POV DA CELESTE
Na primeira vez que saí de casa, eu não suportei abrir mão dos meus confortos.
Villas particulares com vista para o Egeu, festas em iates em Ibiza, beach clubs em Miami. Sol e luxo eram os dois pilares da minha existência.
Duas coisas que agora eu nem conseguia lembrar a última vez que tinha vivido.
Estremeci ao sair do Blue Lantern e sentir a chuva fria arder nas minhas bochechas. Me encolhendo sob o toldo, apertei minha jaqueta fina contra o corpo e lancei um olhar irritado para o céu sombrio e carrancudo.
A chuva caía em uma garoa constante e, sinceramente, eu já tinha feito a caminhada de quinze minutos até em casa em climas piores, mas—
Mas nada.
Reclamar era um luxo que eu não merecia mais.
Nenhum motorista particular estava me esperando para me levar, cercada de conforto, até uma mansão deslumbrante com empregados prontos para massagear meus pés e preparar um banho quente.
Tudo o que me esperava era uma caminhada fria e encharcada até o meu apartamento infestado de baratas, onde a torneira de água quente era só... torneira.
E era isso.
Inspirei fundo, só para franzir o nariz com a mistura azeda de concreto molhado e lixo. Ajustando a bolsa, com as mãos enfiadas nos bolsos, abaixei a cabeça e encarei a chuva.
Mesmo à 1h da manhã, os primeiros quarteirões ainda fervilhavam de vida.
Carros deslizavam sobre o asfalto molhado, os faróis se espalhando pela rua em longos riscos amarelos, enquanto ônibus passavam pesados, com apenas alguns passageiros visíveis pelas janelas embaçadas.
Um casal saiu cambaleando de um bar à minha frente, rindo alto enquanto discutia onde tinha estacionado o carro.
Eles passaram por mim, e o ombro da garota bateu no meu.
“Ah, desculpa”, ela resmungou, bêbada, acenando com a mão em um gesto meio apologético. “Não te vi aí.”
Engoli uma resposta ácida e puxei de volta para o ombro a alça da bolsa que estava escorregando.
Havia muitas coisas às quais eu tive que me acostumar nessa nova vida: trabalho braçal, ser objetificada, pobreza beirando o limite.
Mas o que ainda doía, o que era mais difícil de aceitar, era o anonimato.
A ideia de que eu podia andar pela rua sem virar cabeças, de que ninguém reconhecia Celeste Lockwood e não se desdobrava para ganhar meu favor.
Eu deveria me sentir aliviada. Era exatamente por isso que eu tinha me mudado para Seattle, o oposto de onde eu havia crescido, uma cidade majoritariamente humana, com quase nenhuma influência de lobisomens.
Eu queria desaparecer, e tinha conseguido isso, talvez até bem demais, então não tinha direito de reclamar.
Atravessei a rua, contornando uma poça que tinha engolido metade da calçada, e vislumbrei meu reflexo na vitrine iluminada de uma academia vinte e quatro horas.
Fiz uma careta e desviei o olhar, me concentrando em colocar um pé na frente do outro.
O bairro estava muito mais silencioso agora. A maioria das lojas estava com as portas de aço abaixadas e, com exceção do morador de rua adormecido, encolhido sob um cobertor puído, eu estava sozinha. Entrei no beco em direção ao meu apartamento.
Eles surgiram do nada.
Um era alto e magro, com o capuz do moletom puxado baixo, escondendo o rosto na sombra. O outro, mais baixo e mais atarracado, usava um boné de beisebol e segurava um cigarro aceso.
Mudei de direção, pretendendo passar por eles do outro lado da calçada.
O alto se moveu comigo, acompanhando meus passos ao meu lado.
"Ei, linda."
Mantive a cabeça baixa e continuei andando. A chuva tinha virado uma névoa fantasmagórica, e se eu conseguisse chegar ao meu apartamento ilesa daquela merda toda, já me consideraria a mais sortuda entre os azarados.
O baixinho soltou um assobio baixo e passou a andar do meu outro lado. "Ei, meu amigo tá falando com você."
Minhas mãos se fecharam em punhos dentro da jaqueta. Mais dois minutos e meu prédio apareceria.
"Ei!"
O alto deu um passo à frente e bloqueou meu caminho, me obrigando a parar. "É falta de educação ignorar as pessoas quando elas estão falando com você."

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei
Era exatamente isso que eu temia: A escritora colocar como encerramento o dia que o Kieran finalmente marca a Sera. Que final mais tosco, milhares de pontas soltas… Ainda bem que ela mesma disse que terão capítulos extras, mas honestamente ñ deveriam ser extras, capítulos extras é o que acontece depois de tudo resolvido, e ñ para resolver o que ficou pendente, mas né… Acho que ela estava de saco cheio kkkkkk...
Eu estava gostando bastante do começo do livro, era incrível a cada capitulo novo. Agora tá cansativo, a historia fica dando voltas, capítulos pequenos, estou quase desistindo de continuar...
Não consigo pagar para ler o capitulo 490...
Estamos pagando 6 moedas por capítulos minúsculos...
Celeste é insuportável mesmo né? Mimada até o último fiozinho de cabelo. E eu não consigo confiar no Lucian de jeito nenhum... Ele pode ter ajudado a Sera e feito ela crescer e tal, mas cara... Suspeito!...
Parou no 407 cadê a continuação?...
Por favor, se não for continuar avisa para não ficarmos na expectativa...
Não tem mais capítulos?...
Parou no 407?...
Finalmente toda a verdade do Lucian veio à tona. Só não faz sentido ele saber antes de qualquer pessoa (inclusive família) que a Zara era prima. Cadê a tia irmã de Margareth então? Porque Sera e Margareth foram mais importantes para Catherine do que esse outro braço da família?...