Vitória Lacerda ficou paralisada por alguns segundos, mas acabou estendendo a mão para pegar o sanduíche, que tinha uma aparência ótima.
— Tudo bem.
Os dois desceram lado a lado para o estacionamento subterrâneo.
Quando Vitória Lacerda ia puxar a maçaneta da porta do motorista, Fernando Pereira interveio:
— Deixa que eu dirijo. Aproveite para tomar o seu café.
Sem hesitar, Vitória Lacerda entregou a chave do carro.
Ao sentar no banco do carona, não sabendo muito bem o que falar — afinal, não tinham intimidade nenhuma —, ela simplesmente abaixou a cabeça e começou a comer.
O sanduíche ainda estava quente. Na primeira mordida, os olhos de Vitória Lacerda brilharam.
— Isso tá muito bom! Você comprou naquela padaria perto do condomínio?
Os olhos de Fernando Pereira estavam focados no trânsito. Sem nem virar o rosto, ele respondeu com a maior naturalidade do mundo:
— Não comprei. Fui eu que fiz.
— Você que fez?
Vitória Lacerda olhou para ele, chocada.
Fernando Pereira também virou o rosto para encará-la.
Ao ver os olhos dela arregalados de surpresa, lembrando muito um gato persa que ele tivera no passado, um sorriso escapou de seus lábios e ele confirmou com um "hum":
— Eu costumo correr de manhã, e quando volto para casa, preparo o meu próprio café.
Vitória Lacerda fez um sinal de joinha para ele:
— Impressionante.
Ao contrário dela, que mal tinha tempo para dormir o suficiente. Onde arrumaria energia para correr de manhã?
— Correr faz bem para a saúde.
— Pff...!
Vitória Lacerda cobriu a boca imediatamente:
— Desculpe, não foi por mal.
Vendo a expressão confusa de Fernando Pereira, ela pensou um pouco e explicou:
— É que o tom que você usou agora lembrou muito um professor antigo da minha faculdade. Não consegui me segurar.
O olhar de Fernando Pereira escureceu de leve:
— Eu pareço tão velho assim?

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