Sem ter outra escolha, eles tiveram que contratar diaristas para fazer a limpeza regularmente.
Com isso, ficaram sem ninguém para cozinhar em casa.
Kelly Lacerda, sendo aquela "garota de ouro", obviamente jamais pisaria em uma cozinha.
Isaque Cavalcanti, por sua vez, sabia cozinhar, mas ele era médico e geralmente se preocupava muito com suas mãos.
Além disso, ele sempre acreditara que "um cavalheiro se mantém longe da cozinha". Uma ou duas vezes era tolerável, mas se tivesse que cozinhar todos os dias, no que ele se transformaria?
— Esquece, esquece.
Kelly Lacerda se sentiu bem mais aliviada depois de desabafar.
Acenando com a mão, ela disse: — Vamos comer aqui mesmo. Vamos acabar com isso logo e ir embora. Estou morrendo de sono.
Isaque Cavalcanti voltou aos seus pensamentos, deu um sorriso falso e pegou um par de pauzinhos descartáveis para ela: — Certo.
Kelly Lacerda deu uma olhada com aversão, mas, no fim, estendeu a mão e pegou.
O dono da barraca começou a trazer as coisas que Kelly Lacerda e Isaque Cavalcanti haviam pedido.
Por último, ele ainda trouxe uma panela de caldo de osso que cheirava incrivelmente bem.
— Você que pediu isso?
Kelly Lacerda deu uma olhada para o caldo de osso.
O caldo tinha uma cor branca leitosa muito bonita; só de bater o olho já dava para perceber que aquele ensopado havia sido cozido com perfeição.
Embora Kelly Lacerda estivesse acostumada a comer coisas finas, depois de se divertir feito louca a noite toda, a fome era tanta que qualquer coisa parecia deliciosa.
Ela mal podia esperar; pegou uma tigela para servir a sopa, murmurando para si mesma: — Não imaginava que o dono dessa barraquinha teria tanto talento.
Isaque Cavalcanti olhou para a panela de sopa e franziu o cenho.
— Eu não pedi isso.
Quem é que pediria uma panela de sopa no meio da madrugada?

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