Natália apertava cada vez mais a flanela nas mãos, como se estivesse segurando não um pano, mas sim o pescoço de Alice.
— Vocês, como chegaram tão cedo? — a voz de Benedito Santos ao fundo encerrou os pensamentos de Natália.
Ao ver que Benedito a olhava, disfarçou a ira nos seus olhos instantaneamente, encenando o papel da sobrinha aplicada e gentil.
— Tio! — cumprimentou com doçura e, em seguida, mirou quem o seguia.
Ao ver que estava desacompanhado e que Sebastião Santos não se juntara a ele, demonstrou certo espanto.
Em um acordo mútuo, a família de Sérgio Zamboni ocultou o seu encontro com a Dona Beatriz Lopes. Como a idosa detestava completamente o Benedito, as duas famílias nunca entrariam em contato enquanto pudessem respirar.
Mencionar a Família Lopes àquela altura apenas geraria tristeza para o seu tio.
O velho avistou de longe Natália, que limpava a lápide da falecida esposa, Isabel Lopes, dedicadamente.
Sendo as intenções da sobrinha autênticas ou falsas, a atitude gerou afeição dentro de si.
Ele se encaminhou à lápide, com os olhos avermelhados, e tocou de leve no ombro de Natália: — Nati, muito obrigado.
Os cálculos de Sérgio e Dona Helena não falharam: observar Natália a limpar o túmulo com as próprias mãos realmente tocara Benedito.
Regozijada por dentro, mantinha a aparência sofrida. — Tenho a consciência de que a titia e a minha prima importavam muito para o senhor, eu nunca pude demonstrar qualquer gesto para as duas. Agora, isto é o mínimo da minha consideração.
Com os olhos marejados, Benedito acenou, pegando a flanela das mãos de Natália para realizar ele mesmo a limpeza da lápide de sua esposa e de sua filha.

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