Aos oito anos, seu tio enfrentou a pressão e a buscou no orfanato.
Desde então, ela começou a viver sob o teto dos outros.
Jorge tinha uma personalidade passiva e covarde, mas por ela, brigou várias vezes com Marta.
Tentava o máximo, dentro da sua capacidade, dar o melhor a ela.
Embora, na maior parte do tempo, ele não pudesse fazer nada contra a atitude dominadora de Marta...
Seus pensamentos foram interrompidos por batidas na porta. Ao abrir, era a recepcionista do hotel.
A recepcionista estendeu o saco de comida que trazia na mão.
— Srta. Isadora, a sua refeição.
— Eu não pedi nada. — Embora, de fato, ela ainda não tivesse jantado.
— Alguém me pediu para entregar para você.
— Quem?
— Acho que tem um bilhete aí dentro, você vai descobrir se der uma olhada.
Isadora pegou o saco e tirou o bilhete de dentro.
Havia apenas uma linha curta escrita.
[Coma bem, durma bem.]
Desceu o olhar para a assinatura e viu palavras grandes e firmes.
[Sapo do Poço]
Isadora encarou o bilhete. Por um momento, não soube de qual emoção aquilo vinha.
Mas os cantos de seus lábios se moveram levemente.
...
Na manhã seguinte, Isadora recebeu uma ligação do tio, pedindo que voltasse para casa ao meio-dia para comerem juntos.
Ela não recusou.
Priscila raramente voltava, e por mais que não se dessem bem, ela tinha que mostrar respeito ao tio.
Ao desligar a chamada, uma mensagem no WhatsApp apareceu.
[Desça. Preciso falar com você.]
Era Thiago.
Isadora puxou a cortina e olhou do segundo andar. Thiago estava sério, parado na porta do hotel soprando argolas de fumaça, com a mesma roupa preta de sempre. Tinha um jeito bruto, mas cheio de masculinidade.
Isadora jogou um casaco por cima de qualquer jeito e desceu.
— Ontem ficou muito tarde, então passei a noite no hotel.
Guilherme estava prestes a continuar, mas notou o casaco masculino nos ombros de Isadora. Quando mudou o olhar, deparou-se com um homem rígido e sério encarando-o sem expressão.
— Isa, quem é este?
Antes de Isadora poder explicar, o celular de Guilherme tocou.
Ele olhou o identificador de chamadas, um traço de suavidade surgiu em seu rosto, e ele atendeu a ligação na frente de Isadora.
— Xue... Sim... Volto para Nova Alvorada hoje... Entendi... Também estou com saudade... Comporte-se... Me espere voltar...
A atitude carinhosa e o tom afetuoso funcionaram como pregos afiados, fixando-se com força no coração de Isadora...
No passado, Guilherme também acariciava a cabeça dela e dizia "estou com saudade", também a consolava com voz suave toda vez que ela chorava: "Estou aqui, vou sempre estar com você".
Mas, em apenas alguns meses, ele iria se casar com outra mulher e se tornar o marido de outra pessoa...
— Desculpe, fui atender a uma ligação. — Guilherme exibia um sorriso elegante e voltou o olhar para ela de novo. — Isa, quem é este senhor?
Com uma enxurrada de emoções tomando conta do coração, Isadora perdeu a compostura, algo raro para ela.
Um pensamento infantil cruzou sua mente.
De repente, ela segurou o braço de Thiago e sorriu para Guilherme.
— Ele é meu namorado.

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