Algo que aprendi em uma semana trabalhando no palácio do Rei Alfa foi que não importava o lugar, o tratamento para quem era como eu continuava o mesmo.
"Está dizendo que esfregou este chão?" A garota encarregada de me ensinar os detalhes do trabalho me encarou furiosa enquanto eu esfregava o salão de banquetes.
Na prática, ela era igual a mim — uma ninguém. Era uma ômega que trabalhava no palácio há três anos. A chefe das criadas a encarregou de supervisionar meu trabalho. De alguma forma, ela achou que isso era motivo para me intimidar.
"Sim, esfreguei." Não me curvei nem ao Alpha Noah, então se essa ômega qualquer pensava que me curvaria a ela, estava muito enganada.
"Este chão empoeirado?" Ela passou um dedo no chão e levantou a mão. "Acha que aqui é a sua aldeia?" Ela levantou a voz, com um olhar furioso. "Este é o palácio real! Se vai trabalhar aqui, é bom se preparar para trabalhar duro!"
Eu trabalhei duro a vida toda. Sabendo de onde vim, a realidade para a qual não queria voltar, não tinha outra opção. Aquilo não era novidade. Na alcateia de Red Lake, trabalhei como um camelo, dia e noite na alcateia e noite adentro em um pub local para pagar o aluguel na mesma alcateia. Pelo menos no palácio real consegui moradia e alimentação e minha descrição de trabalho era fixa. Esfregar, varrer e tirar o pó. Em poucas palavras, eu era uma faxineira.
"Responda quando falo com você!" Minha supervisora me deu um tapa no rosto e eu fiquei furiosa.
"Mary," disse o nome dela, enquanto minha bochecha queimava. "Por que me bateu?"
"O quê?" Ela gritou. "Como ousa questionar meu método de disciplina? Quer que te bata de novo?" Ela me ameaçou, quase enfiando o dedo no meu olho.
"Você não é responsável por me disciplinar," eu a lembrei. Ela era uma trabalhadora como eu, a única diferença entre nós era sua experiência. Ela tinha tanta autoridade para me disciplinar quanto eu a ela.
"Sou responsável pelo seu treinamento!" Ela ficou vermelha. “Se não trabalhar duro, terei que discipliná-la.” Ela espumava de raiva, ansiosa para me bater de novo, como indicavam seus punhos cerrados. “Como uma nova empregada pode ser tão arrogante?”
Arrogância.
Todos que eu conhecia queriam ter domínio sobre mim. Entendi que em qualquer reunião, eu seria o fundo do poço por ainda não ter um lobo. Por isso, fiquei sozinha e cuidei da minha vida. Fiz meu trabalho conforme as instruções, mas fui acusada de arrogância o tempo todo por quem não conseguiu me fazer lamber seus pés.
"Mary!" Outra empregada correu para o corredor que eu estava limpando. Senti uma pontada de irritação em minhas entranhas quando ela pisou, com os pés sujos, no chão que eu estava lavando havia duas horas.
"Mary, Scarlett está aqui!" Congelei à menção daquele nome.
Killian. Scarlett.
Fui uma tola por não reconhecer aqueles nomes quando acordei em uma alcateia estranha. Depois percebi como as coisas foram perigosas naquele momento. Minhas mãos subiram até meu pescoço. Eu o massageei, lembrando que aquela garota tinha tentado me matar sufocada por pensar que eu estava tirando sarro de seu cabelo ruivo ao mencionar a cenoura.
"Sério? Ela está aqui?" Mary, a ômega que me supervisionava, disse, abrindo um sorriso. "Ela perguntou por mim?"
"Ah, não. Ela veio atrás do príncipe." As duas garotas fofocavam como se eu não estivesse lá e talvez nem estivesse. Ignoraram minha existência, então voltei ao trabalho, lavando ao redor delas.
"Mas é muito cedo para ela estar aqui. Eu não a esperava até o final do mês", reclamou Mary, mas sem perder o ar sonhador. Era evidente que era uma fã de Scarlett, a futura Rainha Luna.
Ela estava noiva do Príncipe Alfa anterior até sua morte misteriosa. Segundo os rumores, sua família, a alcateia de Alfas de Dark Moon, estava pressionando para que ela acasalasse com o próximo príncipe. Ela tinha poder e influência para tornar o reinado dele suave, então era de se admirar que eles ainda não tivessem acasalado.
"Eu ouvi algo," a outra garota baixou o tom de voz. "Não conte a ninguém, mas ouvi dizer que o príncipe tem outra mulher." Sem interesse em fofocas, eu ia parar de prestar atenção na conversa delas, quando a próxima frase gelou meu sangue. "Ele a trouxe para Dark Moon com ele. Ela desmaiou e ele a carregou nos braços!"
Pela deusa, eu estava acabada.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Minha Luna Destinada
Muito bom, quando terá atualizações?...