Passei o restante do dia reclusa em meu novo quarto no majestoso Palácio Principal. Minha mente era um turbilhão de pensamentos, capazes de enlouquecer qualquer um. No entanto, toda vez que me sentia sobrecarregada com as circunstâncias, lembrava a mim mesma que, agora, tinha a oportunidade de me vingar de Noah e sua alcateia por tudo o que me fizeram. Fiz uma promessa silenciosa de transformar suas vidas em um verdadeiro inf*rno, assim como eles fizeram comigo, e não descansaria até alcançar meu objetivo.
Embora parecesse um plano mesquinho e autodestrutivo, eu não podia ir contra o Príncipe. Então, fiz a escolha de tirar o melhor proveito dessa situação. Poderíamos ter um relacionamento cordial, porém desprovido de amor e afeto. Era uma aposta arriscada, mas eu acreditava que funcionaria. Afinal, a Rainha não tentaria nada contra mim, certo?
Com esses pensamentos girando incessantemente em minha mente, soltei um bocejo, espreguiçando-me na ampla cama macia, que mais se assemelhava a nuvens do que a uma cama propriamente dita. Vindo de Red Lake, onde estava acostumada com uma dura tábua de madeira, sentia-me desconfortável em um leito tão luxuoso. Todavia, com o passar do tempo, o sono acabou me dominando.
Quando eu estava prestes a dormir, ouvi a porta se abrir e alguns ruídos, mas minhas pálpebras estavam demasiadamente pesadas para se abrirem. O trabalho no palácio certamente não poderia ser considerado árduo fisicamente, mas a exaustão mental proveniente de minha interação com o Príncipe havia me esgotado por completo. Decidi ignorar os sons, até que, de repente, senti alguém subir na cama.
"O que é isso?!", exclamei, puxando os cobertores para me cobrir ao notar a silhueta de um homem, iluminada apenas pela suave luz da Lua. Com mãos trêmulas, liguei o abajur ao lado da cama, e a luz inundou o ambiente, revelando o olhar do Príncipe sobre mim.
"Exatamente o que parece", grunhiu ele. "Apague essa luz! Quero dormir!", acrescentou Frost, com sua voz profunda.
"M-Mas...", balbuciei. Primeiro, Sabrina havia me forçado a vestir uma camisola transparente e, agora, ele estava na minha cama? "Por que você não dorme no seu quarto?" Aproximei-me da borda da cama. Ele estava do outro lado e, se eu esticasse a mão, não o tocaria, mas, ainda assim, era inaceitável compartilhar o quarto com um homem estranho!
"Por que eu não durmo no meu quarto...?" Seus olhos faiscaram em um brilho vermelho, transbordando de aborrecimento. "Boa pergunta. Por que será que eu não vou dormir no meu quarto, na minha própria cama?", soltou ele, repleto de deboche. "Mas me diga uma coisa. Na cama de quem você acha que tá?" Neste momento, finalmente compreendi o que estava acontecendo.
"N-Nós vamos dormir na mesma cama?!" O terror tingiu minhas palavras, e minha boca se abriu, em choque. Segurei os cobertores ainda mais firme, e seus olhos desceram do meu rosto para minha mão. Sua expressão sombria se intensificou, e engoli em seco quando chamas se acenderam em seu olhar.
"Acha mesmo que eu tô interessado no seu corpo? Com esse físico de tábua e as costelas aparecendo?", questionou ele, em tom cruel e mordaz. "Temos que dormir na mesma cama pra evitar suspeitas. Então, não se iluda. Apague a luz e me deixe dormir."
"C-Claro..." Em um transe, desliguei o abajur, mergulhando o quarto na escuridão.
Em seguida, me encolhi. Fixei o olhar no teto, sentindo as lágrimas deslizarem pelo meu rosto. Onde di*bos eu havia me metido? Nunca esperei gentileza de ninguém, muito menos de um homem conhecido por sua crueldade e insensibilidade. Então, por que meu coração se partia a cada comentário maldoso que ele proferia?
Talvez, fosse porque eu sabia que teria que passar o resto da minha vida com ele, ou pelo menos permanecer com ele até que decidisse que não precisava mais de mim. Ou, talvez, fosse porque inúmeras pessoas já haviam dito e feito coisas cruéis comigo, e eu enfim havia me cansado. Além do mais, o fato de que ele podia acabar comigo com apenas algumas palavras me incomodava um pouco. Seja qual fosse o motivo, eu sentia uma dor intensa quando ele falava de mim com tanto desdém.
Num susto repentino, percebi que era porque me fazia sentir inútil.
Eu nunca havia vinculado meu valor ao que os outros pensavam de mim. Mesmo sabendo que eu não era ninguém, ainda mantinha um pouco de autoestima. Não importava a situação, eu conseguia erguer a cabeça. Mas, com esse homem, parecia impossível. Durante todo o dia, ele só havia falado comigo como se minha mera existência o incomodasse.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Minha Luna Destinada
Muito bom, quando terá atualizações?...