Vitória ouviu os resmungos intermináveis de Isaque em absoluto silêncio.
Durante os últimos sete anos, ela não fazia ideia de que ele escondia tanta insatisfação.
Mas de onde ele tirou a coragem para jogar toda a culpa nela?
— Tem uma coisa que eu não estou entendendo. — O tom de Vitória era frio e distante. — Ou eu perdi a memória, ou você está delirando. Nós somos apenas namorados. Você nunca me pediu em casamento, nós não estamos noivos e muito menos casados. Você vir aqui reclamar que quer comida quente na mesa, mulher e filho te esperando em casa... Não acha que está se adiantando um pouco?
— Ou será que você já tem outra família por aí?
O olhar de Isaque vacilou.
— Vitória, não foi isso que eu quis dizer. Eu só... só queria que você me desse mais atenção.
— E por que eu deveria?
A frieza daquela resposta atingiu Isaque como uma marretada.
— O quê?
Vitória o encarou, sem piscar.
— Eu perguntei por que eu deveria.
— Não existe nenhuma regra no mundo que diga que a mulher precisa ficar em casa cozinhando para o homem. Você é médico, salva vidas, e eu respeito o seu trabalho e a sua ambição. Ser médica legista é o meu trabalho e a minha ambição. Se você queria alguém para fazer o jantar e bancar a esposa perfeita no sofá, bateu na porta errada. A gente se conheceu ontem, por acaso? É o seu primeiro dia sabendo que sou legista?
— Ou, no fundo, você sempre pensou assim? Que, no minuto em que casássemos, eu teria que largar a minha carreira para virar sua dona de casa?
Vitória massageou as têmporas. Sua voz agora era puro gelo.
— Se for isso, acho que não temos mais como continuar. Porque eu jamais abandonaria a minha profissão por causa de um casamento.
— A medicina legal é a minha paixão. Eu não vou desistir dela nunca.
— Como assim, Vitória Lacerda?!
— Jogar fora sete anos de relacionamento assim, do nada?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: No Lugar do Meu Ex, Casei com o Capitão da Polícia