Ao ouvir as palavras de Alice, Ester exibiu uma expressão complexa e constrangida.
— Sra. Cavalcanti... pare com esse show, o Sr. Cavalcanti já trabalha tanto. Continuar agindo assim não lhe trará nenhum benefício. Eu só digo isso para o seu próprio bem...
— Chega, não diga mais nada. — Alice interrompeu o discurso sobre "seu próprio bem", respondendo apenas friamente. — Eu respeito a sua escolha.
Ao dizer isso, caminhou até o carro e foi em direção ao Cartório de Registro Civil.
Ester observou o carro de Alice deixar o jardim da frente e balançou a cabeça em silêncio.
Era uma manhã de segunda-feira e a hora do rush causou um enorme congestionamento.
Mesmo apressada, Alice conseguiu chegar ao Cartório com cinco minutos de antecedência.
Para sua surpresa, a fila na seção de divórcios era quilométrica, até mesmo mais longa que a do casamento.
Alice pegou uma senha e aguardou, mas os minutos foram se passando e Jorge não apareceu.
Na noite anterior, ela havia mandado uma mensagem confirmando o endereço e o horário do encontro.
Não querendo desperdiçar o seu tempo esperando à toa, ela pegou o celular e discou o número dele.
Na primeira tentativa, ele desligou na sua cara.
Ela tentou novamente.
Desta vez, Jorge atendeu impacientemente.
— Fale logo o que você quer.
Antes, ao ouvir aquele tom impaciente, Alice teria ficado muito ansiosa e desligado imediatamente, com grande consideração para não interrompê-lo no trabalho.
Mas agora, ela simplesmente respondeu com a maior calma:
— Estou no Cartório. Nós concordamos em nos divorciar hoje.
Pôde ouvir a respiração de Jorge falhar do outro lado da linha.
A expressão dele quando a viu pela primeira vez na empresa tornara-se um borrão, mas ela nunca se esquecera do que ele lhe disse:
— Não venha mais aqui, não é bom para a minha imagem.
Ela nunca entendera o que a visita da esposa para entregar comida ao próprio marido tinha a ver com a imagem dele, mas mantivera aquela promessa. Desde aquele dia, ela nunca mais pisou na empresa de Jorge.
Muitos anos depois, a empresa havia mudado bastante.
Alice tinha uma memória fotográfica, o que permitiu que ela percebesse de imediato que as duas garotas da recepção não eram as mesmas da sua primeira visita.
— Em que podemos ajudar? — Vendo aquele rosto desconhecido, uma das recepcionistas perguntou, parecendo ao mesmo tempo educada e esnobe.
— Estou procurando o Sr. Cavalcanti. — Alice respondeu.
Procurando pelo Sr. Cavalcanti?
As duas recepcionistas trocaram olhares e, em seguida, examinaram Alice de cima a baixo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Não Quero Mais Ser A Sra. Cavalcanti!