a ele, enquanto os aplausos ainda ecoavam. Naquele momento, algo dentro de mim se revirou de tal forma que quase me sufocou.
Então, a cerimonialista anunciou a primeira valsa e todo o ar foi arrancado dos meus pulmões.
Lucian e Sera. Não. Não, isso não podia estar acontecendo.
A primeira valsa não era apenas uma tradição, era uma afirmação, uma declaração simbólica. E, como Alpha, o Lucian sabia disso. Ele sabia exatamente o que significava guiá-la sob as luzes e tomar a sua mão na frente dos lobos mais elitizados da região. Ele estava fazendo uma reivindicação pública e velada sobre a Seraphina.
"Minha", rosnou Ashar. Meu maxilar se apertou quando eles começaram a dançar.
Ela o olhou quase com timidez. E ele a olhou como se ela fosse a única mulher no salão.
Os passos dela estavam um pouco hesitantes, mas eu a vi relaxar nos braços dele enquanto deslizavam pela pista de dança.
Meus músculos se contraíam para me impedir de avançar e separá-los à força.
"A gente deve se juntar a eles?" A voz da Celeste cortou a névoa na minha mente. Suas unhas já estavam cravadas no meu braço de novo. "Precisamos causar uma boa impressão."
Balancei a cabeça, tentando manter a voz firme. "Não tô a fim. Vá você, se quiser."
Celeste bufou. "Sério? É o nosso primeiro baile, Kie. Você vai deixar a Sera e o novo cachorrinho dela ofuscarem a gente, bem depois daquele discurso ridículo de coitadinha dela?"
"Vou ao banheiro," resmunguei, levantando-me.
Antes que a Celeste pudesse protestar, eu já estava me afastando, de costas para a multidão reunida.
Porque, se eu pisasse naquela pista de dança, se eu chegasse perto o suficiente para ver a Sera nos braços do Lucian, sorrindo daquele jeito para ele... Eu não confiava em mim mesmo.
Não sei se perderia a cabeça.
Não sei se me conteria para não afastá-lo dela, para não causar uma cena.
Deuses, o que estava acontecendo comigo?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei
Finalmente toda a verdade do Lucian veio à tona. Só não faz sentido ele saber antes de qualquer pessoa (inclusive família) que a Zara era prima. Cadê a tia irmã de Margareth então? Porque Sera e Margareth foram mais importantes para Catherine do que esse outro braço da família?...
Quero saber até onde o Lucian estar envolvido com Katherine e Marcos...
Ok, sera não aceitar o vínculo. Agora deixa o Kieran seguir a vida dele em paz...
Tá muito bom os capítulos...
Preciso de ajuda pra comprar moedas, não consigo completa minha compra...
Sera era uma bobinha manipulada e do nada se tornou fodona. A autora exagerou demais. Comecei a ler uma romance onde o começo imita uma história que já existe e depois, a autora acrescentou "os mutantes" na história. Kkkkk Mas os capítulos que abrem essa história nada mais é do quem o plágio de uma história que já existe. A irmã, o marido que gosta da irmã, a noite em que a irmã errada dorme com o cara, casa com ele tem um filho. O divórcio e só depois ele começa a gostar dela... Enfim, copiou na cara dura....
Livro muito bom!!! Sem muita enrolação e historia com enredo e fluxo. Aguardando próximos capítulos e o encerramento breve!!!...
SERAPHINA é muito fraca e idiota,Catherine manipula ela fácil fácil, eu ia lá se sacrificar por uma pai uma família que sempre me tratou mal, eles que se virem...
Escritora por favor, melhora isso aí, Sera fez o ex marido comer o pão que o diabo amassou, botou homens na cara dele, agora a cobra da irmã dela baixa o espírito de Santa e Sara na primeira oportunidade já vai abraçar, me poupe, mais criatividade por favor...
Quando Sera vai descobrir a peste falsa e manipulador que lucian é?? Ele ainda foi embora com o amor da vida dele e ainda deixou a Sera responsável pelos negócios dele, Sera é muito idiota,...