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Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei romance Capítulo 71

PERSPECTIVA DA SERAPHINA

Acordei com a sensação de movimento, o balanço brusco de pneus em um terreno irregular. Minha cabeça latejava, minha boca tinha um gosto de cobre e, por um momento, não consegui lembrar onde estava ou por que não conseguia mexer os meus braços. Então, me lembrei.

O restaurante. Os invasores. O funcionário. O maldito SUV.

Eu ofeguei, então percebi que minha boca estava seca e meus braços estavam amarrados firmemente atrás das costas. O assento sob mim era do mesmo couro liso de antes: limpo demais, polido demais, completamente inadequado.

O cheiro agridoce ainda pairava levemente no ar, misturado com algo mais forte: suor e o gosto metálico do medo, do meu medo.

O ronco do motor do carro era constante e cruelmente calmo. Me mexi lentamente e reparei que os meus pulsos ardiam. Instintivamente, os torci, tentando identificar as amarras. Abraçadeiras implacavelmente apertadas.

"Finalmente acordou, princesa?" Agora a divisória estava abaixada e a voz do motorista ecoou, áspera e com um tom de divertimento.

O pânico cresceu dentro de mim. Meu coração disparou, mas forcei minha voz a sair firme. "Pra onde diabos você tá me levando?"

Ele riu, sem tirar os olhos da estrada. "Paciência, princesa. Logo você vai ver. Não quero estragar a surpresa."

"Pare de me chamar assim", cuspi, meu medo dando lugar à irritação por causa do tom arrogante e condescendente dele.

Ele riu secamente. "Mas é isso que você é, não é? A princesinha preciosa do Alfa Edward."

Franzi a testa. "O que... Ai!"

Gritei quando a minha cabeça bateu contra a janela por causa de um solavanco violento do carro. Para onde estávamos indo que o terreno era tão irregular?

"Opa, cuidado aí, princesa."

Eu franzi a testa. "Do que você tá falando?" Retruquei.

Eu era muitas coisas pro meu pai, mas uma princesa preciosa não era uma delas.

O homem se virou ligeiramente, o suficiente pra eu captar o sorriso maldoso no rosto dele. "Você é a filha mais valiosa do Alfa Edward. Ele te deu todas as riquezas, amor e cuidados do mundo. Só que agora ele se foi e deixou um alvo gigantesco nas suas costas."

Ele piscou e se virou de volta pra encarar a estrada.

Eu fiquei olhando para o banco do motorista por um minuto, tentando processar o que ele tinha dito. Depois, joguei a cabeça pra trás e soltei uma gargalhada rouca.

Vi a sobrancelha dele arqueada pelo espelho retrovisor. "Achou graça?"

"Pelos deuses," eu suspirei. "Ah, que ironia do caramba."

Passei minha vida toda à sombra da Celeste, desejando ser ela e querendo receber metade do amor e adoração que ela atraía com tanta facilidade.

Cuidado com o que você deseja.

"Seu idiota." Balancei a cabeça, incrédula. "Você pegou a filha errada!"

Ele bufou. "Como é que é?"

"Eu..." Dei um pulo no banco quando o carro passou por outro buraco. "Eu não sou a 'filha valiosa' do Alfa Edward. Meu pai me desprezava. Eu era uma vergonha e um vexame pra ele e ele passou a minha vida toda fingindo que eu não existia. Minha irmã mais nova, Celeste, é quem você deveria ter sequestrado."

Ele riu e o som irritou os meus nervos. "Boa tentativa."

Eu fiquei boquiaberta. "Você acha que eu tô mentindo."

"Eu sei que você tá mentindo. Não adianta tentar se livrar dessa, princesa."

"Eu não sou uma maldita princesa!" Chutei a parte de trás do banco dele, frustrada. "Tá me ouvindo? Eu não sou a filha preferida do meu pai!"

Maldita Celeste. Mesmo quando não estava na minha frente, ela conseguia fazer da minha vida um inferno.

"Então por que ele fez tanta questão de te proteger?"

Eu congelei. "Hã?"

"Dois meses antes de matarmos ele..."

"Vai se ferrar, aliás," sibilei.

Ele deu uma risada nasalada e continuou. "Ele tentou desesperadamente te proteger. Apagou todos os seus rastros, tanto digitais quanto em papel. Mas não foi difícil te encontrar."

Olhei para ele, chocada. Por que o meu pai...

"Isso é só mais uma prova," disse eu, a frustração distorcendo minha voz. "Ele praticamente me deserdou quando me casei e foi nessa época que ele apagou todos os meus vestígios."

O sorriso dele não oscilou no retrovisor. "Não foi isso que ouvimos. De qualquer forma, alguém se esforçou muito pra te manter escondida, o que te torna valiosa pra gente."

"Valiosa como?" retruquei.

Ele deu de ombros. "Isca. Moeda de troca. Alerta. Escolha uma. O Alfa Edward tá morto, mas se você era tão preciosa assim pra ele, então significa o mesmo pro seu irmão, pra sua Alcateia."

Eu ri de novo, o som amargo e vazio. "Você vai ter a maior surpresa da sua vida."

Se eu não estivesse tão focada em sair dessa situação assustadora, estaria ansiosa pela reação dos desordeiros quando descobrissem que pegaram uma pedrinha na busca por um diamante.

Observei pela janela enquanto os prédios se transformavam em mata e os postes de luz se tornavam escassos.

'Remoto' não era suficiente para descrever aquele lugar. Estávamos indo para o meio do nada e eu não tinha como sair dessa... sem uma loba, sem celular, sem ninguém.

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