— ... — Isadora presenciou pela primeira vez como um homem podia ser tão sem vergonha, ela recuou sua mão com a cara fria.
— Treinador Valente, você é um professor, preste atenção em seu comportamento.
— Brincadeira. — Thiago encerrou a questão e zombou com as sobrancelhas: — Se não quiser, não importa.
Terminadas as palavras, Thiago pegou a camisa que estava na cadeira e foi para a janela.
Quando voltou o olhar, ele segurava um cigarro na mão, recostado na parede com naturalidade enquanto a observava.
— Achou a casa?
Isadora não respondeu e focou no principal: — Treinador Valente, cuide do seu amigo. Me chamando de cunhada em toda oportunidade, um pouco intrusivo, não acha?
A fumaça embaçou o rosto do Thiago, e o tom preguiçoso soou entre a fumaça.
— É, foi um pouco intrusivo.
Isadora foi séria: — E não me interessa se você está brincando comigo ou falando sério. Eu não me sinto atraída por você. Não é o meu tipo.
Os olhos esconderam uma sombra atrás da fumaça por um instante.
Thiago baixou a cabeça e deu outro trago, apagando o cigarro no cinzeiro.
Com a fumaça esvaindo, ele a olhou com os olhos semicerrados: — Então que tal, mude o tipo que você prefere.
Como um galo conversando com um pato.
Era um caso perdido.
Não dava para se comunicar com ele.
Isadora virou para ir, mas foi chamada de volta: — Espera. Eu vou sair do trabalho e posso te levar de carona.
— Não é necessário.
— A essa hora não tem mais ônibus.
— Eu pego um táxi.
— Se for de táxi de volta para a cidadezinha, vai custar mais de oitenta.
— ...
— Relaxe. — Thiago disse, parecendo um santinho: — Eu sou muito sincero, estou te tratando apenas como amiga.
— ...
— Isa, você volta para casa sem me avisar, se não fosse a Clarice, eu acharia que você ainda estava em Nova Alvorada.
Isadora voltou a si e respondeu calmamente: — Muito ocupada e esqueci.
Guilherme não se adaptou com o fato de ela estar tão séria e franziu a testa: — Isa, você mudou. Antes você me contava tudo, por que agora...
— Guilherme. — Isadora o cortou, falando com certa distância: — Você está noivo e eu acho que precisamos manter certa distância.
Com isso, o clima esfriou.
Após um tempo, Guilherme tirou um convite de seu bolso e o estendeu para ela.
— Isa, no dia quinze do próximo mês eu vou me casar, e eu espero que você vá. Você sabe, eu... sempre te considerei como uma irmã.
O coração de Isadora gelou.
Guilherme viera de tão longe só para lhe dar um convite.
— Tudo bem, eu vou. — Os dedos de Isadora apertaram o convite, que ficaram mais brancos: — Eu vou indo, se não tiver mais nada.
— Isa... eu... — Guilherme pensou duas vezes antes de falar e sua aparência demonstrou pena e vergonha: — Desculpe. Eu sabia como se sentia, há muito tempo... eu não resistia ao fato de você ser boa para mim e não podia dizer a verdade...
— Isa, as nossas famílias são parecidas, na minha profissão não poderia me ajudar... Seria muito difícil para nós ficarmos juntos. A família dela é importante e nós não poderíamos chegar nesse nível, pelo meu futuro, devo me casar com ela.

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