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Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei romance Capítulo 99

PERSPECTIVA DA SERAPHINA

O hotel era inteiramente nosso por uma noite.

O ar envolto em vapor que vinha das piscinas ao ar livre, as suaves notas de sândalo e água mineral, o baixo murmúrio de conversas e risadas ecoando pelos corredores revestidos de cedro... tudo pertencia a nós.

Em algum momento, comecei a me perguntar se isso era menos sobre o meu retorno e mais sobre umas mini férias para a SDS.

Mas eu amei tudo de qualquer jeito.

Quando a festa começou a desacelerar e as pessoas começaram a se retirar para os seus quartos ou a aproveitar as piscinas e spas, perguntei-me o que o resto da noite me reservava.

Eu pensei que o Lucian poderia perguntar se eu queria ficar com ele. O jeito com que a mão dele permaneceu um pouco mais do que o necessário na minha lombar enquanto caminhávamos em direção aos elevadores me disse que ele estava pensando sobre isso.

Seus olhos, calorosos e contidos, se voltaram para mim mais de uma vez, como se ele quisesse falar, mas estivesse esperando o momento certo.

Meu coração acelerava e minha pele se arrepiava de expectativa a cada olhada furtiva. Passar a noite com ele seria um grande passo, especialmente após apenas um encontro, mas eu não achava que diria não se ele perguntasse.

Mas, antes que ele tivesse a chance, a Maya apareceu entre nós como um furacão de pijama de seda, enganchando o seu braço no meu.

"Desculpa, Lucian," declarou ela, em tom de falsa seriedade. "Eu deixei você buscá-la e ficar com ela na festa, mas tô reivindicando a Sera esta noite. É estritamente uma noite das mulheres."

As sobrancelhas do Lucian se ergueram levemente, mas os cantos da boca dele se contorceram naquele sorriso exasperado e afetuoso que ele reservava para quando lidava com a Maya.

Então, ele me olhou com uma sobrancelha arqueada como se indagasse silenciosamente: 'Você tem certeza que é isso que você quer?'

Eu me surpreendi com a minha relutância. Por mais que eu quisesse passar um tempo com a Maya e colocar as fofocas em dia, a ideia de deixar o Lucian fazia eu me sentir desamparada.

Por fim, concordei com um aceno da cabeça. "Sim, ela tem razão. Precisamos colocar o papo em dia."

Maya sorriu vitoriosa e me puxou em direção ao elevador, acenando displicentemente por cima do ombro.

"Não faz cara feia, Alfa. Eu te devolvo ela amanhã."

A risada baixa e indulgente do Lucian nos seguiu até o elevador e o som continuou aquecendo o meu estômago mesmo depois que as portas se fecharam.

O quarto da Maya ficava no último andar, escondido perto do final do corredor. Quando ela abriu a porta, o cheiro de óleo de eucalipto e citrus já tinha se espalhado pelo ar, junto com o inconfundível som de pacotes de lanches saindo de uma sacola e garrafas de vinho em coolers.

"Pijama," ela ordenou, apontando para o conjunto cuidadosamente dobrado que me esperava na cama. Era um conjunto de algodão pêssego claro, macio ao toque e bordado com pequenas luas brancas ao longo da barra.

"Comprei pra você. Vista tudo, sem discussão."

Abri o pacote e os meus olhos se arregalaram quando um jogo de lingerie combinando caiu. Peguei as finas tiras que se passavam por uma calcinha fio dental e o sutiã correspondente. Eu ficaria surpresa se aquilo cobrisse mais do que os meus mamilos.

"Maya," suspirei.

"O quê?" Ela sorriu de canto.

Dei uma risada, balançando a cabeça, mas vesti as peças mesmo assim, enquanto ela arrumava tigelas de frutas, chocolates, lanches e bebidas gaseificadas na mesa de centro.

Quando saí do banheiro, a Maya já estava encolhida na cama, de pernas cruzadas, com o cabelo formando um halo solto ao redor da cabeça e os olhos brilhando de entusiasmo.

Ela bateu na cama ao seu lado como uma rainha chamando uma cortesã.

"Então," ela começou, no momento em que me sentei, "relatório de progresso. Você e o Lucian. Conta tudo."

Eu gemi, caindo sobre os travesseiros. "Relatório de progresso, Maya? É um relacionamento, não uma missão de reconhecimento de território."

Fiz uma careta quando ela gritou, batendo as mãos na cama animadamente. "Um relacionamento! Você não faz ideia de como isso me deixa feliz, Sera."

Eu sorri. "É, a mim também."

Ela deu de ombros, abrindo um pacote de salgadinho. "Pra ser sincera, eu tava preocupada."

Eu me virei para ela, apoiando a cabeça nas mãos. "Preocupada com o quê?"

Ela jogou um salgadinho para mim, que eu peguei de forma desajeitada.

"Com a sua viagem com o Kieran," ela disse, e o salgadinho apimentado se transformou em cinzas na minha boca.

"O que tem a viagem?"

"Você sabe, né. Você ficou presa numa ilha tropical com ele por dias." Ela se aproximou, aqueles olhos afiados dela acompanhando os meus movimentos. "Aconteceu alguma coisa entre vocês dois?"

"Eu... Como assim?"

Ela revirou os olhos. "Você vai me obrigar a soletrar? Nenhum... encontro romântico sob a luz da lua?" Ela ergueu as sobrancelhas, sem saber o quanto estava acertando em cheio.

Limpei a garganta, me levantei e virei de costas. "Você lê romances demais."

Ela arqueou a sobrancelha. "Isso não foi uma negação."

Eu tossi e peguei uma garrafa de água com gás. Bebi metade do conteúdo antes de voltar a falar. "Claro que é uma negação. Eu tô com o Lucian, lembra? Pensei que você era do Time Lucian."

Os cantos dos lábios dela se moveram. "Sim, sou." Ela jogou um punhado de salgadinhos na boca. "Só queria ter certeza de que você também ainda é, sabe," ela murmurou, enquanto mastigava.

"Sou," insisti.

Ela assentiu. "Mas é uma pena, né?"

"O quê?"

"Quão romântico seria se o Lucian e o Kieran tivessem que lutar pelo seu coração?" Ela largou o pacote de salgadinho e começou a gesticular animadamente. "O velho contra o novo, dois Alfas lutando pelo prêmio supremo..." ela apontou para mim e sorriu, "o seu coração."

Lancei um olhar feio para ela, tentando não repassar mentalmente cada vez em que o Lucian e o Kieran ficaram cara a cara, eu estando no meio.

"Ah, ia ser incrível. Obviamente o Lucian venceria e o coração do Kieran seria despedaçado no processo." Ela abriu os braços. "Isso, minha doce Sera, é o que eu chamo de justiça."

Ela riu suavemente, acariciando o meu cabelo. "Não há muito para contar. Você já sabe que o meu pai é um Beta. Ele sempre teve grandes ambições pra mim, dizia que eu poderia fazer qualquer coisa que um Alfa faz, talvez até mais." Um sorriso nostálgico apareceu nos seus lábios. "Ele é parte do motivo pelo qual eu faço o que faço. Quero provar que ele tá certo."

Sorri. "Ele deve estar muito orgulhoso de você."

Seu sorriso se alargou. "Sim, acho que tá. Especialmente desde que comecei a trabalhar na SDS."

"Como você começou, aliás?" perguntei, percebendo o quão pouco sabia sobre a minha nova, e melhor, amiga.

Maya inclinou a cabeça e olhou para o teto como se estivesse revivendo memórias. "Foi há anos. Saí de casa pouco depois de completar dezoito anos, confiante demais. Passei um tempo e gastei os meus recursos viajando pelo mundo, tentando fazer a diferença onde pudesse. Vivi principalmente em áreas carentes, ajudei onde pude, tanto humanos quanto lobisomens."

Fiquei quieta, ouvindo.

"Um dia, cruzei com uma Alcateia que não gostava de estranhos, um grupo de lobos Alfas vingativos, fortes, raivosos, procurando alguém mais fraco pra exercer o seu poder. Eles ficaram surpresos quando me encontraram, não esperavam que eu fosse tão forte e revidasse, mas logo, a surpresa deles passou e eles me dominaram. Depressa."

Ela abraçou um travesseiro e suavizou a voz. "Eu ainda era jovem, não sabia nem metade do que sei agora. Pensei... que era o fim."

Meu coração se apertou. "Maya..."

"Mas então ele apareceu. O Lucian." Um leve sorriso tocou os seus lábios. "Como um verdadeiro cavaleiro de armadura e cabelo preto. Foi lindo de ver, Sera. Ele simplesmente... desmantelou todos. Um por um. Eficiente, calmo, como se não fosse mais difícil do que espantar moscas."

Sorri, lembrando de como ele me salvou dos renegados no enterro do meu pai e no restaurante.

O sorriso se desfez quando a imagem de outro lobo, com pelagem marrom dourada, tentou se infiltrar no meu subconsciente. Afastei essa imagem e voltei a focar na Maya.

"E então, quando ele terminou, estendeu a mão pra mim, sorriu calorosamente e disse: 'Obrigado por ter facilitado pra mim. Acho que não teria conseguido sem a sua ajuda'."

Ri ao imaginar a cena tão nitidamente: o Lucian, inabalável e firme, enfrentando calmamente as dificuldades que pareciam impossíveis.

"Depois, ele me convidou para me juntar a ele," continuou a Maya. "Disse que estava criando algo diferente, um grupo que não estava preso a políticas ou poder, mas por escolha e determinação. Saindo das Sombras. Eu não hesitei nem por um momento. Eu o seguiria a qualquer lugar."

Sussurrei, "Você confia tanto assim nele?"

"Sim." Seus olhos encontraram os meus, firmes. "Mesmo agora, depois de todos esses anos, ele nunca me deu motivo pra não confiar. Ele é difícil de decifrar às vezes, distante, talvez um pouco reservado. Mas ele é um homem bom, Sera. Alguém com quem se pode construir um alicerce. Eu vi ele evoluir de alguém sombrio, reprimido, quase sufocado de tanto se conter... pra alguém mais equilibrado, centrado. E ultimamente..." ela fez uma pausa e suavizou o sorriso, "ultimamente, tenho visto ele se soltar mais. Por sua causa."

Engoli em seco, sentindo um calor suave no peito. "Por minha causa?"

Ela assentiu. "Você o mudou, Sera. Ele ri com mais facilidade. Sorri com mais frequência. Agora, há uma leveza onde antes havia peso. Não subestime o que isso significa."

As palavras dela se acomodaram em mim como um chá quente, doce e reconfortante.

Pensei nos raros sorrisos do Lucian, na suavidade dos seus olhos quando encontravam os meus, em como ele havia admitido tão atipicamente que estava com ciúmes, que sentia minha falta.

E, por trás da doçura das lembranças, um conhecido lampejo de culpa também surgiu: porque hesitei, porque deixei as velhas feridas infringidas pelo Kieran obscurecerem o que estava bem diante de mim.

"Espero que possamos ser felizes juntos," eu disse suavemente.

Maya estendeu a mão, apertando a minha. "Vocês serão. Eu sei disso."

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