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Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei romance Capítulo 66

PERSPECTIVA DO LUCIAN

"Oi, querido!"

Sob a luz suave da lareira e o brilho da tela do celular, as bochechas da Sera ficaram rosadas enquanto ela sorria para o filho.

"Oi, mãe!" A voz alegre do Daniel ecoava do aparelho. "Liguei pra saber como foi a festa."

Os olhos da Sera se voltaram para mim por cima do telefone e ela me lançou um olhar de desculpas. Balancei a cabeça, sinalizando para ela continuar na ligação.

Vi que ela estava indecisa entre conversar com o filho e lidar com o que acabara de acontecer entre nós.

Mas eu tomei a decisão por ela. Levantei-me do sofá, criando uma distância entre nós. Apontei para a porta e movi os lábios: 'Te vejo amanhã.'

Ela abriu a boca como se fosse protestar, mas então...

"Mãe?" Daniel chamou. "Tá ocupada? Posso ligar mais tarde..."

"Ah, não, querido," ela disse, voltando a atenção para o celular. "Tô aqui, posso falar."

Quando nossos olhares se encontraram de novo, sorri. 'Boa noite.'

Ela retribuiu o sorriso timidamente e acenou de forma hesitante antes de voltar sua atenção para o filho.

Enquanto eu me dirigia para a porta, tentei não encarar a ligação como uma bênção disfarçada.

Ao sair, o ar me atingiu como um bálsamo fresco e revigorante. Inspirei profundamente e expirei lentamente, vendo a névoa se formar no ar da noite.

Meus dedos se aproximaram dos meus lábios, ainda quentes por causa do beijo, e uma sensação de desapontamento apertou o meu peito.

Eu acho que deveria ter previsto que não seria o mesmo. Não teve sem fogos de artifício, calor ou eletricidade. Mas, ainda assim, o vazio do beijo me deixou inquieto.

Foi um beijo quente, gentil e até agradável, mas só isso. Sem faísca. Sem aquele reconhecimento profundo que um dia senti, sem o eco daquela atração que conheci no passado.

Deveria me sentir vitorioso, afinal, a Sera finalmente estava se abrindo. Ela confiava em mim, se apoiava em mim.

Eu estava um passo mais perto do meu objetivo.

Mas o avanço não trouxe a satisfação que eu esperava.

A Sera era incrível, linda, inteligente, gentil e mais forte do que acreditava ser, até por não pensei que precisaria fingir tanto quanto fingi essa à noite.

Fui eu quem a beijou e, apesar de todas as mágoas que já tinha enfrentado, ela retribuiu o beijo. Aceitei aquele beijo com cuidado, mas não havia fogo nele, pelo menos não para mim.

E, ainda assim... a dor que se seguiu não foi decepção com ela. Foi comigo mesmo.

Com um xingamento sussurrado, peguei meu celular e disquei.

"Onde você tá?" perguntei assim que o Reece atendeu.

"Na SDS," meu Beta respondeu. "Já tô de saída."

"Fique aí," ordenei. "Preciso de uma bebida."

Ele hesitou. "Tá tudo bem, Alfa?"

A risada da Sera flutuou pela janela aberta e eu suspirei. Era um som suave e musical, mas não fazia meu coração disparar, diferente de…

Balancei a cabeça, mesmo que o Reece não pudesse me ver. "Nada que um whisky não resolva."

Desde quando deixei a casa da Sera e me dirigi ao meu carro, eu sabia que nenhuma quantidade de whisky poderia consertar o vazio no meu peito, que há muito tempo só fazia aumentar.

***

"Então," disse Reece mais tarde, me olhando com o canto dos olhos, "é hora de dar os parabéns?"

Olhei para o líquido âmbar no meu copo e senti o peito quente já por causa dos dois primeiros copos. O whisky era forte o suficiente para arder, mas não para embaralhar meus pensamentos. "Do que você tá falando?"

"Consigo sentir o cheiro dela em você," disse Reece, "Seraphina."

Apertei um pouco mais o copo ao ouvir o nome dela. A iluminação suave e o ambiente sombrio do meu lounge privativo na cobertura da SDS só pioravam meu humor.

"Nada disso," disse baixinho. "Nós só...nos beijamos."

Reece soltou um pequeno sopro de ar. "Isso é ótimo." Ele estendeu a mão e apertou meu ombro. "Parabéns."

Dei uma risada de desdém, tomando um grande gole da minha bebida.

"Tô muito feliz que você esteja fazendo isso, de verdade," ele continuou. "Tô contente que você tá seguindo em frente. Você não se permitiu ficar com ninguém desde..."

"Não," rosnei. Apertei o copo com tanta força que rachaduras se espalharam por ele. "Não ouse dizer o nome dela."

Não quando eu me esforçava tanto para não pensar nela, não quando eu estava lutando contra a dor esmagadora da saudade que eu sentia.

Capítulo 66 1

Capítulo 66 2

Capítulo 66 3

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