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Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei romance Capítulo 97

PERSPECTIVA DA SERAPHINA

Virei-me e lá estava ele, uma aparição na outra extremidade do corredor, quase como na cena de um filme.

Seus olhos varreram a cena: a Celeste ruborizada, se debatendo contra o aperto do Kieran e gritando como uma fera descontrolada; o Kieran tentando se controlar, lutando entre constrangimento e frustração; e eu ao lado, com o coração acelerado e respirando com dificuldade.

Então, aqueles olhos pousaram em mim, penetrantes, e protetores de um jeito que quase fez as minhas pernas fraquejarem.

Sem hesitar, ele reduziu a distância e se colocou bem na minha frente. O ar ao nosso redor mudou, como se uma tempestade estivesse a caminho, adicionando uma tensão diferente que eu não tinha certeza se me incomodava.

Instintivamente, me aproximei e me permiti buscar o conforto e a segurança que a presença do Lucian prometia.

Respirei fundo e o cheiro dele teve o mesmo efeito em mim que um óleo de aromaterapia: relaxamento, alívio do estresse e da tensão.

"Algum problema aqui?" Seu tom era enganosamente educado, mas o rigor por trás era inconfundível.

A Celeste congelou, respirando pesadamente e com os lábios entreabertos, mas sem emitir sons. Ela pareceu desorientada por talvez dois segundos antes de reagir com mais veneno: "O que diabos você tá fazendo aqui?" ela sibilou, seus olhos ardendo como duas chamas azuis.

Os ombros do Lucian tensionaram-se ligeiramente, mas ele respondeu com frieza: "Vim buscar a minha namorada que acabou de voltar de viagem."

Namorada...

Um calor se espalhou pelo meu estômago e precisei morder o lábio para esconder um sorriso instintivo.

Ninguém ali estava tão satisfeito quanto eu. A Celeste rosnou de verdade e o Kieran correu um sério risco de quebrar os dentes de tanto que os rangia.

"Vá em frente, leva a vagabunda sem vergonha daqui," ela rosnou. "Melhor que ela se apegue a você como a sanguessuga que é e fique bem longe do Kieran!"

O calor subiu pela minha garganta e as palavras dela me feriam mais do que eu queria admitir. Antes mesmo que eu pudesse formular uma resposta, a voz do Lucian se interpôs, baixa e afiada como aço: "Cuidado com o que diz, Celeste. Especialmente quando fala sobre a minha futura Luna."

O corredor pareceu congelar. Eu quase podia ouvir o suspiro coletivo dos transeuntes e enfermeiros que disfarçadamente escutavam a nossa pequena briga.

Até as mãos do Kieran, que seguravam a Celeste, afrouxaram.

Lucian não se abalou diante do choque que se espalhou pelo espaço. Em vez disso, deu um único passo à frente, o suficiente para que a Celeste tivesse que se encostar no Kieran e erguer o queixo para olhar para ele.

"Se os homens caem nos seus encantos, isso não é culpa dela. A diferença é que eu sou afortunado o suficiente para que ela tenha me escolhido. E não gosto que insultem o que é meu."

As palavras caíram com um peso que eu senti nos ossos.

'O que é meu...'

Talvez fosse hipócrita da minha parte, mas as palavras possessivas soavam diferentes quando o Lucian as dizia.

Eu não me senti como um brinquedo que ele possuía, mas sim como algo precioso, amado e estimado.

A risada da Celeste era ríspida e o desdém estava sobreposto à sua visível inquietação: "Você deve estar louco, Lucian. Ela? Uma rejeitada sem loba? Até a Alcateia do ex-marido dela não a aceitou como Luna, e você quer levar essa praga pra sua? Você será alvo de piada no mundo todo."

Minhas unhas cravaram nas palmas das mãos e, por um instante, eu não conseguia dizer se a dor no meu peito vinha do veneno dela ou do eco de verdade que me atingiu.

Mas, antes que eu pudesse me perder nos pensamentos, a voz do Kieran soou firme, com o comando de Alfa: "Chega, Celeste."

Ela se virou para ele, boquiaberta, como se ele a tivesse esbofeteado.

Lucian nem sequer olhou para o Kieran. Seu olhar permaneceu fixo na Celeste e era mais frio do que um vento ártico. "É melhor guardar as suas risadas, Celeste. Porque, ao contrário da sua família e das duas Alcateias que não a merecem, eu sempre soube que a Seraphina nasceu pra fazer mais do que você jamais poderia imaginar. Ela será uma excelente Luna."

Os lábios dele se curvaram em um sorriso indiscutivelmente confiante. "Você vai ver em breve."

E, assim, ele se voltou para mim e sorriu: "Oi."

"Oi," eu respondi, ainda atônita.

"Pronta?"

Dei um leve aceno com a cabeça e a mão dele escorregou até a base das minhas costas, ficando ali de forma tão natural que não resisti e me inclinar um pouco mais.

Ele me guiou com firmeza, passando pelo Kieran e pela Celeste, que continuavam boquiabertos ao nosso lado, suas expressões atônitas enchendo a minha visão periférica.

Apesar de tudo, um sorriso dançava nos meus lábios enquanto saíamos do hospital, com a satisfação silenciosa de deixá-los para trás vibrando como vinho nas minhas veias.

Quando chegamos ao estacionamento, a tensão que me mantinha firme entre nós finalmente começou a se desfazer... mas apenas até o Lucian me surpreender novamente.

Ele me puxou gentilmente, mas de maneira decidida, pressionando-me contra o metal frio do carro dele.

"Lucian, o que..."

Meu suspiro foi interrompido pela boca dele na minha. Minhas mãos foram automaticamente para o peito dele, metade para empurrar, metade para segurar. Os lábios dele se moviam contra os meus com uma intensidade que nunca tinha sentido do Lucian antes. Ele era firme, dominador, como se estivesse flutuando e me beijar fosse a única maneira de se ancorar no chão.

Meus dedos se enroscaram na camisa dele, procurando a minha própria âncora enquanto inclinava a cabeça para aceitar o seu beijo. O calor da chegada dele se espalhou do meu estômago para o resto do corpo junto com um formigamento que me fez pressionar contra ele, querendo mais.

Mas então, ele se afastou, encostando a testa na minha. Sua respiração era pesada e irregular e os seus olhos estavam fechados.

Eu nunca tinha visto o Lucian assim antes, como se ele momentaneamente tivesse perdido as rédeas do autocontrole que sempre o guiou com tanta firmeza.

"O que houve, Lucian?" eu perguntei, ofegante.

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