Agora ela era adulta. Podia proteger sua mãe.
E ficar de braços cruzados esperando a tragédia não era o seu estilo. Para lidar com pessoas daquele tipo, era preciso atacar primeiro.
Pensando nisso, Vitória pegou o celular e abriu o contato de uma velha amiga. Ela hesitou entre ligar ou mandar mensagem, mas optou pela segunda opção.
[Quanto tempo.]
[Como você tem passado?]
[Queria te ver. Vai ter algum tempo livre por esses dias?]
Depois de enviar, ela colocou o celular com a tela virada para baixo sobre a mesa. Olhava para o aparelho a cada cinco segundos, com o coração batendo na garganta de tanto nervosismo.
Após meia hora agonizante, o celular finalmente vibrou.
[Olha só, a grande médica legista Vitória tem tempo na agenda para me ver?]
Vitória soltou um longo suspiro de alívio. Graças a Deus, a amiga ainda queria falar com ela.
Lendo a mensagem com calma, ela quase pôde ouvir o tom de deboche na voz da amiga. Não deu para não rir.
[Ainda tá brava comigo?]
[Se a doutora legista desceu do pedestal para falar comigo, como é que eu vou ter a audácia de ficar brava?]
A resposta veio voando. Antes que Vitória conseguisse digitar alguma coisa, a tela piscou com uma chamada.
Assim que atendeu, a voz escandalosa invadiu seus ouvidos:
— Vitória Lacerda, sua cara de pau! Você ainda tem coragem de me mandar mensagem?! O que foi? Achou que só porque eu não estou em Valedoura para te encher de porrada, você tá livre, é?
Vitória encolheu os ombros instintivamente.
— Desculpa vai... — Ela usou aquele tom manhoso que reservava só para as amigas. — Eu sei que errei, Juliana. Me perdoa.
Do outro lado da linha, Juliana Rodrigues quase deixou os olhos caírem do rosto.
— Eu ouvi direito? A teimosa da médica legista Vitória está me pedindo desculpas?
Vitória sorriu sem graça.

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