— Pai... — Assim que entrou, os olhos de Sabrina ficaram vermelhos.
— Não me chame de pai! Você não é a minha filha! Eu não criei a minha filha para ser amante, e a esposa do cara ainda apareceu no seu casamento! — O Sr. Saraiva não se importou com a presença dos Cavalcanti. Ele gritava tão alto que qualquer um passando pela rua conseguia ouvir.
Dona Sônia lançou um olhar nervoso para os rostos pálidos dos Cavalcanti e deu um cutucão no marido.
— Chega, por que você está falando isso agora?!
Depois, Sônia virou-se para Henrique e Yara com um sorriso acolhedor.
— Entrem, por favor! Podem entrar e se sentar.
Ao passarem pela porta, esperavam encontrar um lugar abafado e desgastado, mas a sala estava climatizada com ar-condicionado. Além disso, os móveis e o sofá de couro eram todos novos.
Yara observou tudo e relaxou um pouco a expressão tensa. A casa não era tão terrível quanto ela imaginava.
Sônia sorriu.
— O ar-condicionado e a geladeira foram comprados e instalados a mando do Sr. Cavalcanti. O restante dos móveis foi um presente da Sabrina. O Sr. Cavalcanti é uma pessoa incrível, sempre cuidando da Sabrina e de nós.
Yara não disse nada. Um ar-condicionado e uma geladeira não custavam quase nada, afinal.
Camila, por outro lado, olhou com um sorriso provocador para Jorge, que não tinha dito uma única palavra desde que entraram. Cochichando, ela alfinetou:
— E você dizia que não sentia nada pela Sabrina, hein, irmão? Você mal assumiu a relação e já mandou instalar ar e geladeira nova na casa dos pais dela.
Ajudar apenas a funcionária e aluna ainda poderia passar como um "cuidado profissional". Mas patrocinar a família inteira?
Que chefe ou orientador no mundo faria uma coisa dessas?
Jorge travou e apertou os lábios, mantendo-se calado.
O Sr. Saraiva bufou friamente.
— Hum! E o que a família de vocês veio fazer aqui? — resmungou o Sr. Saraiva com desdém.
Apesar de Sabrina ter avisado no dia anterior que os Cavalcanti viriam tratar do casamento, o Sr. Saraiva fazia questão de dar uma de difícil.
Após a fala de Saraiva, a sala ficou em silêncio por alguns segundos.
Camila deu um empurrãozinho em Jorge.
— Fale alguma coisa, irmão!

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