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Nosso Casamento Tinha Prazo romance Capítulo 72

Celeste levantou os olhos. No instante em que percebeu que era Fagner, sua expressão gelou e um nítido traço de repulsa surgiu em seu olhar.

— Me solta.

Ela recuou abruptamente.

Sua postura era de quem evitava uma doença contagiosa.

Fagner empurrou a bochecha com a língua e deu uma risadinha seca:

— Celeste, eu acabei de te segurar para você não cair de cara no chão. É assim que você me agradece?

Ele realmente achava que ela estava sendo ingrata demais.

Antes, ela o havia insultado; agora, estava cuspindo no prato que comeu.

— Você trombou em mim, eu deveria agradecer pelo quê? Se um dia você me der uma facada e me levar ao hospital, eu vou ter que me ajoelhar de gratidão? Acha que o erro e o conserto se anulam? — Celeste ajeitou os documentos nos braços. O tom de voz era sereno, porém implacável.

Ele era apenas mais um dos cavaleiros de armadura brilhante que lutavam as batalhas de Dulce. Ela não tinha motivo algum para tratá-lo com simpatia.

Fagner ficou sem palavras por um instante.

Ele franziu a testa, irritado:

— Sempre com a língua afiada... O que você está fazendo aqui?

Para entrar na Universidade Imperial, era preciso agendamento, ainda mais naquele importante prédio de pesquisas. Celeste estar ali naquele dia...

Fagner colocou uma das mãos no bolso e a mediu de cima a baixo:

— Veio seguindo a gente de novo?

Celeste virou-se, encarando a expressão zombeteira dele.

Antes que ela pudesse processar uma possibilidade amarga.

Um Bentley estacionou ali perto.

Gregório desceu do veículo. Seu olhar varreu o ambiente de forma apática.

Seus olhos pousaram no rosto de Celeste por um breve instante, mas logo se desviaram, carregados de gélida indiferença.

Logo em seguida, Dulce também desembarcou do carro.

Ao notar a presença de Celeste, um leve sorriso vitorioso despontou nos lábios de Dulce.

Logo depois.

O coordenador responsável da Universidade Imperial apareceu, caminhando de forma respeitosa até Gregório com a mão estendida:

— Diretor Souza fez questão de trazer a Sra. Alves pessoalmente. É uma imensa honra recebê-lo. Agradecemos profundamente pelo patrocínio generoso do Diretor Souza ao nosso laboratório.

Celeste virou o rosto na mesma hora.

Fagner percebeu o choque no rosto dela. Inclinou-se levemente para frente e deu uma risada repleta de humor sádico:

— Não estava sabendo? Gregório doou cinquenta milhões para a faculdade de farmácia da Universidade Imperial. O dinheiro bancou novos equipamentos de alta precisão. Em troca, a Sra. Alves foi inserida na equipe de pesquisa da universidade para, advinha só, trabalhar diretamente na parceria com a Hercore.

A têmpora de Celeste pulsou.

Ela não contava com uma reviravolta dessas.

Como Dulce não havia conseguido entrar na Hercore por mérito próprio, Gregório despejou uma quantia obscena de dinheiro e garantiu que ela entrasse, pela porta dos fundos, diretamente na equipe que faria parceria com eles.

Um plano perfeito para garantir o currículo impecável da amada, sem deixar espaço para falhas.

Celeste ingenuamente acreditara que, após a rejeição da Hercore, Dulce ficaria quieta no seu canto por um tempo.

Mas ela havia se esquecido de que Gregório estava disposto a gastar até a última gota de sangue e dinheiro por Dulce...

Dulce não conseguiu esconder o risinho enquanto levava a mão aos lábios. Ela se agarrou ainda mais ao braço do homem e deu uma piscadela brincalhona:

— Hoje estamos aqui para falar de trabalho. Assuntos pessoais ficam para depois.

— Ah... Entendemos tudo!

Um clima de cumplicidade instantânea tomou conta do grupo.

Assistindo àquela cena patética.

Celeste apenas permaneceu em silêncio, encolhida entre os pesquisadores de sua própria equipe da Hercore.

Parecia ser só mais uma das figurantes que aplaudia a felicidade alheia.

E Gregório, de forma velada, aceitou as felicitações e as deduções do grupo.

Ela baixou os olhos, enquanto uma amarga ironia tomava seu semblante.

O nível de desprezo e descaso que Gregório nutria por ela era aterrador. Mesmo com ela ali, a dois passos de distância, ele sequer tentava disfarçar o afeto e a devoção que dedicava a Dulce.

A traição agora era esfregada em sua cara, à luz do dia.

Como se ela, a esposa legítima, não passasse de um sopro insignificante de ar.

Como ele não se importava com os sentimentos dela, provavelmente estaria torcendo para que ela fizesse um escândalo. Ou quem sabe, só quisesse forçá-la a assinar o divórcio e liberar a vaga o quanto antes?

— Hoje vamos apenas alinhar as diretrizes, definir as divisões de tarefas e os focos principais. Mais tarde, o Gregório fará questão de convidar todos para um almoço, espero que todos possam nos honrar com sua presença.

Dulce discursava com uma elegância irretocável. Ao dizer aquilo, olhou apaixonadamente para Gregório, transbordando doçura.

O grupo de pesquisadores explodiu em murmúrios animados.

— O namorado da veterana está com medo de que a gente não cuide bem dela, é isso? Está querendo comprar a nossa simpatia! Que inveja, veterana, você é muito sortuda!

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