PERSPECTIVA DO KIERAN
Assim que a Sera e o Lucian saíram do cinema, meus instintos de lobo começaram a me corroer e fui consumido por uma inquietação incessante que não conseguia ignorar.
No início, tentei resistir. Eu já tinha tido uma breve discussão com a Sera e sabia que ela ficaria furiosa se eu cedesse à vontade de segui-la para garantir que estava bem, enquanto ainda estava naquele maldito encontro com o Lucian.
Mas o Ashar raramente ficava agitado e as suas emoções transbordaram para mim, me deixando quase incapaz de raciocinar alguma coisa além daquele frenesi.
Finalmente, entrei em contato com a equipe de segurança que sempre estava de olho na Sera e eles me disseram que a haviam perdido de vista.
Ela tinha entrado no Aurum, onde houve um ataque dos renegados, e ela não havia saído.
Meu sangue gelou enquanto uma onda de calor me atravessava. Deixei o Ashar assumir o controle e cada segundo parecia uma eternidade enquanto eu dirigia loucamente pelas ruas de Los Angeles.
O telefone dela estava desligado e rastreá-la era infinitamente mais difícil por ela não ter uma loba. Apesar disso, ela usava a mesma marca de perfume e óleo de lavanda há dez anos e esse aroma eu poderia até dormindo.
Segui o rastro fraco do cheiro dela até o limite da zona neutra que fazia fronteira com o território dos renegados.
Foi então que vi um SUV parado tempo suficiente apenas para fazer os pelos do meu pescoço se arrepiarem antes de partir em direção à área industrial.
Não precisei de confirmação. Eu sabia, no fundo do meu ser, que a Sera estava lá dentro.
Não esperei reforços, nem tentei ligar para mais ninguém. Minhas mãos apertaram o volante até os nós dos dedos estalarem enquanto eu mirava meu carro no deles e pisava fundo.
A colisão foi de tremer os ossos. O metal gritou enquanto a frente do meu carro esmagava a traseira deles. O impacto virou o veículo deles de lado, pneus derrapando no asfalto rachado. Eu não dei tempo para eles se recuperarem.
Ashar avançou, sedento por sangue.
Os renegados do carro gritaram xingamentos e ameaças, sons mal audíveis por cima das batidas do meu próprio coração.
Eu saí do carro antes mesmo de ele parar completamente, resistindo ao impulso de liberar o Ashar. Ainda não era a hora certa.
Os dois renegados saíram do SUV claramente pegos de surpresa pelo impacto repentino, mal tiveram tempo de entender o que estava acontecendo antes de eu partir para cima deles.
Em qualquer outra situação, eu poderia ter sentido prazer ao ouvir o estalo do pescoço do primeiro ou satisfação ao quebrar as costelas do segundo. Mas, no momento, tudo que importava era a Sera.
Quando abri a porta de trás do carro e a encontrei amarrada, apavorada, mas sem ferimentos, achei que ia desabar de alívio.
"Sera," eu ofeguei, minha voz áspera soando estranha aos meus ouvidos.
"Kieran," ela ofegou, fechando os olhos. "Nunca fiquei tão feliz em te ver."
Aquela frase foi como um bálsamo, acalmando a fúria e o pânico selvagem que me consumiam como uma avalanche.
Ajoelhei-me ao lado da porta e os meus olhos percorrendo o rosto dela, verificando, avaliando, certificando-me de que ela estava inteira.
Uma lágrima desceu pela sua bochecha e se misturou com o sangue que escorria de um corte na sua testa enquanto meu coração batia forte no peito.
"Droga," xinguei a mim mesmo. Estava tão cego pelo medo e pela adrenalina que nem pensei que a colisão poderia machucá-la.
Mais uma vez, na tentativa de ajudar a Sera, acabei machucando-a.
"Me desculpe," eu disse, baixo, sem fôlego.
Ela se virou levemente, mostrando-me os pulsos amarrados atrás das costas. "Abraçadeiras de plástico," sussurrou, rouca.
Não hesitei. Uma garra apareceu no meu dedo e cortei o plástico cuidadosamente, sem feri-la. Ela ofegou, esfregando os pulsos enquanto o sangue voltava a circular nas mãos.
A visão das marcas vermelhas onde as amarras estiveram provocou outra onda de raiva em mim.
"Vamos," eu disse, esforçando-me para manter a voz suave enquanto delicadamente a ajudava a sair do SUV destruído. Meus braços apertaram-se ao redor dela quando ela desabou contra mim, instável sobre os pés. "Tô aqui com você," murmurei com firmeza enquanto as mãos dela agarravam a frente da minha camisa.
Coloquei um braço por baixo das pernas dela e a carreguei, apertada contra o meu peito, até o meu carro. A frente do carro estava amassada e eu não fazia ideia se ele ia funcionar, mas a coloquei gentilmente no banco de trás.
Ela exalou tremulamente. "Obrigada, Kieran, eu..."
O som estridente de pneus chamou a minha atenção para a estrada. Um segundo SUV vinha em alta velocidade na nossa direção.
Sera arfou. "Reforços," sussurrou. "Chamaram reforços."
Uma satisfação doentiamente letal percorreu o meu corpo quando o carro derrapou até parar e os inimigos surgiram de dentro. Eu não tinha nem começado a saciar o meu desejo de vingança por ousarem mexer com a Sera.
Virei-me para ela. "Já volto."
"Kieran..."
Ashar choramingou, olhando fixamente para os meus pulsos.
Era um pouco surreal estar na presença do lobo do Kieran. Ele era majestoso, com o seu pelo marrom-dourado brilhando à luz do sol poente e seus olhos escuros me observando atentamente.
"Tô bem," eu disse, "posso aguentar até receber atenção médica."
Era para ser uma garantia, mais para ele do que para mim, porque eu nem tinha certeza se acreditava nisso.
Meus pulsos latejavam, as marcas das abraçadeiras ardiam sob minha pele, a minha têmpora estava úmida com sangue quase seco e cada respiração fazia as minhas costelas doerem.
Ashar bufou e senti sua respiração quente contra a minha bochecha, mas em vez de se afastar, ele abaixou a cabeça até o meu ombro.
Achei que era só para checar o cheiro, seu jeito de ter certeza de que eu estava inteira. Mas, então, a língua dele passou pelo corte na minha testa.
"Kieran..." Tentei me afastar, mas ele não parou.
A língua dele era áspera, quente e... Deuses, não deveria ter sido reconfortante. Em vez de dor, um calor estranho se espalhou pela ferida. A dor pulsante diminuiu até desaparecer completamente.
"O que diabos..." Toquei a minha têmpora. O corte estava... fechado. Sem sangue, sem inchaço, apenas a pele lisa onde havia um ferimento segundos atrás.
Antes que eu pudesse entender o que estava acontecendo, a cabeça do Ashar se abaixou mais, roçando o meu maxilar e depois a pele machucada dos meus pulsos.
Sua língua passou pelos machucados e cada toque enviou uma onda de calor por mim. A dor diminuiu em ondas até se tornar apenas a sombra do que fora.
Olhei para ele com os olhos arregalados. "Você... Você me curou."
Ele se afastou apenas o suficiente para que eu pudesse ver a pele ao redor da sua boca emaranhada de sangue. Os olhos dele, escuros e intensos de um jeito que me fez prender a respiração, prenderam-se nos meus.
Então, sem aviso, ele recuou e começou a se transformar.
Ossos estalaram, a pele se recolheu, músculo e pele se torceram até que o Kieran estivesse ajoelhado ali na rua, nu, respirando pesadamente e com os olhos ainda brilhando como os de um lobo.
"Sera," ele disse, meu nome saindo áspero e grave como cascalho da sua garganta.
E, então, ele estava sobre mim, uma mão segurando a parte de trás da minha cabeça, a outra me puxando para frente até que sua boca se chocasse contra a minha.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei
Finalmente toda a verdade do Lucian veio à tona. Só não faz sentido ele saber antes de qualquer pessoa (inclusive família) que a Zara era prima. Cadê a tia irmã de Margareth então? Porque Sera e Margareth foram mais importantes para Catherine do que esse outro braço da família?...
Quero saber até onde o Lucian estar envolvido com Katherine e Marcos...
Ok, sera não aceitar o vínculo. Agora deixa o Kieran seguir a vida dele em paz...
Tá muito bom os capítulos...
Preciso de ajuda pra comprar moedas, não consigo completa minha compra...
Sera era uma bobinha manipulada e do nada se tornou fodona. A autora exagerou demais. Comecei a ler uma romance onde o começo imita uma história que já existe e depois, a autora acrescentou "os mutantes" na história. Kkkkk Mas os capítulos que abrem essa história nada mais é do quem o plágio de uma história que já existe. A irmã, o marido que gosta da irmã, a noite em que a irmã errada dorme com o cara, casa com ele tem um filho. O divórcio e só depois ele começa a gostar dela... Enfim, copiou na cara dura....
Livro muito bom!!! Sem muita enrolação e historia com enredo e fluxo. Aguardando próximos capítulos e o encerramento breve!!!...
SERAPHINA é muito fraca e idiota,Catherine manipula ela fácil fácil, eu ia lá se sacrificar por uma pai uma família que sempre me tratou mal, eles que se virem...
Escritora por favor, melhora isso aí, Sera fez o ex marido comer o pão que o diabo amassou, botou homens na cara dele, agora a cobra da irmã dela baixa o espírito de Santa e Sara na primeira oportunidade já vai abraçar, me poupe, mais criatividade por favor...
Quando Sera vai descobrir a peste falsa e manipulador que lucian é?? Ele ainda foi embora com o amor da vida dele e ainda deixou a Sera responsável pelos negócios dele, Sera é muito idiota,...