PERSPECTIVA DA SERAPHINA
O hotel era inteiramente nosso por uma noite.
O ar envolto em vapor que vinha das piscinas ao ar livre, as suaves notas de sândalo e água mineral, o baixo murmúrio de conversas e risadas ecoando pelos corredores revestidos de cedro... tudo pertencia a nós.
Em algum momento, comecei a me perguntar se isso era menos sobre o meu retorno e mais sobre umas mini férias para a SDS.
Mas eu amei tudo de qualquer jeito.
Quando a festa começou a desacelerar e as pessoas começaram a se retirar para os seus quartos ou a aproveitar as piscinas e spas, perguntei-me o que o resto da noite me reservava.
Eu pensei que o Lucian poderia perguntar se eu queria ficar com ele. O jeito com que a mão dele permaneceu um pouco mais do que o necessário na minha lombar enquanto caminhávamos em direção aos elevadores me disse que ele estava pensando sobre isso.
Seus olhos, calorosos e contidos, se voltaram para mim mais de uma vez, como se ele quisesse falar, mas estivesse esperando o momento certo.
Meu coração acelerava e minha pele se arrepiava de expectativa a cada olhada furtiva. Passar a noite com ele seria um grande passo, especialmente após apenas um encontro, mas eu não achava que diria não se ele perguntasse.
Mas, antes que ele tivesse a chance, a Maya apareceu entre nós como um furacão de pijama de seda, enganchando o seu braço no meu.
"Desculpa, Lucian," declarou ela, em tom de falsa seriedade. "Eu deixei você buscá-la e ficar com ela na festa, mas tô reivindicando a Sera esta noite. É estritamente uma noite das mulheres."
As sobrancelhas do Lucian se ergueram levemente, mas os cantos da boca dele se contorceram naquele sorriso exasperado e afetuoso que ele reservava para quando lidava com a Maya.
Então, ele me olhou com uma sobrancelha arqueada como se indagasse silenciosamente: 'Você tem certeza que é isso que você quer?'
Eu me surpreendi com a minha relutância. Por mais que eu quisesse passar um tempo com a Maya e colocar as fofocas em dia, a ideia de deixar o Lucian fazia eu me sentir desamparada.
Por fim, concordei com um aceno da cabeça. "Sim, ela tem razão. Precisamos colocar o papo em dia."
Maya sorriu vitoriosa e me puxou em direção ao elevador, acenando displicentemente por cima do ombro.
"Não faz cara feia, Alfa. Eu te devolvo ela amanhã."
A risada baixa e indulgente do Lucian nos seguiu até o elevador e o som continuou aquecendo o meu estômago mesmo depois que as portas se fecharam.
O quarto da Maya ficava no último andar, escondido perto do final do corredor. Quando ela abriu a porta, o cheiro de óleo de eucalipto e citrus já tinha se espalhado pelo ar, junto com o inconfundível som de pacotes de lanches saindo de uma sacola e garrafas de vinho em coolers.
"Pijama," ela ordenou, apontando para o conjunto cuidadosamente dobrado que me esperava na cama. Era um conjunto de algodão pêssego claro, macio ao toque e bordado com pequenas luas brancas ao longo da barra.
"Comprei pra você. Vista tudo, sem discussão."
Abri o pacote e os meus olhos se arregalaram quando um jogo de lingerie combinando caiu. Peguei as finas tiras que se passavam por uma calcinha fio dental e o sutiã correspondente. Eu ficaria surpresa se aquilo cobrisse mais do que os meus mamilos.
"Maya," suspirei.
"O quê?" Ela sorriu de canto.
Dei uma risada, balançando a cabeça, mas vesti as peças mesmo assim, enquanto ela arrumava tigelas de frutas, chocolates, lanches e bebidas gaseificadas na mesa de centro.
Quando saí do banheiro, a Maya já estava encolhida na cama, de pernas cruzadas, com o cabelo formando um halo solto ao redor da cabeça e os olhos brilhando de entusiasmo.
Ela bateu na cama ao seu lado como uma rainha chamando uma cortesã.
"Então," ela começou, no momento em que me sentei, "relatório de progresso. Você e o Lucian. Conta tudo."
Eu gemi, caindo sobre os travesseiros. "Relatório de progresso, Maya? É um relacionamento, não uma missão de reconhecimento de território."
Fiz uma careta quando ela gritou, batendo as mãos na cama animadamente. "Um relacionamento! Você não faz ideia de como isso me deixa feliz, Sera."
Eu sorri. "É, a mim também."
Ela deu de ombros, abrindo um pacote de salgadinho. "Pra ser sincera, eu tava preocupada."
Eu me virei para ela, apoiando a cabeça nas mãos. "Preocupada com o quê?"
Ela jogou um salgadinho para mim, que eu peguei de forma desajeitada.
"Com a sua viagem com o Kieran," ela disse, e o salgadinho apimentado se transformou em cinzas na minha boca.
"O que tem a viagem?"
"Você sabe, né. Você ficou presa numa ilha tropical com ele por dias." Ela se aproximou, aqueles olhos afiados dela acompanhando os meus movimentos. "Aconteceu alguma coisa entre vocês dois?"
"Eu... Como assim?"
Ela revirou os olhos. "Você vai me obrigar a soletrar? Nenhum... encontro romântico sob a luz da lua?" Ela ergueu as sobrancelhas, sem saber o quanto estava acertando em cheio.
Limpei a garganta, me levantei e virei de costas. "Você lê romances demais."
Ela arqueou a sobrancelha. "Isso não foi uma negação."
Eu tossi e peguei uma garrafa de água com gás. Bebi metade do conteúdo antes de voltar a falar. "Claro que é uma negação. Eu tô com o Lucian, lembra? Pensei que você era do Time Lucian."
Os cantos dos lábios dela se moveram. "Sim, sou." Ela jogou um punhado de salgadinhos na boca. "Só queria ter certeza de que você também ainda é, sabe," ela murmurou, enquanto mastigava.
"Sou," insisti.
Ela assentiu. "Mas é uma pena, né?"
"O quê?"
"Quão romântico seria se o Lucian e o Kieran tivessem que lutar pelo seu coração?" Ela largou o pacote de salgadinho e começou a gesticular animadamente. "O velho contra o novo, dois Alfas lutando pelo prêmio supremo..." ela apontou para mim e sorriu, "o seu coração."
Lancei um olhar feio para ela, tentando não repassar mentalmente cada vez em que o Lucian e o Kieran ficaram cara a cara, eu estando no meio.
"Ah, ia ser incrível. Obviamente o Lucian venceria e o coração do Kieran seria despedaçado no processo." Ela abriu os braços. "Isso, minha doce Sera, é o que eu chamo de justiça."

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