A atitude de Walace não deixava qualquer margem para discussão.
Celeste sentiu um amargo no coração.
Sabia muito bem que a explosão do Sr. Resende era apenas o instinto de proteger aqueles que ele amava.
Em sua idade avançada, ele ainda se preocupava e perdia a calma por causa dela.
E até intervinha para defender a sua honra.
Dulce sentiu picadas de agulha perfurando seu peito.
Tinha certeza de que fora Celeste quem espalhara fofocas, e a situação em que se encontrava parecia como ser atirada a uma fogueira para queimar lentamente.
Pedir que assumisse a culpa por destruir o casamento de Celeste?
Aquilo era apenas outra forma de dizer que ela havia sido rejeitada!
— Sr. Resende, ainda assim espero que o senhor reconsidere. Se o senhor tiver qualquer exigência razoável, farei o meu melhor para atendê-la. — Gregório apertou os olhos, levantando-se lentamente, mantendo a postura firme, sem arrogância e sem submissão.
E, ao mesmo tempo...
Não recuou.
Claro que não aceitaria que Dulce passasse por tamanho constrangimento ou se submetesse àquela humilhação em praça pública.
Celeste observava a cena em detalhes.
Um sorriso carregado de desdém escapou-lhe dos lábios.
O amor era realmente glorioso.
Um prodígio tão venerado como Gregório, abaixando sua cabeça majestosa em reverência a Dulce.
Já ela, a verdadeira vítima dos rumores cruéis, via-se relegada à completa indiferença dele...
O peito de Celeste subiu e desceu de forma abrupta.
Aos poucos, ela soltou a mão cerrada.
As unhas já haviam deixado marcas fundas e avermelhadas na pele.
Walace encarou o homem nobre e centrado à sua frente, quase decepcionado.
Agora, a sua certeza só aumentava.
Gregório não era digno de ser pai de Laura!
— Então a nossa conversa se encerra aqui.
Walace não acrescentou mais nada.
Com o semblante gélido, abriu a porta e partiu.
A expressão de Dulce era péssima.
Nunca fora tão rebaixada na frente de outras pessoas daquela forma.
E quem havia originado todo aquele pesadelo era Celeste, que a denegria com a mais pura intenção destrutiva.
Se Celeste não a tivesse incriminado pelas costas, o Sr. Resende jamais a recusaria.
Celeste não tinha cabeça para analisar o quão desapontado Gregório deveria estar pela rejeição.
Despediu-se brevemente de David e saiu em disparada atrás de Walace.
O velhinho estava zangado.
Precisava acalmá-lo.
Assim que Celeste desapareceu.
O olhar de Gregório repousou em David; seu tom de voz era muito polido, contudo, bastante frio:
— Lamento pelo incômodo de hoje. Então, Diretor Costa, conversaremos em outra oportunidade.
Ele nem sequer pediu que David interviesse para interceder a seu favor.
Limitou-se a aceitar o resultado.
David também compreendia que não devia bater em quem o tratava de forma amistosa, e sinalizou a porta de saída com a mão:
— Nesse caso, Diretor Souza, desejo-lhes um bom retorno.
Gregório acenou.


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Nosso Casamento Tinha Prazo
Pq esse tipo de história não da um pouco de amor próprio a mulher e ela encontra alguém q realmente a valoriza??? Só mostra que a mulher não se da o valor, mesmo depois de humilhada ela volta com o cara. Ridículo...
O melhor dessa história é que a autora põem a personagem para ser humilhada e trocar tudo por dinheiro, ou seja dignidade zero...
Adorando esse livro. Espero que o divórcio da Celeste demore o suficiente para o Gregório descobrir que sua salvadora do sequestro é Celeste. Que esse capítulo seja em breve....