Isadora piscou meio desconfortável e rapidamente desviou o olhar.
Pronto.
A levianidade estava nele; o que seria estranho era ele ser atraente.
Com o remédio aplicado, o carro se moveu.
— Tem alguma coisa na cidade? — Thiago perguntou, segurando o volante.
— É.
— O que?
— Procurar casa.
Houve uma rápida expressão de surpresa nos olhos de Thiago, e depois ele perguntou com tranquilidade.
— Você pretende morar em Planalto?
Isadora respondeu sem dar muita importância: — Pode-se dizer que sim.
Estava sem dinheiro, não estava bem de saúde e só conseguia ficar em sua terra natal por um período de transição.
Pensava em encontrar um emprego na cidade depois do Ano Novo, guardar um pouco de dinheiro e depois se organizar.
Após conversar um pouco, ficou tudo em silêncio.
Isadora não estava se sentindo muito bem e fechou os olhos para descansar.
Ao acordar, já havia chegado ao destino e tinha um casaco preto jogado sobre o seu corpo.
Aquele homem tão mão de vaca até que tinha consideração.
O banco do motorista estava vazio, e Isadora procurou até ver o Thiago através do vidro dianteiro.
Ele estava do lado de fora do carro falando no telefone, e sua figura era esbelta e firme, o suéter preto destacava o contorno de seus músculos. Tinha um charme forte e indescritível.
Neste momento, Thiago virou a cabeça e seus olhos se encontraram com os dela.
O olhar frio no rosto dele sumiu assim que encontrou o dela, preenchido por um ar relaxado. Ele levantou a sobrancelha e disse com a boca: — Acordou?
Mesmo com o vidro entre os dois, Isadora conseguiu ler a sua boca.
Isadora desceu do carro e estendeu o casaco: — Obrigada.
— Amiga. — Thiago jogou o casaco por cima de seu braço, enfatizando a palavra: — Não precisa agradecer.
Queria apenas alugar um por quatrocentos ou quinhentos e pagar por mês, mas o corretor disse que não era tão simples e que um quarto simples passava de setecentos.
À tarde, quando Isadora estava se preparando para ir embora, recebeu uma ligação do corretor.
Foi dito que ali perto da Praça do Século havia um apartamento de um quarto recém-reformado de repente, e como o proprietário iria para outra cidade amanhã, queria alugar hoje, e o preço seria só de quinhentos, pagável mensalmente.
De acordo com o orçamento.
Aquilo ali era a sorte batendo na porta.
Ela foi logo assinar o contrato, com medo de perder aquela sorte para outra pessoa.
Assim que resolveu a questão da casa, o telefone tocou de novo, e, ao atender, ela descobriu que era uma agência de tradução a chamando para uma entrevista.
Ela tinha enviado o currículo ontem em uma plataforma de emprego, hoje recebeu a ligação, e o local da entrevista era perto da Praça do Século.
A entrevista ocorreu muito bem, a patroa era uma mulher local calorosa e direta, de lábios vermelhos e cabelos cacheados, madura e bonita.
Assim que ouviu que Isadora tinha se formado na Escola de Línguas Estrangeiras de Nova Alvorada e que tinha trabalhado numa grande e conhecida empresa de tradução, concordou em contratá-la, dizendo que começaria no trabalho depois do Ano Novo.
Apenas que o salário em Planalto era mais da metade menor do que em Nova Alvorada.
Após a entrevista, assim que Isadora pegou o elevador para descer, uma voz agitada soou por trás dela.

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