— Vitória! Chefe! Aqui!
Fernando Pereira guiou Vitória até a mesa, e os dois ocuparam as únicas cadeiras vazias.
— Olha só! Quando me disseram que vocês dois pareciam gêmeos siameses, achei que era exagero. Pelo visto, é a mais pura verdade.
— A gente chegou cedo para pedir a comida. O que vocês tavam fazendo enrolando lá atrás?
— Pois é! Durante a investigação foi a mesma coisa, os dois não se desgrudavam por nada.
Um homem bonito e uma mulher linda juntos sempre chamavam atenção. Como a equipe já estava íntima, as brincadeiras eram inevitáveis.
Vitória não resistiu e lançou um olhar de esguelha para o rosto de Fernando.
Ela mal tinha acabado de estabelecer limites com ele, e agora essa gente estava ali, fazendo piada com os dois.
Isso não era jogar sal na ferida dele?
— Parem com essas brincadeiras. Eu tenho namorado, não vão estragar a reputação do capitão à toa.
Um dos detetives piscou para ela, malicioso.
— E como você sabe que o capitão liga pra reputação, Vitória?
— É, e esse seu namorado aí...
Antes que ele pudesse terminar a frase, o investigador veterano ao lado pisou com força em seu pé.
O rapaz soltou um gemido de dor. Ao encontrar o olhar duro do colega mais velho, encolheu-se na cadeira, quieto como um ratinho.
— Não liga pra ele, Vitória. O moleque já bebeu umas a mais, tá falando besteira.
Vitória deu um sorriso educado.
— Sem problemas.
O assunto morreu ali. A conversa fluiu e logo voltou para o caso de estupro seguido de morte que assombrava a delegacia.
Ouvindo atentamente, Vitória descobriu que a investigação avançara rápido. Vários suspeitos já estavam na mira.
— Esse caso é bizarro demais. Dá a impressão de que o assassino tá brincando com a gente.
— Nos primeiros crimes, ele atacava por puro instinto, sem planejar muito. Mas nesse último, ele se preparou por muito tempo.

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