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Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei romance Capítulo 69

PERSPECTIVA DO KIERAN

'Eu devia ter ficado em casa.'

Esse pensamento repetia-se na minha mente como um tambor monótono enquanto eu estava próximo ao quiosque, com as mãos nos bolsos da jaqueta, fingindo estar interessado na pipoca caríssima.

Eu nem estava com fome. Eu saí de casa com a intenção de esvaziar a cabeça depois de mais uma discussão exaustiva com a Celeste, que tentava transformar minha vida em mais uma jogada de marketing.

Foi preciso toda a minha força de vontade para não quebrar a câmera do cinegrafista pálido que ela convidou para filmar um vídeo sobre um "dia na vida" de almas gêmeas que se reencontraram.

Mas, em vez de dirigir sem destino como planejava, acabei seguindo o caminho familiar até o Parque Griffith.

Enquanto ainda me culpava por ter ir até a casa da Sera, aquele irritante Aston Martin familiar estacionou na entrada dela.

E, quando o vi escoltando a Sera até o carro, enquanto ela segurava um enorme buquê de flores, perdi o controle.

Foi assim que acabei perseguindo o estúpido carro esportivo vermelho do Lucian Reed pelas ruas de LA como um idiota apaixonado.

Eu devia ter desistido quando eles entraram no cinema, devia ter dado meia-volta e ido para qualquer outro lugar.

Em vez disso, comprei um ingresso para o mesmo filme que eles estavam vendo e me sentei duas fileiras atrás, perto o suficiente para observar, longe o suficiente para não ser visto, completando minha queda para o nível de um perseguidor lunático.

Patético.

No começo, me convenci de que era uma mera curiosidade inofensiva e que eu só queria me certificar de que ela estivesse segura. O Lucian podia ser educado e charmoso, mas eu ainda não confiava nele.

Exceto que...

Ele não estava fazendo nada de errado, nem sequer colocou o braço em volta dela quando as luzes se apagaram e o filme começou, um romance exageradamente sentimental, pelo que pude perceber pela trilha sonora amplamente tocada no piano.

Tentei assistir, focar, mas tudo que eu conseguia ver eram eles.

Eles não estavam se tocando, conversando ou fazendo qualquer coisa além de assistir ao filme (que, sinceramente, teria mais espaço no Pornhub do que em um cinema respeitável).

Isso deveria me deixar feliz, mas eu não conseguia parar de focar no espaço minúsculo entre eles onde seus ombros se encostavam quando um deles respirava fundo.

Então, chegou o momento que quebrou o último fio da minha contenção.

O Lucian estendeu a mão lentamente e pegou a mão dela. Sera não recuou nem hesitou. Ela deixou ele segurá-la. Um segundo depois, ele virou a mão dela para cima e pressionou um beijo nos seus dedos.

Ela não se afastou.

Foi nesse momento que eu me levantei e saí do cinema, furioso como uma bomba prestes a explodir.

Minha visão ardia de irritação, raiva e uma dor crua para a qual eu não tinha nome.

O ar frio da noite me atingiu como um tapa. Apoiei-me na parede do prédio, respirando fundo e forçando meus pensamentos a se organizarem.

Eu não tinha o direito de me sentir assim.

A Sera não era mais minha. Aliás, ela nunca foi realmente minha, pelo menos não da forma que importava. Nunca a amei como um marido deveria amar sua esposa. Nunca a levei em um encontro nem comprei flores para ela.

Ela merecia isso, merecia estar com alguém que a valorizasse e cuidasse dela.

Bom. Isso era bom.

Eu tinha seguido em frente, estava com a Celeste. Eu não deveria me importar com o que a Sera fazia no seu tempo livre ou com quem fazia o que quer que fazia.

Então, por que parecia que estavam me despedaçando por dentro?

Eu estava prestes a ir embora, já estava até com as chaves do carro apertadas na mão, quando ouvi as vozes.

Altas. Indisciplinadas. Masculinas.

Meu olhar se dirigiu para as portas do cinema. Um grupo de adolescentes estava parado na entrada, rindo e se provocando entre eles, com a atenção fixa em um deles que se destacava.

Minhas sobrancelhas se ergueram enquanto eu seguia a linha de visão deles.

O que se destacava estava muito próximo da Sera, que esperava perto do cinema, enquanto o Lucian não estava em lugar nenhum.

A postura dele exalava arrogância enquanto se inclinava para ela, braços cruzados como se fosse o dono do pedaço e olhando para baixo com um sorriso presunçoso enquanto dizia algo que eu não conseguia ouvir.

Mas percebi como a Sera se enrijeceu e vi o sorriso forçado e a tensão nos ombros dela.

Eu já tinha me movido antes mesmo de decidir agir.

Eu estava próximo o suficiente para ouvir quando o garoto riu, como se a Sera tivesse contado uma piada.

"Não me diga que você não gosta de elogios."

"Ela gosta de elogios," eu disse, voz baixa e ameaçadora, "só não de alguém novo o suficiente pra ser filho dela."

O adolescente ficou pálido e sua expressão brevemente mostrou desconforto, mas depois se tornou presunçosa.

"Kieran," Sera disse, com os olhos se estreitando. "O que você tá..."

"Algum problema aqui?" perguntei seriamente, ignorando-a por hora.

O garoto sorriu. Devia ter uns dezessete anos, a julgar pelas marcas de acne no rosto e pela a confiança fora de lugar. "Não. Só tô conversando com a moça bonita aqui."

"Ela não tá interessada."

"É mesmo?" Ele se virou para a Sera, dando-lhe uma olhada demorada que fez o meu sangue ferver. "Ele é mais ou menos o seu namorado, é isso? Olha, sem querer ofender," ele olhou para mim, "mas você não parece ser o tipo dela. Você tem o quê? Dez, quinze anos a mais do que ela?"

Capítulo 69 1

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