PERSPECTIVA DA SERAPHINA
Virei-me e lá estava ele, uma aparição na outra extremidade do corredor, quase como na cena de um filme.
Seus olhos varreram a cena: a Celeste ruborizada, se debatendo contra o aperto do Kieran e gritando como uma fera descontrolada; o Kieran tentando se controlar, lutando entre constrangimento e frustração; e eu ao lado, com o coração acelerado e respirando com dificuldade.
Então, aqueles olhos pousaram em mim, penetrantes, e protetores de um jeito que quase fez as minhas pernas fraquejarem.
Sem hesitar, ele reduziu a distância e se colocou bem na minha frente. O ar ao nosso redor mudou, como se uma tempestade estivesse a caminho, adicionando uma tensão diferente que eu não tinha certeza se me incomodava.
Instintivamente, me aproximei e me permiti buscar o conforto e a segurança que a presença do Lucian prometia.
Respirei fundo e o cheiro dele teve o mesmo efeito em mim que um óleo de aromaterapia: relaxamento, alívio do estresse e da tensão.
"Algum problema aqui?" Seu tom era enganosamente educado, mas o rigor por trás era inconfundível.
A Celeste congelou, respirando pesadamente e com os lábios entreabertos, mas sem emitir sons. Ela pareceu desorientada por talvez dois segundos antes de reagir com mais veneno: "O que diabos você tá fazendo aqui?" ela sibilou, seus olhos ardendo como duas chamas azuis.
Os ombros do Lucian tensionaram-se ligeiramente, mas ele respondeu com frieza: "Vim buscar a minha namorada que acabou de voltar de viagem."
Namorada...
Um calor se espalhou pelo meu estômago e precisei morder o lábio para esconder um sorriso instintivo.
Ninguém ali estava tão satisfeito quanto eu. A Celeste rosnou de verdade e o Kieran correu um sério risco de quebrar os dentes de tanto que os rangia.
"Vá em frente, leva a vagabunda sem vergonha daqui," ela rosnou. "Melhor que ela se apegue a você como a sanguessuga que é e fique bem longe do Kieran!"
O calor subiu pela minha garganta e as palavras dela me feriam mais do que eu queria admitir. Antes mesmo que eu pudesse formular uma resposta, a voz do Lucian se interpôs, baixa e afiada como aço: "Cuidado com o que diz, Celeste. Especialmente quando fala sobre a minha futura Luna."
O corredor pareceu congelar. Eu quase podia ouvir o suspiro coletivo dos transeuntes e enfermeiros que disfarçadamente escutavam a nossa pequena briga.
Até as mãos do Kieran, que seguravam a Celeste, afrouxaram.
Lucian não se abalou diante do choque que se espalhou pelo espaço. Em vez disso, deu um único passo à frente, o suficiente para que a Celeste tivesse que se encostar no Kieran e erguer o queixo para olhar para ele.
"Se os homens caem nos seus encantos, isso não é culpa dela. A diferença é que eu sou afortunado o suficiente para que ela tenha me escolhido. E não gosto que insultem o que é meu."
As palavras caíram com um peso que eu senti nos ossos.
'O que é meu...'
Talvez fosse hipócrita da minha parte, mas as palavras possessivas soavam diferentes quando o Lucian as dizia.
Eu não me senti como um brinquedo que ele possuía, mas sim como algo precioso, amado e estimado.
A risada da Celeste era ríspida e o desdém estava sobreposto à sua visível inquietação: "Você deve estar louco, Lucian. Ela? Uma rejeitada sem loba? Até a Alcateia do ex-marido dela não a aceitou como Luna, e você quer levar essa praga pra sua? Você será alvo de piada no mundo todo."
Minhas unhas cravaram nas palmas das mãos e, por um instante, eu não conseguia dizer se a dor no meu peito vinha do veneno dela ou do eco de verdade que me atingiu.
Mas, antes que eu pudesse me perder nos pensamentos, a voz do Kieran soou firme, com o comando de Alfa: "Chega, Celeste."
Ela se virou para ele, boquiaberta, como se ele a tivesse esbofeteado.
Lucian nem sequer olhou para o Kieran. Seu olhar permaneceu fixo na Celeste e era mais frio do que um vento ártico. "É melhor guardar as suas risadas, Celeste. Porque, ao contrário da sua família e das duas Alcateias que não a merecem, eu sempre soube que a Seraphina nasceu pra fazer mais do que você jamais poderia imaginar. Ela será uma excelente Luna."
Os lábios dele se curvaram em um sorriso indiscutivelmente confiante. "Você vai ver em breve."
E, assim, ele se voltou para mim e sorriu: "Oi."
"Oi," eu respondi, ainda atônita.
"Pronta?"
Dei um leve aceno com a cabeça e a mão dele escorregou até a base das minhas costas, ficando ali de forma tão natural que não resisti e me inclinar um pouco mais.
Ele me guiou com firmeza, passando pelo Kieran e pela Celeste, que continuavam boquiabertos ao nosso lado, suas expressões atônitas enchendo a minha visão periférica.
Apesar de tudo, um sorriso dançava nos meus lábios enquanto saíamos do hospital, com a satisfação silenciosa de deixá-los para trás vibrando como vinho nas minhas veias.
Quando chegamos ao estacionamento, a tensão que me mantinha firme entre nós finalmente começou a se desfazer... mas apenas até o Lucian me surpreender novamente.
Ele me puxou gentilmente, mas de maneira decidida, pressionando-me contra o metal frio do carro dele.
"Lucian, o que..."
Meu suspiro foi interrompido pela boca dele na minha. Minhas mãos foram automaticamente para o peito dele, metade para empurrar, metade para segurar. Os lábios dele se moviam contra os meus com uma intensidade que nunca tinha sentido do Lucian antes. Ele era firme, dominador, como se estivesse flutuando e me beijar fosse a única maneira de se ancorar no chão.
Meus dedos se enroscaram na camisa dele, procurando a minha própria âncora enquanto inclinava a cabeça para aceitar o seu beijo. O calor da chegada dele se espalhou do meu estômago para o resto do corpo junto com um formigamento que me fez pressionar contra ele, querendo mais.
Mas então, ele se afastou, encostando a testa na minha. Sua respiração era pesada e irregular e os seus olhos estavam fechados.
Eu nunca tinha visto o Lucian assim antes, como se ele momentaneamente tivesse perdido as rédeas do autocontrole que sempre o guiou com tanta firmeza.
"O que houve, Lucian?" eu perguntei, ofegante.
Lucian murmurou algo furioso sob antes de procurar o telefone no bolso.
Ele revirou os olhos ao ver o identificador da chamada. "Claro," ele murmurou, então me entregou o celular: "Pra você."
Eu estava tremendo tanto que quase deixei o telefone cair duas vezes antes de finalmente atender a ligação.
"Seraphina!"
Eu quase deixei o celular do Lucian cair uma terceira vez por causa do susto e afastei o aparelho do ouvido.
Lucian riu, a irritação dando lugar à ternura. "Ela sentiu sua falta, caso você não tenha percebido."
Eu ri, trazendo o telefone de volta ao ouvido. "Oi, Maya."
"Eu senti sua falta pra caramba!" ela gritou.
Meu sorriso se alargou de orelha a orelha. Era meio inacreditável e bastante avassalador que a minha ausência tivesse causado impacto no Lucian e na Maya. Eu não estava acostumada a ter pessoas querendo a minha presença, muito menos sentindo minha falta quando eu não estava por perto.
"Também senti sua falta," eu disse para a Maya, com a emoção tomando conta da minha voz.
"Tenho um presente de boas-vindas pra você!" Ela ainda estava gritando. Eu podia ouvir barulhos altos e outras pessoas gritando ao fundo.
"É um zumbido nos ouvidos?"
"Há, há, há!" ela respondeu com uma risada abrupta. "Eu senti falta do seu sarcasmo. Fala pro Lucian te trazer pra cá rapidinho!"
Ela desligou e a minha mão foi para o meu ouvido. Eu ri baixinho, balançando a cabeça.
"Parece que fui requisitada por outra pessoa essa noite."
Lucian levantou uma sobrancelha, com os lábios ainda perigosamente próximos dos meus. "Devo ter ciúmes dela também?"
Eu balancei a cabeça, sorrindo. "Fontes seguras afirmaram que a Maya é 'fã de carteirinha do Time Lucian'."
O sorriso dele foi lento e quente. "Ótimo. Então ela não vai ficar brava se a deixarmos esperando mais alguns minutos."
E, antes que eu pudesse protestar, ele me beijou de novo, faminto, sem vergonha, intenso.
Eu me agarrei a ele com força, deixando todos os outros pensamentos saírem da minha cabeça.
O mundo ao redor poderia esperar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei
Finalmente toda a verdade do Lucian veio à tona. Só não faz sentido ele saber antes de qualquer pessoa (inclusive família) que a Zara era prima. Cadê a tia irmã de Margareth então? Porque Sera e Margareth foram mais importantes para Catherine do que esse outro braço da família?...
Quero saber até onde o Lucian estar envolvido com Katherine e Marcos...
Ok, sera não aceitar o vínculo. Agora deixa o Kieran seguir a vida dele em paz...
Tá muito bom os capítulos...
Preciso de ajuda pra comprar moedas, não consigo completa minha compra...
Sera era uma bobinha manipulada e do nada se tornou fodona. A autora exagerou demais. Comecei a ler uma romance onde o começo imita uma história que já existe e depois, a autora acrescentou "os mutantes" na história. Kkkkk Mas os capítulos que abrem essa história nada mais é do quem o plágio de uma história que já existe. A irmã, o marido que gosta da irmã, a noite em que a irmã errada dorme com o cara, casa com ele tem um filho. O divórcio e só depois ele começa a gostar dela... Enfim, copiou na cara dura....
Livro muito bom!!! Sem muita enrolação e historia com enredo e fluxo. Aguardando próximos capítulos e o encerramento breve!!!...
SERAPHINA é muito fraca e idiota,Catherine manipula ela fácil fácil, eu ia lá se sacrificar por uma pai uma família que sempre me tratou mal, eles que se virem...
Escritora por favor, melhora isso aí, Sera fez o ex marido comer o pão que o diabo amassou, botou homens na cara dele, agora a cobra da irmã dela baixa o espírito de Santa e Sara na primeira oportunidade já vai abraçar, me poupe, mais criatividade por favor...
Quando Sera vai descobrir a peste falsa e manipulador que lucian é?? Ele ainda foi embora com o amor da vida dele e ainda deixou a Sera responsável pelos negócios dele, Sera é muito idiota,...