PERSPECTIVA DA SERAPHINA
A primeira pista sobre o 'presente de boas-vindas' da Maya deveria ter sido a caixa sofisticada que o Lucian me entregou quando paramos na minha casa para deixar as minhas malas e para me eu me trocar.
Dentro, havia um lindo vestido creme que me tirou o fôlego. Era feito de chiffon leve que acentuava a minha cintura e se movia ao meu redor como água quando eu me mexia.
A segunda pista deveria ter sido quando Lucian me disse para preparar uma mala para passar a noite fora.
Mesmo assim, eu ainda fiquei completamente surpresa quando entrei no saguão do Hotel das Águas Termais.
"SURPRESA!" os membros da SDS gritaram em uníssono. Uma explosão de risadas se seguiu enquanto confetes caíam, grudando no meu cabelo e brilhando contra o meu vestido.
Pisquei rapidamente, atordoada, até que a Maya veio correndo na minha direção com um vestido azul-petróleo esvoaçante que combinava com o seu espírito brilhante e praticamente reluzia contra a sua pele bronzeada.
"Sera!" Ela jogou os braços ao redor do meu pescoço e uma risada sem fôlego escapou de mim enquanto eu a abraçava forte.
"Eu senti tanta saudade," eu disse, sorrindo tanto que minha mandíbula doía.
Ela se afastou, segurando as minhas bochechas. "Claro que sentiu! Honestamente, não faço ideia de como você sobreviveu tanto tempo sem mim."
Eu ri. "Eu poderia dizer o mesmo de você."
Ela revirou os olhos, puxando-me para dentro do salão.
Olhei ao redor e fiquei de boca aberta. "Maya, isso é…"
O salão inteiro estava banhado em uma luz dourada suave. Lanternas de papel flutuavam acima de nós, brilhando como estrelas capturadas. Uma longa mesa tinha sido montada e estava repleta de comida, assim como sobremesas empilhadas em bandejas polidas e garrafas de champanhe gelando em baldes de prata.
Vapor quente subia das águas termais ao ar livre, perfumado o ambiente com o aroma de ervas e óleos florais suaves.
O lugar não era extravagante daquele jeito frio e estéril dos bailes e encontros sociais que eu já tinha participado. Era acolhedor, íntimo, organizado com carinho.
E tudo isso era para mim.
"Você amou?", perguntou a Maya, ofegante, segurando as minhas mãos com entusiasmo. Os olhos dela brilhavam como se a minha reação fosse a coisa mais importante do mundo. "Eu organizei tudo assim que o Ethan me contou que você tava voltando. As águas termais estão abertas a noite toda, temos o hotel inteiro só para nós, e eu consegui todos os seus pratos e sobremesas favoritos."
Ela pulava nos calcanhares como se já tivesse comido as sobremesas, resultando em um explosão de energia por causa do açúcar. "Fala que você amou!"
Eu ri, um pouco trêmula. "Maya... Tô sem palavras. Claro que amei, tá tudo tão lindo."
"Não tão lindo quanto você," declarou ela, com um exagero teatral, dando um passo atrás para me admirar.
Senti meu rosto ficar corado. Quando coloquei o vestido pela primeira vez, pensei que era delicado demais para mim.
Mas agora, ao ver como ele brilhava sob a luz dourada e como me fazia sentir que eu pertencia a esse ambiente acolhedor, percebi que, como sempre, a Maya estava certa.
"Não acredito que você planejou tudo isso só pra mim," eu disse suavemente. "Eu fiquei fora pouco mais de uma semana, Maya."
"Uma semana, um mês, tanto faz," disse ela, segurando o meu rosto de novo. "Você merece. Você passou tanto tempo da sua vida sendo deixada de lado e injustiçada, agora tem muito o que comemorar para compensar."
Algo no meu peito se abriu. Abracei-a com força, enterrando o meu rosto no ombro dela. "Obrigada," sussurrei, a voz carregada de emoção.
"Bem," ela acariciou as minhas costas com carinho, "gostaria de poder ficar com todo o crédito, mas não foi o meu Amex que reservou o hotel pra noite."
Afastei-me um pouco, com a sobrancelha arqueada.
Maya deu uma risadinha e acenou com a cabeça para atrás de mim. O Lucian ainda estava lá, observando a nossa interação com um sorriso carinhoso no rosto. Ele parecia quase impassível demais para o ambiente com o seu terno escuro feito sob medida, mas, de alguma forma, isso só o tornava mais encantador. Claro que ele estava por dentro de tudo.
Meu sorriso vacilou e pisquei para conter as lágrimas. "Obrigada," repeti suavemente.
Ele se aproximou de mim, sua mão pegando a minha em um gesto silencioso. "Sempre, Sera." A ternura nos olhos dele fez o meu coração bater mais depressa, mas ele quase parou quando o Lucian me puxou para mais perto. Meus olhos se arregalaram, observando a multidão de membros da SDS ao nosso redor, incluindo a Maya, que parecia prestes a explodir de tanto sorrir.
"Ei," Lucian disse suavemente, me puxando para ainda mais perto. "Não se preocupe com eles."
"Mas..." Não era segredo que o Lucian e eu éramos amigos, mas nunca tínhamos estado juntos dessa maneira na frente de ninguém. Pensei nos boatos que a Maya me contou que surgiram após a minha festa de aniversário e como agora estaríamos mais ou menos confirmando-os.
"A menos que você esteja envergonhada de ser vista comigo." Lucian acrescentou, com um sorriso provocativo.
Pela primeira vez na minha vida, eu era o assunto da conversa, e isso não me fazia querer me encolher debaixo de uma mesa e chorar.
A Maya me arrastava de grupo em grupo, me apresentando orgulhosamente como se eu já não conhecesse a maioria das pessoas ali e insistindo que esta noite era sobre me receberem adequadamente.
Me peguei rindo com outros alunos que contavam histórias sobre erros durante os treinamentos, recebendo dicas de técnicas de outros treinadores, brindando com curandeiros que prometeram me ensinar suas misturas de ervas e participando de conversas sobre comidas favoritas, filmes e fofocas aleatórias da SDS.
Em qualquer direção que eu olhava, alguém sorria para mim. Não zombando, não com suspeita. Apenas... aceitação.
Sinceramente, foi a melhor festa da história.
Conforme a noite avançava, fui me acostumando ao acolhimento como quem sente o calor ao mergulhar em uma fonte de água termal.
Me permiti respirar sem a sombra do Kieran ou da Celeste me pressionando. As vozes deles, seus julgamentos e todo o drama da última semana pareciam estar a quilômetros de distância.
Em nenhum momento, o Lucian se afastou muito de mim. Às vezes, sua mão encontrava a base das minhas costas; outras vezes, nossos ombros se tocavam despretensiosamente. Cada toque me ancorava, me lembrando que eu não estava mais sozinha e que eu tinha sido escolhida, mas não de uma forma distorcida e cruel como o destino havia imposto com o Kieran.
Em determinado momento, vi a Maya do outro lado da salão. Ela sorriu para mim e articulou silenciosamente: 'Você tá radiante.'
Talvez eu estivesse.
Pensei nos bailes de gala dos Lockwood e dos Blackthorne, nos pisos de mármore polido e nos salões de baile onde eu ficava no canto, sendo ignorada na melhor das hipóteses e desprezada na pior.
O contraste quase me fez chorar. Porque ali, em um hotel alugado com águas termais, cheio de música, conversa e sobremesas, eu me sentia mais em casa do que jamais me senti naqueles palácios frios.
Também pensei no Daniel. Como ele adoraria o vapor subindo da água, como estaria brincando e rindo e como pediria duas fatias de bolo de uma vez. A felicidade que borbulhava no meu peito deu espaço a uma pontada de dor. Eu odiava ter que deixá-lo tão cedo e odiava como parecia que a minha vida havia se reorganizado rapidamente sem ele.
Por mais incríveis que fossem os meus novos amigos, por mais libertador que fosse o meu novo amor, eu sabia que nunca poderia estar verdadeiramente completa e sentir-me em casa sem o meu filho.
Mas era difícil ficar remoendo a parte que faltava em mim quando as outras partes me enchiam de mais alegria do que culpa.
Talvez esse fosse o verdadeiro presente da noite: não esquecer as peças perdidas, não fingir que as feridas não existem, mas perceber que o amor e a felicidade, em todas as suas formas, ainda eram possíveis.
Que eu podia estar tanto quebrada quanto me curando, tanto de luto quanto radiante.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei
Finalmente toda a verdade do Lucian veio à tona. Só não faz sentido ele saber antes de qualquer pessoa (inclusive família) que a Zara era prima. Cadê a tia irmã de Margareth então? Porque Sera e Margareth foram mais importantes para Catherine do que esse outro braço da família?...
Quero saber até onde o Lucian estar envolvido com Katherine e Marcos...
Ok, sera não aceitar o vínculo. Agora deixa o Kieran seguir a vida dele em paz...
Tá muito bom os capítulos...
Preciso de ajuda pra comprar moedas, não consigo completa minha compra...
Sera era uma bobinha manipulada e do nada se tornou fodona. A autora exagerou demais. Comecei a ler uma romance onde o começo imita uma história que já existe e depois, a autora acrescentou "os mutantes" na história. Kkkkk Mas os capítulos que abrem essa história nada mais é do quem o plágio de uma história que já existe. A irmã, o marido que gosta da irmã, a noite em que a irmã errada dorme com o cara, casa com ele tem um filho. O divórcio e só depois ele começa a gostar dela... Enfim, copiou na cara dura....
Livro muito bom!!! Sem muita enrolação e historia com enredo e fluxo. Aguardando próximos capítulos e o encerramento breve!!!...
SERAPHINA é muito fraca e idiota,Catherine manipula ela fácil fácil, eu ia lá se sacrificar por uma pai uma família que sempre me tratou mal, eles que se virem...
Escritora por favor, melhora isso aí, Sera fez o ex marido comer o pão que o diabo amassou, botou homens na cara dele, agora a cobra da irmã dela baixa o espírito de Santa e Sara na primeira oportunidade já vai abraçar, me poupe, mais criatividade por favor...
Quando Sera vai descobrir a peste falsa e manipulador que lucian é?? Ele ainda foi embora com o amor da vida dele e ainda deixou a Sera responsável pelos negócios dele, Sera é muito idiota,...