— Depois, eu pedi que comparassem o seu DNA com o da vítima. E finalmente confirmamos que a pessoa que morreu no incêndio tinha parentesco biológico com você.
Letícia estava de olhos arregalados.
Ela era muito jovem e havia crescido no interior, numa fase da vida em que ainda estava aprendendo sobre o mundo.
Por isso, as explicações técnicas de Vitória pareciam grego para ela.
Vitória percebeu isso e parou de falar sobre detalhes médicos, dando tempo para a garota processar a informação.
— Se a minha irmã morreu queimada, então o caso não tem um assassino?
Agarrada a um pingo de esperança, Letícia murmurou a pergunta que apertava o seu coração.
Vitória balançou a cabeça.
— Existe, sim, um assassino.
O corpo de Letícia começou a tremer.
Ficou claro que a garota, sendo tão inteligente, já havia adivinhado a resposta. Ela só não queria acreditar.
— Dra. Vitória.
Bateram na porta da sala de visitas. Vitória respondeu, pediu a Letícia que esperasse um momento e saiu para o corredor.
— E então?
O policial que a chamou balançou a cabeça.
— O Cristiano Mendes já confessou tudo. Mas o Caio Mendes continua batendo o pé e não cede.
— Ele insiste em dizer que foi ele quem matou. Só que todas as provas mostram que ele não tem quase nada a ver com o caso.
O policial esfregou a testa, frustrado.
— Por que um universitário com um futuro brilhante pela frente faz tanta questão de afundar junto?
— Mesmo que essas pessoas sejam a família dele, não precisa todo mundo ir para a cadeia.
Vitória abaixou o olhar.
— O que o Fernando disse?
— O Fernando sugeriu que você convença a garota a ir falar com o Caio Mendes.
Vitória pensou por alguns segundos e assentiu.
— Entendi.
— Vou voltar lá.

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