Fernando Pereira ficou mudo.
— Já conversei com o arquiteto. — ele tentou contornar a situação. — Não precisa de nenhuma alteração drástica. É só para alinhar melhor os móveis com o design da casa.
— Ah, eu entendo, eu entendo. Vocês jovens adoram inventar moda e misturar tudo. Contanto que você deixe tudo arranjado, está ótimo.
— Vou desligar então.
— Espera aí! — gritou o avô. — Me conta direito o que você estava fazendo no quarto da garota! Vocês já...
Antes que o velho pudesse terminar a frase, só o som agudo de ocupado soou do outro lado da linha.
Era óbvio que Fernando tinha desligado na cara dele.
— Humpf! Moleque insolente! — resmungou o Sr. Guilherme, sacudindo a cabeça.
Aquele seu neto era mais fechado que um cofre. Tirar uma fofoca dele era mais difícil do que ganhar na loteria.
— Sr. Guilherme? — O mordomo bateu na porta.
O velho respondeu com um resmungo sem ânimo para que entrasse. O mordomo apareceu segurando um envelope.
— A família Dutra vai dar um jantar beneficente. O convite chegou para o senhor.
— Outro jantar beneficente? Que tédio. Essa gente arruma qualquer desculpa para dar essas festas de fachada. Pode recusar.
A cabeça do Sr. Guilherme estava inteiramente voltada para o casamento do seu neto. Ele não tinha tempo a perder em festas fúteis da alta sociedade.
O mordomo exibiu um olhar constrangido.
— Mas... O jovem mestre já confirmou presença.
Ao ouvir isso, o Sr. Guilherme quase pulou da cadeira.
— O quê?! O meu neto vai a um evento social?
— Exatamente. O assistente dele no Grupo acabou de me mandar mensagem. Disse que o jovem mestre não só vai, como exigiu que um terno sob medida fosse enviado imediatamente.
Os olhos do velho brilharam de alegria.
— Será que ele finalmente tomou juízo e decidiu voltar para herdar os negócios da família?
O mordomo achava aquela teoria altamente improvável, mas, vendo a euforia do chefe, apenas concordou:

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