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Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei romance Capítulo 96

PERSPECTIVA DA SERAPHINA

Por um momento, o chão sob os meus pés pareceu inclinar e, junto com os resquícios amargos e pesados da conversa com a minha mãe ainda grudados em mim, achei que fosse vomitar no linóleo impecável.

Fechei os olhos, respirei fundo duas vezes para me acalmar e os abri novamente, porém a visão nauseante continuava ali.

Celeste e Kieran entrelaçados como amados que não se viam há anos, as mãos dela presas atrás do pescoço dele, os braços dele firmemente ancorados ao redor da cintura dela.

Meus dedos se fecharam em punhos, as unhas deixando marcas crescentes na pele da minha palma.

A questão... não era nem o fato do Kieran estar beijando a Celeste, era o maldito beijo em si.

O jeito como ele a segurava e a pressionava contra si, a maneira experiente e ávida com que os seus lábios deslizavam sobre os dela, a forma como isso me fazia pensar em todas as outras vezes que o Kieran havia me beijado.

Eu me sentia tão absolutamente, completamente, estúpida.

Meu estômago voltou a se revolver e parecia que eu estava novamente naquele iate ridículo lutando contra o enjoo, exceto que, desta vez, a ideia de me jogar ao mar e ficar à mercê dos tubarões parecia muito mais atraente do que permanecer na embarcação.

Mas, no meio dessa avassaladora sensação de traição que eu não queria analisar muito profundamente, surgiu algo como... alívio.

Porque eu estava certa. O Kieran era exatamente quem eu pensava que ele era.

Sua atenção e cuidado na Ilha foram pura encenação. Seus beijos e toques foram farsas.

Se eu fosse uma mulher menos experiente, se não tivesse uma década de indiferença fria como referência, talvez tivesse me iludido e acreditado que ele realmente se importava comigo, que realmente me desejava.

Mas, no fim das contas, a verdade prevaleceria: o Kieran sempre escolheria Celeste.

Ri com desdém. De certo modo, essa percepção era estranhamente libertadora.

Eu nunca mais precisaria me preocupar com a tempestade confusa que surgia na minha cabeça sobre o Kieran, porque, no fim das contas, ele nunca fora meu, nem nunca seria. Simples assim.

O som que fiz deve ter sido mais alto do que eu pretendia porque, naquele momento, os olhos do Kieran se abriram. Em seguida, se arregalaram quando o seu olhar encontrou o meu por cima dos ombros da Celeste.

Ele empurrou a Celeste para longe tão abruptamente que ela tropeçou, com os lábios ainda entreabertos e as bochechas coradas.

Eu poderia ter rido do choque cômico que apareceu no rosto dela, se não estivesse tão ocupada tentando manter no estômago o café e a baguete que tinha comido no avião.

"Sera..." A voz do Kieran falhou, pegando em algum ponto entre a surpresa e o alarme. Algo como culpa perpassou os seus olhos. O olhar dele me varreu em um instante, parando nos meus olhos. "Você tá chorando?"

Eu tô? Levei a mão aos cantos dos olhos e senti a umidade ali. Interessante. Isso aconteceu no quarto da minha mãe ou foi depois que eu saí de lá?

"O que aconteceu?" Kieran insistiu. "A Margaret... É grave?"

Preocupação. Seu tom estava impregnado disso, como se ainda fosse o Kieran que tinha cuidado de mim quando eu fiquei enjoada no mar e que sugou o veneno da cobra do meu ferimento, me carregou escada acima e cozinhou para mim e...

Uma risada amarga escapou da minha garganta antes que eu pudesse detê-la. Pisquei para afastar o que parecia ser outra onda de lágrimas quentes, recusando-me a analisar a dor surda que latejava contra o meu peito.

"Sera..."

Afastei-me do toque dele tão violentamente que quase perdi o equilíbrio, mas a lembrança do que aconteceu da última vez que tropecei perto do Kieran brilhou tão intensamente na minha mente que o meu corpo instintivamente se corrigiu.

"Por que você não pergunta pra Celeste?" Eu rebati, desviando o olhar para a minha irmã, que estava encostada na parede com os braços cruzados, assistindo à cena com os olhos azuis glaciais.

"Celeste," sibilei, com a voz cortante como vidro, "é grave? A Mamãe, que ficou surpresa pra caramba de me ver no quarto do hospital, aliás, realmente chamou por mim?"

O rosto da Celeste endureceu, mas ela revirou os olhos, desdenhosa e teatral. "Você tá falando sério mesmo, Sera?"

"Como é?"

"Eu te chamei aqui porque imaginei que você ficaria preocupada, mas você tá brava porque a Mamãe tá bem?"

Pisquei e ri, incrédula. "Eu não tô brava porque a Mamãe tá bem. Tô feliz que ela esteja bem. Tô brava porque você..."

"Imagino que não seja tão difícil de entender." Ela deu de ombros.

Meus olhos se estreitaram. "O que diabos você quer dizer com isso?"

Os lábios dela se curvaram naquele sorriso doce que sempre escondia veneno. "Você tem ressentimento de todo mundo. Sempre teve. E, depois de estragar tudo dez anos atrás, deve doer ver todo mundo feliz e saudável, né? Você simplesmente não suporta que a Mamãe esteja bem e que eu esteja feliz com o homem que sempre foi meu. Seu coração egoísta e insensível não consegue..."

Memória muscular.

Capítulo 96 1

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