O rugido fantasma do mar ainda martelava seus ouvidos quando Ian atravessava o corredor de mármore a passos largos. Cada batida de seus sapatos contra o piso polido era um metrônomo de fúria. Ele estava a ponto de explodir, até que uma voz pequena e aterrorizada o fez parar abruptamente.
— Tio Ian!
Léo apareceu na curva do corredor, um redemoinho de pijama azul e medo. Seus pés pequenos batiam descalços no mármore frio, seus olhos estavam inchados de chorar. Ele se atirou contra as pernas de Ian com a força do desespero.
— Eles... eles disseram que a mamãe caiu! — o menino soluçou, agarrando-se às calpas de Ian como se o mar ainda tentasse arrancá-lo dali. — É mentira, não é? Ela não morreu!
Helena apareceu atrás dele, ofegante.
— Léo, eu disse para esperarmos no quarto! — Ela olhou para Ian, seus olhos pedindo desculpas. — Ele ouviu os empregados conversando...
Ian sentiu algo em seu peito rachar. Ele se ajoelhou, colocando as mãos nos ombros trêmulos do garoto.
— Olha para mim, Léo — sua voz era estranhamente suave, um contraste gritante com a tempestade em seus olhos. — Sua mãe está viva. Ela se machucou, mas está se recuperando.
— E... e ela vai voltar para casa? — Léo perguntou, suas pequenas mãos apertando as de Ian.
Ian trocou um olhar rápido com Helena. Ele viu a pergunta não dita em seus olhos: Você vai contar a verdade? Ou vai continuar mentindo para protegê-lo?
— Nós vamos visitá-la agora — Ian disse, sua decisão tomada no instante. — Você pode ver com seus próprios olhos. Mas preciso que seja forte para ela, entendeu?
O menino assentiu, enxugando as lágrimas com as costas da mão.
Helena aproximou-se.
— O carro está pronto. E... tomei a liberdade de avisar a equipe médica.
Ian assentiu, seu olhar agradecendo silenciosamente. Ele pegou Léo no colo, o menino estava mais pesado do que ele lembrava, e marchou em direção à saída.
Quando chegou, o hospital cheirava a desinfetante e ansiedade. Luzes fluorescentes refletiam no chão encerado enquanto Ian atravessava o lobby com Léo em seus braços. O menino se encolhia contra seu peito, assustado pelo ambiente estéril. Ambiente que ele já havia passado tanto tempo de sua curta vida.
— Ela está no quarto 304 — uma enfermeira informou, apontando o corredor.
Quando a porta se abriu, Olívia estava reclinada na cama, seu rosto pálido contra os lençóis brancos. Seus olhos estavam fechados, mas eles se abriram lentamente quando a porta rangeu.
Ela viu Léo primeiro.
— Meu bebê... — sua voz saiu como um suspiro quebrado.
Ian colocou o menino no chão, e ele correu para a cama, escalando-a com a agilidade desesperada da infância.
— Mamãe! — Léo chorou, enterrando o rosto em seu pescoço. — Você tá machucada?
Olívia o abraçou, suas próprias lágrimas molhando seus cabelos.
— Só um pouquinho, amor. Mas estou bem agora que você está aqui.
Ian permaneceu na soleira, observando. Por um momento, permitiu que a cena lavasse sobre ele; a imagem deles juntos, intactos, era o único porto seguro em meio ao caos que ele havia criado.
Olívia ergueu o olhar, seus olhos encontrando os dele sobre a cabeça de Léo.
— Você o trouxe — ela sussurrou, e a gratidão em sua voz era mais dolorosa do que qualquer acusação.
— Eu prometi — Ian respondeu, sua voz rouca.
Olívia estava prestes a agradecer, quando a porta se abriu violentamente.
— Olívia!
Carla irrompeu no quarto, seu cabelo uma bagunça, ainda vestindo a roupa da noite anterior.
— Recebi a mensagem de Helena e vim direto, Meu Deus, olha para você! — Ela correu para a cama, abraçando Olívia com cuidado, evitando os tubos e curativos. — Quando me disseram que você tinha desaparecido...
— Estou bem, Carla. Realmente estou — Olívia disse, segurando a mão da amiga.
— Vá. Estou bem aqui. Leve Léo para pegar um suco na cantina também.
— Boa ideia! Ele precisa se alimentar. — Helena concordou.
Quando Carla, Helena e Léo saíram, o quarto ficou em silêncio. A porta se abriu novamente e Ian entrou, a pasta de documentos agora em suas mãos.
Olívia sentou-se mais reta na cama, seu olhar fixo na pasta.
— O que é isso, Ian? Mais cláusulas? Outro contrato?
Ele parou ao lado de sua cama, seu rosto uma máscara de emoções conflitantes.
— É algo que eu deveria ter feito naquela primeira noite, quando você me olhou nos olhos e me desafiou.
Ele colocou a pasta em seu colo. Dentro, um documento com o brasão dos Moretti reluzia sob a luz do hospital.
Olívia abriu a pasta com mãos trêmulas. Seus olhos percorreram as palavras:
"Dissolução de Contrato Matrimonial"
"Anulação"
"Livre de Todas as Obrigações".
Ela olhou para ele, sua respiração presa.
— Você... você está me deixando ir? Depois de tudo?
Ian manteve seu olhar, seus próprios dedos se contraindo ao lado do corpo.
— Estou te devolvendo sua vida. Se desejar, permanecerá trabalhando na empresa, isso não mudo. Mas você... você está livre, Olívia. Para ir para onde quiser, ser quem quiser. Sem Morettis, sem contratos, sem mim.

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