POV DA CELESTE
Desde que Sera e Kieran derrotaram Catherine, eu vinha sendo atormentada por sonhos.
Eu tinha quase certeza de que eram memórias reprimidas, mas a Celeste daqueles sonhos era tão diferente da Celeste que eu conhecia que era mais fácil fingir que eram fruto de uma imaginação hiperativa do que uma versão de mim mesma que minha madrinha tinha roubado.
Um sonho, em especial, sempre me destruía tão completamente que eu acordava com lágrimas nos olhos e um peso esmagando meu peito.
Começava comigo dentro de um armário. Eu nunca sabia o que tinha me assustado, mas sabia que a Celeste de quatro anos estava apavorada.
Eu segurava um bicho de pelúcia: em alguns dias, uma girafa; em outros, um elefante; uma vez, um lobo estranhamente parecido com o de Daniel.
Então a porta se abria, deixando entrar uma fresta de luz por uma fração de segundo antes de minha irmã entrar.
“Aí está você”, ela sussurrava. “Procurei você em todos os lugares.”
Eu fungava. “Lá fora dá medo.”
Ela engatinhava até mim e, com delicadeza e facilidade, se encaixava atrás de mim, envolvendo os braços ao meu redor, de modo que eu ficava aninhada em seu abraço.
Ela apoiava o queixo entre meu pescoço e meu ombro, e eu me aconchegava nela, soltando o bicho de pelúcia para poder segurar seus braços.
“Dá menos medo comigo aqui?” ela perguntava.
Eu assentia, fechando os olhos. “Sempre dá menos medo quando você está aqui.”
Eu sempre me agarrava àquele sonho pelo máximo de tempo que conseguia, desesperada para continuar dormindo. Eu queria viver naquele armário imaginário para sempre, segura nos braços da minha irmã mais velha.
Mas eu sempre acordava: em uma cama vazia, um apartamento vazio, uma vida vazia.
E aqui fora dá medo.
***
Eu estava puta.
Eu estava puta enquanto lavava minhas roupas, vigiando a única máquina de lavar do porão como um falcão, porque sabia que, se eu saísse dali, elas desapareceriam.
Eu estava puta enquanto esfregava a lama do meu único par decente de tênis até meus dedos enrugarem.
Eu estava puta enquanto passava corretivo no pescoço para esconder o hematoma.
Eu estava puta quando o Nono Círculo começou a brincar de jogar hambúrgueres uns para os outros, deixando uma sujeira nojenta para esta que vos fala limpar.
Eu estava puta quando meu turno acabou, e eu tive que pegar o mesmo caminho de merda onde tinha sido atacada na noite anterior.
Puta e apavorada.
Tanto que quase aceitei a velha oferta de Joe de me acompanhar até em casa, mas eu preferia morrer a acabar em um beco sozinha com outro homem de novo.
Eu estava bem menos puta e muito mais apavorada enquanto fazia o caminho, segurando minha bolsa pelas alças para que, se precisasse, pudesse balançá-la como a arma mais patética do mundo.
Eu me recusava a ser pega desprevenida de novo; meus olhos corriam para cima, para baixo, para a direita, para a esquerda, para trás, para a frente. Eu veria o perigo chegando, e correria na direção oposta, caralho.
Mas, quando chegou a hora de atravessar a rua antes do beco, não consegui mexer os pés.
Medo do escuro não é nada especial, é praticamente uma exigência da infância. Mas não é exatamente o escuro que provoca pavor; é o desconhecido.
A mente inventa horrores para preencher o vazio, mas, quando as luzes se acendem, é só uma pilha inofensiva de roupas.
Mas eu sabia o que a escuridão à frente guardava: que cheiro tinha, que som fazia, como era a sensação dela pressionada contra mim.
Dei um passo hesitante para trás, e no mesmo instante tropecei para a frente quando alguém esbarrou em mim.
“Oh, merda!”
Eu me virei de repente, os olhos arregalados, o coração disparando na hora.
A loira alta que tinha trombado comigo estendeu a mão e segurou a minha, abrindo um sorriso de desculpa.
“Me desculpa mesmo. Você está bem?”
Pisquei para ela, travada.
O medo tinha me invadido, mas agora freou de repente quando registrei o rabo de cavalo alto, os fones neon rosa com orelhinhas de gato e a calça de yoga.
Os olhos cor de mel dela se arregalaram. “Merda, eu não machuquei você, né? Meu irmão diz que eu não tenho noção da minha própria força, e eu sei que não devia estar vindo tão rápido, mas gosto de fazer meu cardio no caminho para poder focar no treino de força quando chego de fato à academia. Dois coelhos com uma cajadada só, né? Você também está indo para lá? Talvez eu possa te pagar um shake de proteína como pedido de desculpas, ou você é mais do tipo smoothie de grama de trigo?”
Ela tinha dito tudo aquilo sem respirar, e eu senti vontade de dizer que o método dela estava funcionando, porque ela tinha um controle de respiração excelente, mas tudo o que consegui soltar foi um “O quê?” gaguejado.
Ela apontou atrás de mim. “Você não está indo para a Eden?”
Virei na direção que ela apontava, e a ficha caiu. Ela estava se referindo à academia do outro lado da rua, aquela que eu odiava olhar por causa da janela refletiva gigantesca.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei
Era exatamente isso que eu temia: A escritora colocar como encerramento o dia que o Kieran finalmente marca a Sera. Que final mais tosco, milhares de pontas soltas… Ainda bem que ela mesma disse que terão capítulos extras, mas honestamente ñ deveriam ser extras, capítulos extras é o que acontece depois de tudo resolvido, e ñ para resolver o que ficou pendente, mas né… Acho que ela estava de saco cheio kkkkkk...
Eu estava gostando bastante do começo do livro, era incrível a cada capitulo novo. Agora tá cansativo, a historia fica dando voltas, capítulos pequenos, estou quase desistindo de continuar...
Não consigo pagar para ler o capitulo 490...
Estamos pagando 6 moedas por capítulos minúsculos...
Celeste é insuportável mesmo né? Mimada até o último fiozinho de cabelo. E eu não consigo confiar no Lucian de jeito nenhum... Ele pode ter ajudado a Sera e feito ela crescer e tal, mas cara... Suspeito!...
Parou no 407 cadê a continuação?...
Por favor, se não for continuar avisa para não ficarmos na expectativa...
Não tem mais capítulos?...
Parou no 407?...
Finalmente toda a verdade do Lucian veio à tona. Só não faz sentido ele saber antes de qualquer pessoa (inclusive família) que a Zara era prima. Cadê a tia irmã de Margareth então? Porque Sera e Margareth foram mais importantes para Catherine do que esse outro braço da família?...