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Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei romance Capítulo 70

PERSPECTIVA DA SERAPHINA

Mesmo depois de entrar no carro do Lucian e afivelar o cinto, minhas mãos ainda tremiam de raiva e minhas unhas penetravam nas palmas das mãos. O carro parecia apertado demais e ar no interior elegante do veículo parecia quente demais mesmo quando ele ligou o ar condicionado.

Lucian me olhou de relance enquanto dirigia, com as mãos firmes no volante.

"Você tá fervendo de raiva," ele observou com um pequeno sorriso e reparei nas luzes do painel lançando um brilho suave sobre seus traços marcantes.

"Claro que tô. Aquele idiota me olhou como se eu fosse alguma... coroa saída das fantasias de adolescente dele," murmurei. "E o Kieran estrangulou um moleque!" Balancei a cabeça. "Com idade pra ser a mãe dele?", resmunguei amargamente. "Sim, se eu tivesse engravidado com uns 12 anos!"

Lucian riu. Inacreditavelmente, ele riu.

Lancei um olhar afiado a ele.

Ele ergueu uma mão, com palma voltada para mim. "Não tô rindo do que aconteceu, mas sim da ideia de que você ainda não percebe o que todos os outros veem."

"O quê?" perguntei secamente.

"Que você é deslumbrante, Sera. É um perigo, na verdade. Você deveria começar a carregar uma placa de aviso."

Revirei os olhos, mas uma pequena parte de mim se aqueceu com o elogio.

O sinal ficou vermelho, então ele estendeu a mão e segurou a minha suavemente, o polegar acariciando os meus dedos.

"Tô falando sério," ele disse, mais suavemente agora. "Você entra em uma sala e os homens esquecem como respirar. Eles são atraídos pelo seu encanto como um ímã, e eu nem posso culpá-los."

"Isso é…" Balancei a cabeça, desesperada para não deixar a dúvida se instalar. As palavras do Lucian não faziam muito sentido.

Quem chamava a atenção e atraía os olhares masculinos como mariposas para a chama de uma vela era a Celeste, não eu. Eu não consegui fazer com que o meu marido me amasse nem mesmo depois de dez anos.

"Ei." O polegar do Lucian parou no meio do gesto. "No que tá pensando?" ele perguntou suavemente.

Forcei um sorriso. "Em nada."

Ele suspirou. "Olha, apesar da situação ter sido péssima, você lidou com ela com elegância. " Ele apertou a minha mão. "Como sempre faz."

Desta vez, meu sorriso surgiu mais facilmente. "Obrigada."

"Só pra deixar claro, não posso estrangular o próximo cara que te paquerar?" ele perguntou, com um sorriso de lado.

Revirei os olhos, rindo baixinho. "O que é essa mania dos Alfas de resolver tudo com violência?"

"Acho que você simplesmente tem a capacidade de fazer um homem perder a cabeça."

Ri novamente, mas uma parte de mim ficou pensativa. Será que foi isso que aconteceu com o Kieran? Fiz com que ele perdesse a cabeça? Soltei um risinho. Claro que não.

Seguimos em um silêncio confortável por um tempo e meu batimento cardíaco foi desacelerando lentamente enquanto a cidade passava pela janela.

Eu esperava que o Lucian me levasse para mais um daqueles lounges no terraço ou outro restaurante chique e exclusivo.

Em vez disso, passamos por uma entrada circular ladeada por elegantes lanternas e o carro foi imediatamente abordado por um manobrista de uniforme. Lucian sorriu ao ver minha expressão confusa. "Surpresa."

Um restaurante panorâmico, mas não qualquer um. Estávamos no Aurum, situado no topo de um dos arranha-céus de Los Angeles como uma coroa cintilante. Aquele era o tipo de lugar que temos que reservar com semanas, até meses, de antecedência, a menos que, é claro, você seja Lucian Reed e o mundo se reorganize aos seus pés.

Olhei para cima, maravilhada, sem palavras. Lucian apertou minha mão para chamar minha atenção. "Sabe, não me importo que sirvam nossa comida no carro, mas ouvi dizer que o interior desse prédio é deslumbrante."

Ri de empolgação enquanto saía do carro e agradecia ao manobrista que segurou a porta aberta. A viagem de elevador foi suave e silenciosa e, quando entramos na área de jantar, a vista panorâmica me deixou sem fôlego.

O piso inteiro girava lentamente, proporcionando aos clientes uma visão de 360° do horizonte da cidade. As luzes brilhavam como estrelas e o interior, coberto por um dourado suave e veludo em tom de carvão, era puro luxo, mas de um jeito discreto.

Poxa, talvez eu devesse ter colocado o vestido e os saltos que a Maya escolheu. "Reservei o quadrante oeste para nós," o Lucian anunciou, me guiando para uma cabine semiprivada com uma cortina de veludo puxada até a metade. "Você disse que gosta de assistir ao pôr do sol e daqui a vista é simplesmente divina."

Pisquei, atônita. "Isso foi... semanas atrás." Mencionei de passagem uma vez quando estávamos saindo da SDS. "Você se lembra?"

"Eu me lembro de tudo o que você diz," ele respondeu simplesmente, sentando-se de frente para mim. Desde o momento em que nos sentamos, o serviço foi impecável.

O garçom me chamou pelo nome e apresentou um cardápio personalizado que incluía meus pratos favoritos, incluindo coisas que eu não comia há anos. Até a carta de vinhos tinha um rótulo que mencionei casualmente que adorava, mas que nunca pude comprar. Eu olhei para a taça na minha mão e depois para o Lucian, que me observava com uma expressão indecifrável.

"Por que você tá fazendo tudo isso?" eu sussurrei. Parecia demais. Avassalador.

"Porque você merece ser valorizada," Lucian respondeu. "E porque quero que você saiba que tô falando sério. Não quero ser apenas o seu treinador, um acompanhante pra festas ou alguém pra olhar feio pro seu ex. Quero ser mais do que isso."

Meus batimentos travaram.

"Sei que nossa história começou de forma pouco convencional," ele continuou. "Quando salvei sua vida e te convidei pra SDS, eu não achava que fosse além disso. Mas foi, Sera. Sua beleza, força e resiliência me admiram." Ele estendeu a mão e pegou a minha. "Sera, se você me quiser, eu quero estar ao seu lado não apenas como amigo. Quero ser seu namorado. Seu companheiro. Seu protetor. Quero que conte comigo como nunca contou com ninguém."

A sinceridade na voz dele quase me desarmou. Depois de tudo o que passei, ser deixada de lado, odiada, ignorada e menosprezada pela minha família, era difícil acreditar que alguém me queria, não por obrigação ou redenção, mas simplesmente porque escolheu.

"Eu quero tudo isso também," eu murmurei, a voz trêmula. "Eu escolho você, Lucian."

Os olhos dele se iluminaram com uma alegria que senti percorrendo meu corpo até a ponta dos pés. Ele entrelaçou nossos dedos e se aproximou lentamente. Eu fiz o mesmo enquanto meu coração batia forte no peito. Eu podia sentir o calor da respiração dele nos meus lábios e esperava que esse beijo...

As janelas estilhaçaram.

Lucian e eu recuamos enquanto gritos cortavam o ar e o vidro caía como se fosse purpurina.

Os instintos afiados que desenvolvi na SDS tomaram conta de mim e me joguei para fora do assento no exato momento em que um invasor enorme pulou pela janela agora quebrada, suas garras quase me acertando. Mais dois surgiram logo atrás, com os olhos brilhando com sede de sangue.

O caos se instalou. Clientes corriam em todas as direções, alguns se esconderam sob as mesas, outros congelaram de medo.

"Lucian!" eu ofeguei, o medo apertando meu coração como um torno.

Ele já estava tirando a camisa e seus olhos escureceram. "Saia daqui," ele disse baixo, com o olhar fixo no primeiro invasor que havia voltado sua atenção feroz para nós.

"Eu posso ajudar," eu disse. "Você me treinou pra..."

"Não!" ele interrompeu e eu me encolhi. Às vezes, eu esquecia que o Lucian era um Alfa por causa de quão gentil e caloroso ele era, mas a autoridade naquela palavra única me lembrou. "Você não tem uma loba, não tá segura aqui."

"Mas..."

"Saia daqui. Vá com os funcionários. Eles vão te levar pra um lugar seguro junto com todos os outros. Não discuta."

Capítulo 70 1

Capítulo 70 2

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