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Nosso Casamento Tinha Prazo romance Capítulo 637

A voz de Dulce soou gentil e educada, mas nas profundezas dos olhos que fixavam Celeste crescia um tom de ironia afiada, mesmo que o sorriso ainda estivesse em seu rosto.

O olhar direcionava-se implacavelmente a Celeste.

Celeste só queria ficar fora daquilo, mas, pelo visto, Dulce estava determinada a arrastá-la para o meio da confusão.

Até mesmo torná-la um alvo de piada diante de todas.

Fabiana continuou a bebericar seu chá, com um leve e sutil sorriso no canto dos lábios.

Ela sabia perfeitamente o poder destrutivo que Dulce exercia sobre Celeste. Ali estava a prova: com grande facilidade, ela fez Celeste perder a face e lhe deu algumas facadas cruéis.

— Foi ele quem mandou você me procurar para pedir a receita? — Celeste abaixou lentamente o doce que segurava, sabendo perfeitamente que Dulce agia de propósito.

Por isso, sua pergunta também foi ainda mais direta.

— Eu não esperava te encontrar aqui por acaso. Afinal, você é a aluna prodígio do Sr. Resende. Eu e Gregório valorizamos muito nosso primeiro filho. Ter uma médica tão talentosa para ajudar na gestação nos deixa muito mais tranquilos. — Os olhos de Dulce cintilaram ao responder sorridente.

Suas palavras não responderam explicitamente se "foi Gregório quem pediu", mas cada sílaba soava como se fosse uma decisão tomada em conjunto pelo casal.

Um leve tom de escárnio surgiu nos lábios de Celeste, com o olhar repleto de frieza.

O filho era deles; por que diabos ela deveria se responsabilizar?

— Vocês não têm medo de que, depois de fazerem tantas coisas ruins, eu acabe colocando um pouco de veneno?

Diante dessas palavras, Dulce olhou para ela com um ar de impotência, como se Celeste estivesse sendo irracional e impossível de se dialogar.

— Eu sei que você está magoada agora, por não ter conseguido fazer o Gregório querer ter um filho com você todos esses anos. Mas você precisa aceitar a realidade. Deixe para trás o que deve ser deixado. Liberte o Gregório e me liberte também. Pessoas que se amam não deveriam passar por esse sofrimento. — Seus olhos marejaram de repente e, com lágrimas caindo, caminhou para sentar-se ao lado de Celeste.

A expressão de Celeste tornou-se ainda mais sarcástica.

— Celeste, a criança precisa nascer em uma união legítima. Considere isso como uma boa ação, está bem? — Dulce pareceu ofendida com a expressão dela, e seu rosto mudou para um ar de desespero e impotência.

Celeste apenas observou a outra destilar aquele tom de comando prepotente, camuflado de vítima.

Superficialmente, ela estava implorando.

Mas, na prática, era um aviso e uma ordem arrogante.

Cada palavra servia para menosprezar os anos que Celeste havia vivido, usando a criança no próprio ventre para humilhá-la.

Além disso.

Ela esfregou levemente as pontas dos dedos na xícara de chá que segurava.

E no exato momento em que a outra achava ter a vantagem, secretamente orgulhosa, Celeste levantou a xícara.

E despejou o chá inteiro, diretamente sobre a cabeça de Dulce.

O chá, que ainda estava bem quente, fez Dulce dar um salto instantâneo.

— O que você está fazendo?! Eu só disse a verdade, precisava me humilhar assim? — Com o cabelo cuidadosamente arrumado agora encharcado e desfeito, seu rosto mudou de cor enquanto encarava Celeste com fúria.

Celeste recolocou a xícara na mesa.

Sim.

Era uma humilhação.

Ela apenas devolveu a humilhação que recebeu, e a outra já estava perdendo o controle.

— Já que você me implorou dessa forma em público, se eu não colaborasse, você passaria vergonha. E se você está implorando, é porque sabe que o que está fazendo é amoral e sem consciência. Então, será que você não consegue suportar nem mesmo essa xícara de chá?

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