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Nosso Casamento Tinha Prazo romance Capítulo 487

O velho olhou para ele, achando estranho.

Urbano lançou um olhar zombeteiro para Celeste antes de dizer, de propósito:

— De qualquer forma, a Sra. Alves é a benfeitora da Família Simões, e a Família Simões sempre atenderá a qualquer pedido dela, não importa a situação. Vô, ela salvou a sua vida, o senhor não pode simplesmente ignorar a gratidão que lhe deve só por causa de um fracasso dela.

A palavra "gratidão".

Um brilho de compreensão cruzou o olhar de Celeste.

De repente, tudo ficou muito claro para ela.

Ela olhou para Urbano, com uma expressão inescrutável.

O velho também achou que tinha ouvido errado.

Ele até limpou os ouvidos com o dedo:

— Repete isso? Quem me salvou?

Urbano percebeu subitamente que o clima estava estranho.

As palavras que estavam prestes a sair de sua boca tornaram-se hesitantes, especialmente ao encontrar o olhar do avô, que parecia rir de raiva. Ele sentiu um calafrio repentino e uma sensação de vazio se formou em seu estômago.

— Que cara é essa, vô?

— Quem te disse isso? Aquela tal Sra. Alves? — O velho perguntou de forma direta.

— O que tem?

O velho bateu na mesa, levantou-se abruptamente, agarrou sua bengala, marchou até ele e, sem hesitar, desferiu-lhe uma paulada.

A força do velho não era pouca; Urbano deu um pulo de dor no mesmo instante. O avô, achando que não tinha sido o bastante, correu atrás dele e desferiu mais alguns golpes firmes, até parar, ofegante, apoiado na bengala:

— Seu moleque imbecil, como consegue ser tão burro a ponto de ser feito de capacho pelos outros?! Essa sua tal de Sra. Alves quis roubar o crédito o tempo todo! No meu banquete de aniversário, eu já não dei trela para ela, e ela sabia muito bem disso. E você ainda se deixa ser usado por ela?!

Urbano nem se importou com a dor excruciante que parecia quase quebrar seus ossos.

Ele abriu a boca, chocado:

— Não foi a Dulce?

O velho estendeu a mão e apontou para Celeste, que permanecia calmamente sentada:

— Foi a Celeste quem me salvou. Eu ainda não estou gagá a ponto de esquecer os rostos das pessoas!

Urbano virou a cabeça bruscamente em direção a Celeste.

Seus olhos se arregalaram, atônito demais para emitir qualquer som.

— Que cara é essa? Você por acaso já fez alguma besteira? O que você fez com a Celeste...?

Ele se lembrou de imediato da postura nem um pouco amigável que Urbano direcionava a ela...

— Seu desgraçado! — O velho ficou tonto de tanta raiva. — Esqueça a ideia de voltar para a sede! Se tiver capacidade, mostre resultados pelos próprios méritos, senão, vai ficar na filial para o resto da vida!

A respiração de Urbano ficou descompassada, e seu rosto assumiu uma palidez doentia.

Se não fosse transferido de volta, que tipo de resultados ele precisaria alcançar para ser promovido novamente?

O velho deduziu que seu neto não devia ter feito coisa boa, e olhou para Celeste com profunda vergonha:

— Celeste, ele te ofendeu de alguma forma?

Celeste sabia que, naquele momento, a etiqueta mandava dizer que não, mas optou por defender a si mesma:

— Bastantes vezes.

O rosto de Urbano paralisou ainda mais.

Celeste olhou fixamente para ele e pronunciou cada palavra com clareza:

— Você me deve um pedido de desculpas.

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